1 jul 2021 - 9h00

Maternal debate o amor e as escolhas para toda a vida

Ficção de estreia da italiana Maura Delpero acompanha as dúvidas e anseios de três jovens mulheres em um abrigo para mães solteiras em situação de risco

Situado quase que em sua totalidade dentro de um abrigo para jovens mães solteiras em situação de risco, Maternal põe à luz múltiplas questões acerca de ser mãe e encarar o peso de entrar na vida adulta. É o primeiro longa-metragem da italiana Maura Delpero, filme ganhador do Prêmio FIPRESCI (Federação Internacional de Críticos de Cinema). O filme é uma produção argentina.

Em Maternal, esse abrigo é gerido por um grupo de freiras e possui uma variedade significativa de mães, filhos, traumas e rebeldias. O enredo se divide entre a noviça Paola (Lidiya Liberman) e as jovens Fatima (Denise Carrizo) e Luciana (Agustina Malale). Três exemplos distintos de juventude e desejos, embora todas com mais ou menos a mesma idade.

Para Luciana, a maternidade é um peso que a retira dos prazeres de viver como se quer. De fato, ela chega a ensaiar abandonar a filha em busca de um namorado; Luciana, mais pé no chão, segue as regras da instituição, ciente de sua incapacidade financeira; Paola, prestes a fazer os votos para se tornar freira, começa a vislumbrar um futuro como mãe.

No estudo de roteiro, aprendemos que as trajetórias dos personagens passam por um “ponto sem retorno”, quando suas atitudes culminam em conflitos de tal monta que a partir dali, nada mais será como antes. O que o roteiro de Maura Delpero faz, é unir o “ponto sem retorno” com o fim da adolescência. Maternal é sobre fazer escolhas que transformarão para sempre a vida dessas mulheres, sejam elas mães ou filhas.

O jogo aqui proposto é o de observarmos esse momento de disruptura, para que percebamos que, por mais diferentes que sejam os envolvidos, essas transições nunca são simples. Por outro lado, Maternal exige que o espectador seja ativo. Não há didatismos sobre a vida pregressa das personagens. Somos “jogados” no meio do enredo e cabe a nós juntarmos os vários pedaços que não necessariamente são fundamentais para o entendimento da história. Mas que são fundamentais como pano de fundo psicológico.

Em Maternal o amor está no centro de tudo. Dentro de um contexto peculiar, uma instituição religiosa, seria de se imaginar regras extremamente anacrônicas. Embora envoltas em suas idiossincrasias, as freiras aqui representadas estão muito longe dos clichês religiosos de tantos outros filmes em que sexualidade e religião vivem um embate entre vida e morte, céu e inferno. Delpero não caiu na tentação de caricaturizar as irmãs com olhares obtusos. Ao contrário, elas parecem estar ali para nos mostrar que há outros mundos que podem coabitar, mesmo que tão diferentes.

Antes de Maternal, a cineasta dirigiu dois documentários, Nadea e Sveta (2012) e Signore Professori (2008).

Maternal – 2019, FIC, 91min, disponível no A La Carte.

Para ir além

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