A disputa pelo poder nacional do Democracia Cristã (DC) teve efeitos no Paraná. Depois de uma briga que levou à expulsão à readmissão do pré-candidato à Presidência Aldo Rebelo, a direção nacional do DC destituiu a comissão provisória que comandava o partido no Paraná, liderada pelo ex-deputado federal paranaense Ricardo Gomyde, o que aproximou a legenda da pré-candidatura do senador Sergio Moro (PL-PR) ao Governo do Estado.
A ideia do DC era lançar a candidatura do empresário e ex-deputado estadual Tony Garcia ao Governo. Garcia tem dado entrevistas em que afirma ter atuado como "agente infiltrado" de Sergio Moro quando ele era juiz titular da 13ª Vara Federal de Curitiba e responsável pelos processos da chamada operação Lava Jato. Condenado em 2006 por supostos crimes financeiros relacionados ao Consórcio Nacional Garibaldi, o ex-deputado teria sido chantageado por Moro para gravar conversas com supostos alvos da Lava Jato.

Tony Garcia prometia lançar sua candidatura ao Governo para fazer oposição direta a Moro, revelando o que chama de "métodos da Lava Jato", mas a direção nacional do DC, comandada por João Caldas, destituiu a comissão provisória, cuja vigência terminou na última terça-feira (14 de julho). A tendência é que o ex-deputado tenha sua candidatura rejeitada na convenção do partido.
A nova presidente do DC no Paraná é a prefeita de Clevelândia, Rafaela Losi (PSD). Apesar de ela ser aliada ao governador Ratinho Jr (PSD), a tendência é que o DC declare apoio à pré-candidatura de Moro na próxima semana. O novo primeiro vice-presidente do DC no Paraná, o advogado Jorge Casagrande, e o novo primeiro-secretário, o empresário Fábio Aguayo, são apoiadores de Moro. Aguayo tem um cargo em comissão no gabinete de Sergio Moro no Senado.
A destituição da direção do DC no Paraná mostra que Aldo Rebelo perdeu força no partido. Ricardo Gomyde é ligado ao grupo de político de Rebelo – ambos foram filiados ao PCdoB e o paranaense assumiu o comando do DC no Estado para garantir um palanque ao presidenciável, caso ele conseguisse viabilizar sua candidatura. Gomyde foi diretor do Ministério do Esporte quando Aldo Rebelo era o ministro, entre 2011 e 2015, no primeiro governo de Dilma Rousseff (PT).
