O candidato do PL ao governo, Sergio Moro, criticou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por suspender a campanha ao Senado de seu "ex-colega" de Operação Lava Jato Deltan Dallagnol (Novo) e cobrou um posicionamento do governador Ratinho Jr (PSD). Dallagnol teve a campanha suspensa no sábado (19) por determinação do ministro do TSE Floriano de Azevedo Marques. Ele não pode receber recursos públicos nem participar de atividades de campanha.
Moro classificou a decisão de Azevedo Marques como "inaceitável e contrária à jurisprudência da Justiça eleitoral". O candidato atribuiu a decisão ao PT, que segundo ele "continua perseguindo seus adversários políticos". Só não explicou que partidos políticos têm o direito de representar contra qualquer candidato, sobretudo quando há indícios de irregularidade nos registros.
Dallagnol teve o mandato de deputado federal cassado em 2023, com base na Lei da Ficha Limpa, e ainda não há definição sobre sua elegibilidade. Para Sergio Moro, suspender o repasse de recursos públicos para um candidatura que poderá ser declarada nula posteriormente é um ato de arbitrariedade. "O Brasil está cansado do arbítrio. Esperamos que essa injustiça seja corrigida em breve", afirmou o ex-juiz acusado de prorrogar prisões preventivas durante a Operação Lava Jato para forçar a assinatura de acordos de delação premiada.
Só neste ano, o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) já indeferiu 60 candidaturas. Não houve manifestações do PL acusando alguma arbitrariedade nesses julgamentos. Entre os que tiveram candidaturas barradas está o ex-deputado federal Alfredo Kaefer (PRD), considerado inelegível com base na Lei da Ficha Limpa – que poderá o ser o mesmo destino de Deltan.
Na manhã desta segunda-feira (21), em campanha na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), Moro atribuiu a decisão do TSE "aos amigos do Lula" – o que coloca as decisões da Corte sob suspeita. “Quebraram todas as regras para proibir o Deltan de fazer campanha e tudo se encaminha para tirá-lo do jogo mais uma vez. Não querem nos enfrentar nas urnas, no voto. É revoltante o que o PT e os amigos de Lula estão fazendo”.
O candidato cobrou um posicionamento de Ratinho Jr – que apoia Alexandre Curi (Republicanos) e Cristina Graeml (PSD) ao Senado. "Não ouvi uma palavra do governador nem de seu candidato. Esse silêncio é revelador. Todo o Paraná sabe de que lado estão a verdade, a justiça e a coragem nesta eleição”.