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Mulher de Ricardo Arruda e assessores do deputado viram réus em caso de "rachadinha"

Endereços do parlamentar fora alvo de operação em 2023. Em outra ação, MP pediu devolução de R$ 1 milhão

Mulher de Ricardo Arruda e assessores do deputado viram réus em caso de "rachadinha"
O deputado estadual Ricardo Arruda / Foto: Tami Taketani/Arquivo Plural

O Ministério Público do Paraná (MP-PR) denunciou à Justiça quatro pessoas suspeitas de envolvimento no esquema de "rachadinha" no gabinete do deputado estadual Ricardo Arruda (PL) na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). Os denunciados são a mulher do deputado, Patrícia Miranda Arruda Nunes, e três servidores que eram comissionados da Alep. Segundo o MPPR, a denúncia foi aceita pela 2ª Vara Criminal de Curitiba e eles se tornaram réus.

Ricardo Arruda não foi denunciado desta vez porque já responde a um processo por improbidade administrativa pelo mesmo caso. Em setembro do ano passado, o MPPR cobrou do parlamentar bolsonarista a devolução de R$ 1.045.170,80, que teriam sido desviados por meio do esquema de “rachadinha” – quando o parlamentar fica com parte dos salários de seus funcionários.

Em outubro de 2023, o gabinete de Arruda na Alep e endereços do parlamentar em Curitiba e São Paulo foram alvo de uma operação de agentes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MPPR. O MPPR informou que a 2ª Vara Criminal de Curitiba pediu o afastamento de um dos denunciados, que ainda ocupa um cargo em comissão na Alep.

De acordo com o MPPR, em três episódios valores transferidos por servidores foram utilizados para aquisição de moeda estrangeira, que teria sido entregue em dinheiro ao parlamentar, a fim de dissimular a origem dos recursos. Outros repasses teriam ocorrido por meio de cartões de crédito, de acordo com a denúncia, com o objetivo custear despesas da esposa do parlamentar.

O Gaeco teria ainda identificado transferências bancárias, saques em espécie, depósitos em contas de terceiros e pagamentos de despesas pessoais e transferências para empresa familiar ligada ao parlamentar. Dois dois denunciados teriam exigido que os preasses fossem feitos. Um dos investigados foi denunciado por um crime de lavagem de dinheiro.

O MPPR informou que outro servidor responde por dez crimes de lavagem de dinheiro e dois de concussão, um terceiro por dois crimes de lavagem de dinheiro e o quarto por oito crimes de lavagem de dinheiro e um crime de concussão.

Ricardo Arruda também é réu em outro processo, pelos crimes de associação criminosa, desvio de dinheiro público e tráfico de influência. Ele é suspeito de usar seu poder político para ajudar a reintegrar policiais militares excluídos da corporação em troca de dinheiro. Ele também teria recebido dinheiro de um empresário para intermediar o pagamento de um contrato com o governo.

Em nota, Ricardo Arruda disse confiar na absolvição e classificou a denúncia do Gaeco como "injusta". Segue a nota:

O Dep. Ricardo Arruda declara que as acusações são inverídicas e que tem confiança plena no trabalho da Justiça Paranaense, que reconhecerá a verdade e absolverá todos os envolvidos nas injustas acusações do GAECO.

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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