O deputado estadual Goura (PDT) denunciou ao Ministério Público do Paraná (MPPR) o corte de um bosque com mata nativa em Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba. O corte foi autorizado pelo IAT (Instituto Água e Terra), ligado à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável, mas a licença, de acordo com Goura, diz respeito ao corte de uma "árvore isolada". O IAT informou que a autorização foi dada após o compromisso de que 230 mudas de espécies nativas serão plantadas em área urbana.
No ofício encaminhado ao promotor Alexandre Gaio, da 5ª Promotoria de Justiça de Almirante Tamandaré, Goura informa que a área na Rua Beija-Flor, no Bairro Tanguá, abriga quatro araucárias (Araucaria angustifolia) e 19 espécimes de mata nativa, como Pinheiro-bravo (Podocarpus lambertii), a Erva-mate (Ilex paraguariensis), a Canela-guaicá (Ocotea puberula) e a Aroeira (Lithraea brasiliensis), com um volume total de 14,64 metro cúbicos de material.
"Essa composição florística é a exata caracterização do ecossistema da Floresta Ombrófila Mista (Mata de Araucárias). Expedir uma licença de Corte de Árvore Isolada para um conjunto de espécies que formam um remanescente do bioma Mata Atlântica pode sugerir um suposto subdimensionamento do licenciamento, colocando em dúvidas sobre a exigência de estudos ambientais complexos, como referentes à fauna associada, e de medidas compensatórias proporcionais à perda do ecossistema", afirmou Goura.
Segundo o deputado, não há na licença qualquer registro de avaliação de impacto na fauna local. "Trata-se de requisito fundamental e omissão grave para a supressão de um maciço arbóreo que serve de abrigo e rota para diversas espécies da fauna silvestre, incluindo aves e mamíferos de médio porte" disse Goura.
Ele questionou ainda a medida compensatória, já que estão sendo cortadas árvores adultas e substituídas por mudas. "Trata-se de apenas 200 mudas, número que pode ser revelar irrisório frente ao dano ecossistêmico gerado e ao déficit de áreas verdes, especialmente considerando o corte de um símbolo do Estado, ameaçado de extinção". A licença foi concedida para uma construtora com outros empreendimentos em Almirante Tamandaré e a área deverá abrigar um condomínio.
Procurado pela reportagem, o IAT informou apenas que a licença foi concedida após após avaliação técnica, com a condição do plantio de 230 mudas de espécies nativas "em área urbana indicada pela prefeitura de Almirante Tamandaré, etapa que foi cumprida pelo requerente".