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Lideranças tentam incluir contorno ferroviário de Curitiba em nova concessão da Malha Sul

Objetivo é retirar os 40 quilômetros de ferrovias da cidade. Em quatro anos, 27 pessoas morreram em acidentes com trens

Lideranças tentam incluir contorno ferroviário de Curitiba em nova concessão da Malha Sul
Ferrovia na área urbana de Curitiba: problema histórico. Foto: Tami Taketani/Plural

Lideranças políticas e empresariais do Paraná têm se movimentado em Brasília para incluir a construção do contorno ferroviário de Curitiba e dos ramais Leste e Oeste nos editais da próxima concessão da Malha Sul, que tem leilões previstos para o fim deste ano. O objetivo é retirar os trilhos que atualmente cortam a cidade, um problema histórico que causou 27 mortes em quatro anos, segundo a Prefeitura de Curitiba.

Na quinta-feira (16), o prefeito Eduardo Pimentel (PSD) participou em Brasília da primeira audiência pública da concessão da Malha Sul e se reuniu com o ministro dos Transportes, George Santoro. Ele solicitou que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) inclua os projetos na nova concessão e afirmou que Curitiba já tem um Estudo de Viabilidade Técnica Ambiental sobre a retirada dos trilhos, além de um estudo do Ippuc para reestruturar as áreas.

Até o final de agosto, a ANTT deve realizar novas audiências públicas para aprimorar a modelagem da concessão dos corredores ferroviários Mercosul, Rio Grande e Paraná–Santa Catarina, com a participação da sociedade, do setor produtivo, de operadores ferroviários, especialistas e demais interessados.

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A deputada federal e ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT-PR) também participou da audiência pública e da entrega de propostas à ANTT. Além do contorno ferroviário de Curitiba, a deputada solicitou um novo traçado da linha na Serra da Esperança entre Guarapuava e Lapa, ampliação dos pátios de manobra e um estudo de viabilidade técnica, econômica e ambiental para uma ligação entre Cascavel e Guaíra, no Oeste do Estado.

Além deles, estiveram na audiência o deputado federal e ex-secretário estadual da Saúde Beto Preto (PSD-PR) e o superintendente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), João Arthur Mohr, representando o G7, grupo que reúne as sete principais entidades representativas do setor produtivo do Estado.

Capital nacional dos acidentes ferroviários

Curitiba é a capital brasileira com o maior números de acidentes com trens. A cidade tem 40,7 quilômetros de trilhos em 21 bairros, com uma população de aproximadamente 467 mil pessoas. São 51 passagens em nível que provocam congestionamentos e atrasos no transporte coletivo. A ferrovia cruza ainda dois eixos estruturais do BRT, que transporte 237 mil pessoas por dia.

Segundo dados da ANTT, entre 2005 e 2025 foram registradas 437 acidentes na ferrovia, muito acima da segunda cidade brasileira com mais ocorrências, Juiz de Fora (MG), com 247. Entre 2021 e 2024 foram registrados 152 acidentes, com mais de 60 pessoas feridas e 27 mortes.

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A maior parte dos acidentes ocorre em passagens de nível, onde os trilhos cortam ruas e avenidas sem viadutos ou túneis. São espaços compartilhados por trens, pedestres, ciclistas e automóveis. Entre janeiro e agosto de 2025 a ANTT havia registrados 13 acidentes, com duas mortes.

Segmentação

Os cerca de 7,2 quilômetros de ferrovias dos três Estados da Região Sul são operados pela Rumo Logística. O contrato de 30 anos termina em fevereiro de 2027. A proposta da ANTT divide a Malha Sul em três lotes:

Para Gleisi Hoffmann, o financiamento do contorno de Curitiba poderá ter participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Segundo a deputada, foi apresentada a possibilidade de prazo de 40 anos para pagamento, com carência durante o período dos investimentos.

As próximas Audiências Públicas da ANTT para debater o projeto da Malha Sul serão realizada em Curitiba, em 27 de julho; Porto Alegre, em 29 de julho; e Florianópolis, em 31 de julho.

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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