A duas semanas e meia da eleição, a Justiça Eleitoral acelerou o julgamento dos registros no Paraná — e a peneira derrubou novos nomes, alguns de peso. Entre 15 e 17 de setembro, o número de candidaturas indeferidas no estado subiu de 56 para 60, segundo levantamento da Plural no sistema DivulgaCand do TSE. Na lista dos recém-barrados está o ex-deputado federal Alfredo Kaefer (PRD), impedido pela Lei da Ficha Limpa, além de dois vereadores em exercício que disputavam uma vaga na Assembleia.
Nenhuma dessas decisões é definitiva: todos os seis novos indeferidos estão em prazo recursal ou já recorreram, e podem reverter o resultado nas instâncias superiores até perto da urna — como acabou de acontecer com outro candidato (veja abaixo). Mas o retrato desta semana mostra que a Justiça está fechando o cerco justamente quando o eleitor começa a prestar atenção na eleição.
Os seis novos nomes barrados
Todos vinham da situação "pendente de julgamento" e foram indeferidos nos últimos dois dias:
- Alfredo Kaefer (PRD, deputado federal) — empresário e ex-deputado federal, eleito em 2014 pelo PSDB. Barrado por inelegibilidade da Lei da Ficha Limpa (LC 64/90).
- Gugu Bubniak (Avante, deputado estadual) — vereador, barrado por ausência de condição de elegibilidade.
- Anne Ada (Avante, deputado estadual) — vereadora, barrada por desatendimento a requisito formal da Lei das Eleições.
- Dra. Caroline Dias (Avante, deputado estadual) — advogada, por requisito formal.
- Amanda Fernandes (PRD, deputado federal) — por requisito formal.
- Rute Bravo (Solidariedade, deputado estadual) — candidata repetida (2014, 2020 e 2022), por requisito formal.
O nome mais conhecido é o de Alfredo Kaefer, empresário do ramo industrial que já cumpriu mandato na Câmara dos Deputados (eleito em 2014, pelo PSDB) e tentava voltar agora pelo PRD. Ele foi barrado por inelegibilidade infraconstitucional — o dispositivo da Lei da Ficha Limpa —, a mais grave das razões de indeferimento, ligada a condenações e impedimentos legais, e não a uma simples pendência de documentação.
A nova leva também atinge mandatos em exercício, como já havia ocorrido com o vereador de Curitiba João Bettega: Gugu Bubniak e Anne Ada, ambos vereadores e candidatos a deputado estadual pelo Avante, tiveram o registro negado. São, com Bettega, os ocupantes de cargo eletivo que aparecem entre os barrados do estado.
O Avante, aliás, é o partido com mais candidaturas negadas na leva desta semana: das seis novas, três são da sigla (Bubniak, Anne Ada e Caroline Dias), todas para deputado estadual. Somando as decisões anteriores, o partido já tem quatro candidatos a estadual indeferidos no Paraná — os três novos mais Danielle Marques. Os motivos, no entanto, são individuais (condição de elegibilidade e requisito formal), e não um indeferimento coletivo da chapa.
Candidato a deputado federal ganha recurso
O movimento da Justiça nesta reta final também reverteu barreiras: dois nomes saíram da lista de barrados no mesmo período. Zezinho Fisioterapeuta (PDT, deputado federal), que estava indeferido por ausência de quitação eleitoral, teve o registro deferido — recurso aceito, e a candidatura voltou a valer. Já Dr. Edivande Freitas (Solidariedade, deputado estadual), antes indeferido, aparece agora como renúncia.
No total, as candidaturas ainda "pendentes de julgamento" no Paraná caíram de 21 para 12 em dois dias — sinal de que a Justiça corre para fechar as pendências antes de 4 de outubro.
Como apuramos esta reportagem
Os dados vêm do DivulgaCand, sistema do TSE que reflete cada decisão sobre os registros de candidatura — e que se atualiza antes da base de dados abertos em lote, que ainda traz todas as candidaturas do Paraná como "não julgadas". A Plural consultou, candidato a candidato, a situação dos 1.088 registros do estado em 13, 15 e 17 de setembro, e comparou os retratos para identificar o que mudou. Situação sujeita a alteração a cada nova decisão da Justiça Eleitoral.