Skip to content

No Paraná, metade dos negócios não passa dos 3 anos — veja onde eles resistem mais

Metade das empresas que fecham no Paraná não passa de 3,1 anos. Levantamento da Plural mostra os setores e as cidades onde os negócios duram mais

No Paraná, metade dos negócios não passa dos 3 anos — veja onde eles resistem mais
Foto: Vladimir Soares / Unsplash

Abrir é fácil; durar é que são elas. No Paraná, metade das empresas que já fecharam não passou dos 3,1 anos de vida — e, entre as que continuam ativas, a idade mediana é de 4,2 anos. Mas essa conta esconde mundos: há setores em que o negócio típico resiste ao triplo do tempo, e cidades onde as empresas envelhecem muito além da média.

Para medir isso, a Plural cruzou os cadastros de CNPJ da Receita Federal e calculou, para cada empresa baixada no estado, o tempo entre a abertura e o encerramento — o "tempo de vida". São 2,3 milhões de negócios encerrados analisados, ao lado de 2 milhões que seguem ativos. O resultado desenha uma anatomia e uma geografia da durabilidade dos negócios paranaenses.

3,1
anos — mediana de vida das que fecharam
6,9
anos — média das que fecharam
4,2
anos — idade mediana das ativas
2,3 mi
baixadas analisadas · 2,0 mi ativas

Os setores que resistem

Onde há capital pesado, regulação e demanda que não desaparece, o negócio dura. A indústria extrativa lidera com folga — mediana de 15,2 anos de vida entre as que fecharam —, seguida pela administração pública (13,8). São, porém, universos pequenos, de poucos milhares de registros: o número diz mais sobre a natureza dessas atividades do que sobre um padrão de massa.

O dado robusto vem logo abaixo. A saúde e os serviços sociais mantêm empresas vivas por 7,1 anos na mediana; o comércio e a reparação de veículos — o maior setor do estado, com 723 mil baixas — por 5,2 anos; as atividades financeiras (5,6), as imobiliárias (5,5) e o setor de artes, cultura e esporte (5,4) completam o pelotão dos mais longevos. São atividades de clientela recorrente e barreira de entrada: consultório, loja de rua, imobiliária e financeira não se montam — nem se desmontam — da noite para o dia.

Use o filtro de município no gráfico abaixo para ver como cada cidade muda esse retrato.

Por setor econômico (seção CNAE)

Mediana de anos, todo o Paraná. Ordenado pelo tempo de vida das que fecharam.

Fecharam — tempo de vida Ativas — idade atual
Setores como saúde, comércio e indústria extrativa mantêm negócios de pé por mais tempo. Transporte, serviços pessoais e educação têm o ciclo mais curto. A indústria extrativa e a administração pública têm medianas altas mas poucos registros (veja o "n").

O outro extremo: negócios de vida curta

No polo oposto estão as atividades de baixo custo de entrada e alta rotatividade. O grupo "outras atividades de serviços" — salões, manutenção, reparos e serviços pessoais — tem mediana de vida de apenas meio ano entre as que fecharam: são, em boa parte, microempreendedores que abrem e encerram o CNPJ em poucos meses. Transporte (1,5 ano), serviços domésticos (1,6), educação (1,9) e as atividades profissionais e técnicas (2,0) formam a base da pirâmide. Quanto mais fácil abrir, mais jovem é o estoque de empresas — vivas ou mortas.

Filial e porte: tamanho é documento

Quem já tem estrutura dura mais. As filiais paranaenses que fecharam viveram 5,7 anos na mediana, contra 3,0 das matrizes — afinal, só uma empresa consolidada chega a abrir uma segunda unidade. O mesmo vale para o porte: a microempresa, esmagadora maioria, morre mais nova (2,7 anos); as de pequeno porte e as "demais" (faixa que inclui as grandes) chegam a 4,8 anos.

Por tipo

Matriz × filial (mediana de anos).

Filiais duram bem mais: só empresas já estruturadas abrem filial.

Por porte

Mediana de anos.

A microempresa morre mais nova e é a mais jovem. "Demais" mistura grandes e não-classificadas — ver rodapé.

A geografia da longevidade

Entre as maiores cidades, Paranaguá se destaca: a mediana de vida das empresas que fecharam é de 4,5 anos, acima de Curitiba (3,7), Londrina (3,4) e Maringá (3,2). Não é acaso — a economia do porto favorece negócios mais encorpados e de ciclo longo. Já a franja metropolitana de Curitiba, com muito comércio de passagem, tem o giro mais rápido: São José dos Pinhais e Pinhais encerram empresas com mediana de 2,5 anos.

Fora dos grandes centros, a longevidade aparece no interior agrícola e mais estável: Grandes Rios (8,8 anos), Formosa do Oeste (6,9) e São João do Ivaí (6,0) lideram entre os municípios com volume relevante. Vários municípios pequenos, por outro lado, aparecem no extremo oposto, com medianas de meio ano — puxados por um grande volume de micro-registros de vida curtíssima.

Maiores cidades

Mediana de anos, por município (11 maiores por volume de baixas).

CidadeFecharamAtivasBaixadas
Curitiba fica acima da mediana do estado. Cidades da região metropolitana com muito comércio de passagem (São José dos Pinhais, Colombo, Pinhais) têm o ciclo mais curto. Entre municípios pequenos, Grandes Rios (8,8 anos) e Formosa do Oeste (6,9) lideram em longevidade das que fecharam.

Por que uns duram e outros não

No fim, durar é sobre barreira de entrada e demanda estável. Onde montar o negócio custa caro e o cliente volta — a clínica, a loja, a financeira, o porto —, a empresa envelhece. Onde basta um CNPJ e um celular, o ciclo recomeça a cada poucos meses. A mortalidade precoce não é, sozinha, sinal de fracasso da economia paranaense: é a face de um setor de serviços pessoais que nasce e morre rápido por natureza. Mas ela ajuda a explicar por que, no Paraná, o negócio típico ainda não sopra as quatro velinhas.

Como esta análise foi feita. "Tempo de vida" é o intervalo entre a data de abertura e a data de baixa das empresas baixadas no PR (2.296.162 estabelecimentos com datas válidas, ciclo ≤120 anos). "Idade" é o intervalo entre a abertura e a data-base do dado (30/6/2026) para as ativas (1.988.395). Usamos a mediana porque a distribuição é muito assimétrica — muitos negócios de vida curtíssima puxam a média para cima. Setor = seção CNAE (categoria geral). Porte: a Receita traz só 3 faixas; "Demais" (código 05) agrega grandes empresas e não-classificadas, então é aproximação. Cortes por município incluem apenas cidades com ≥50 registros.
Rosiane Correia de Freitas

Rosiane Correia de Freitas

Jornalista, mestre em educação e fundadora do Plural

All articles

Gostou desta reportagem?

Considere pagar um café para Rosiane Correia de Freitas e apoiar o jornalismo independente do Plural. Aponte a câmera do seu banco para o QR Code ou faça um Pix de qualquer valor para a chave abaixo.

32885173000120

More in Negócios

See all

More from Rosiane Correia de Freitas

See all

From our partners