O prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), declarou apoio aos candidatos ao Senado Alexandre Curi (Republicanos) e Deltan Dallagnol (Novo) – que ainda não sabe se poderá concorrer. Com o anúncio dos apoios, Pimentel passou a trabalhar contra a candidata do seu partido ao Senado, Cristina Graeml. Eles se enfrentaram no segundo turno da eleição municipal de 2024.
Ao pedir votos para Dallagnol, Eduardo Pimentel descumpre decisões da Justiça Eleitoral e mostra que não está preocupado com a possiblidade de uma eleição suplementar, que geraria custos milionários para a sociedade. Se Dallagnol for eleito no próximo domingo (4) e for declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), será necessária a realização de uma nova eleição para a segunda vaga no Senado, pois todos os votos dados a ele serão anulados.

Na semana passada, o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) concedeu liminares para impedir que os candidatos Filipe Barros (PL) e Guilherme Kilter (Novo), entre outros, peçam votos para Dallagnol, já que ele está com ma campanha suspensa. O candidato ao governo do PL, Sergio Moro, ignorou as decisões da Justiça Eleitoral e pediu votos para Deltan no debate da RPC, na terça-feira (26).
O registro de candidatura de Deltan foi aceito pelo TRE-PR no dia 9 de setembro, por 4 votos a 3. A Coligação Paraná para Todos (PDT, PT, PCdoB, PV, PSOL, Rede, PRD e Solidariedade) recorreu ao TSE, argumentado que ele está inelegível com base na Lei da Ficha Limpa – o que motivou a cassação de seu mandato de deputado federal em 2021.
No dia 19 de setembro, o ministro Floriano de Azevedo Marques, do TSE concedeu liminar para suspender a campanha de Dallagnol. Ele também suspendeu o repasse de recursos públicos para uma campanha que poder considerada ser irregular. No dia 21, o pleno do TSE manteve a liminar por 5 votos a 2.
Deltan Dallagnol recebeu R$ 3,4 milhões em recursos públicos para sua campanha. Foram R$ 2,1 milhões do Fundo Partidário e R$ 300 mil do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC). Com doações privadas, ultrapassou a marca de R$ 4 milhões. O candidato suspenso já declarou despesas de R$ 3.795.383,87.
No Paraná, o Novo de Deltan Dallagnol também trabalha contra a principal candidatura do partido. Quem concorre à presidência pela legenda é o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, mas os candidatos no Paraná pedem votos para Flávio Bolsonaro (PL).
Deltan Dallagnol e o vice-prefeito de Curitiba, Paulo Martins, estiveram no palanque com Flávio Bolsonaro na cidade no dia 29 de maio – menos de um mês depois se ser revelado que Flávio Bolsonaro recebeu R$ 61 milhões de Daniel Vorcaro e chamou o dono do Banco Master de "irmão".
