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Assembleia designa relator do caso Renato Freitas e arquiva denúncia contra bolsonarista

Integrantes do Conselho de Ética já declararam que consideram o petista culpado, o que poderá levar caso à Justiça

Assembleia designa relator do caso Renato Freitas e arquiva denúncia contra bolsonarista
Márcio Pacheco, que vai relatar representação contra Renato Freitas / Foto: Asessoria/Alep
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No mesmo dia em que designou o deputado Marcio Pacheco (PP) como relator do processo contra Renato Freitas (PT), o Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) arquivou uma representação contra o bolsonarista Ricardo Arruda (PL), acusado de fazer um ataque misógino à deputada Ana Júlia (PT) em abril deste ano. Somente Márcia Huçulak (PSD) apresentou voto em separado pela abertura de um processo contra Arruda.

Pacheco foi designado nesta terça-feira (25) pelo presidente do Conselho, Delegado Jacovós (PL), para relatar as oito representações apresentadas contra Renato Freitas, que se envolveu em uma briga na quarta-feira da semana passada (19 de novembro). Ele terá três dias para notificar o petista. Depois disso, Freitas terá dez dias para apresentar defesa prévia. Jacovós estima que o processo só deverá ser encerrado em março de 2026.

Marcio Pacheco tem um histórico de oposição a Renato Freitas. Em fevereiro, um assessor de Pacheco provocou o petista durante uma reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e os dois acabaram discutindo. Freitas chamou o deputado de "coronelzinho" e disse que o assessor fez caretas enquanto ele falava.

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Em maio, Pacheco foi o principal responsável pela suspensão de 30 dias que seria aplicada a Freitas (que foi considerada ilegal pela Justiça). O deputado Moacyr Fadel (PSD) havia recomendado o arquivamento da representação que acusava o petista de participar da organização da ocupação das galerias da Alep por professores em greve, no ano passado. Durante a reunião do Conselho, Pacheco apresentou voto em separado recomendando a suspensão de Freitas por 60 dias e foi acompanhado pela maioria. Os 30 dias de suspensão foram recomendados pela nova relatora designada para o caso, Márcia Huçulak.

“Podem ter certeza que o parecer será construído com base no que constar nas denúncias, nas provas e testemunhas que serão ouvidas durante o decorrer da investigação, respeitando estritamente os regramentos do Regimento Interno e do Código de Ética e Decoro Parlamentar”, disse Pacheco nesta terça-feira.

Antecipação

Dois integrantes do Conselho de Ética já deram mostras de que consideram Renato Freitas culpado antes do final do processo. A situação poderá levar o petista a recorrer à Justiça caso venha a ser punido, com chances de conseguir a anulação do processo – preocupação demonstrada por um dos integrantes da Conselho, Tito Barichello (União Brasil), na reunião de segunda-feira (24) do colegiado.

"Conhecemos a atuação do senhor Renato Freitas, que deixa o mérito de lado muitas vezes e se atém simplesmente à questão das formalidades", disse Barichello, Apesar da fala, em seguida Barichello passou a culpar Freitas por fatos "gravíssimos" que "maculam a imagem" da Assembleia. "E menciono mais um absurdo, o deputado Renato Freitas está licenciado para tratamento de saúde. Mas na sexta-feira, dois dias depois da situação em que ele foi lesionado, ele deu uma coletiva aqui em frente à Assembleia. Ou seja, para atender os jornalistas ele estava muito bem, mas para trabalhar não estava", disse Barichello.

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Uma das representações contra Renato Freitas foi apresentada pela vereadora de Curitiba Tathiana Guzella (União Brasil), mulher de Tito Barichello, e outra pelo próprio deputado. As demais foram protocoladas pelos vereadores Bruno Secco (PMB), Eder Borges (PL) e Guilherme Kilter (Novo), pelo Movimento Brasil Livre (MBL) e pelos deputados estaduais Fábio de Oliveira (Podemos) e Ricardo Arruda.

Em entrevista depois da reunião de segunda-feira, Jacovós disse considerar que o petista estava no exercício do mandato quando se envolveu na briga, o que aumentaria as chances de punição, e comparou a situação a uma "pescaria". "Eu entendo que durante os quatro anos você está exercendo o seu mandato. Se você, no final de semana, vai pescar e se envolve em uma briga na pescaria, você está exercendo o seu mandato. Não é porque você foi pescar que você não está exercendo o seu mandato", disse o presidente do Conselho de Ética.

Arquivamento

Relator da representação movida pelo líder da oposição na Alep, Arilson Chiorato (PT), contra Ricardo Arruda, o também bolsonarista Tito Barichello votou pelo arquivamento. Em fevereiro, a deputada Ana Júlia (PT) pediu o afastamento de Arruda da CCJ após três faltas consecutivas. O bolsonarista então criticou as roupas da deputada. Em maio, a Alep descumpriu o que diz o Regimento Interno e manteve Arruda na CCJ, apesar das três faltas (ele apresentou um atestado de um dentista 40 dias depois da primeira falta).

Para Tito Barichello, a fala de Arruda está protegida pela imunidade parlamentar. "Parlamentares são invioláveis por suas opiniões, palavras e votos. Não se trata de concordância ou discordância sobre o conteúdo das falas", disse o deputado. "Mesmo declarações ríspidas ou desagradáveis estão protegidas pela imunidade".

Márcia Huçulak apresentou voto em separado argumentando que a fala de Arruda foi "misógina, agressiva, intimidatória e criadora de ambiente hostil". "São apenas impressões", avaliou Barichello. "Estamos dizendo que sim, que em virtude da imunidade parlamentar que tem (Arruda), ele pode sim fazê-lo e não incide em ilícito administrativo ou criminal. É uma análise política".

O voto de Barichello indica que parlamentares não poderão sofrer punições caso considerem feio ou inadequado, por exemplo, o chapéu utilizado pelo bolsonarista durante as sessões da Alep. O mesmo poderá ser dito em relação ao broche em formato de arma que ele costuma usar no terno.

Marcio Pacheco destacou que na segunda-feira Barichello recomendou o arquivamento de uma representação semelhante contra Renato Freitas e Ana Júlia, movida por Arruda, por supostas ofensas proferidas contra o parlamentar. "A do Renato Freitas votamos ontem pelo arquivamento e hoje estamos votando a do deputado Ricardo Arruda, acompanho também o voto do relator pelo arquivamento", disse Pacheco.

Nova representação contra Arruda

Na sessão desta terça-feira do Conselho de Ética, Márcia Huçulak foi designada relatora da representação apresentada contra Arruda, que chamou a ministra Carmen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), de "bruxa" durante uma sessão da Assembleia em setembro. Após a reação de deputadas à fala, o bolsonarista disse pediu desculpas "às bruxas que se sentiram ofendidas".

Tito Barichello e Márcio Pacheco tentaram impedir que Márcia Huçulak assumisse a relatoria, por fazer parte da bancada feminina. A representação contra Arruda foi protocolada pelas deputadas Ana Júlia, Mabel Canto (PP), Cloara Pinheiro (PSD), Cristina Silvestri (PP), Luciana Rafagnin (PT), Marli Paulino (Solidariedade) e Maria Victória (PP).

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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