Dois candidatos do Podemos concentram cerca de 63,5% dos recursos públicos destinados ao diretório estadual do partido para as eleições deste ano. Juntos, os candidatos a deputado estadual Do Carmo e Lu Bonatto receberam R$ 2,3 milhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), de um total de R$ 3.620.000 declarado pelo partido à Justiça Eleitoral.
Lu Bonatto é presidente do Podemos no Paraná e mãe do deputado federal Felipe Francischini (Podemos), candidato à reeleição. Ela declarou ter recebido R$ 1,1 milhão do Fundo Eleitoral, além de R$ 20 mil em doações. Do Carmo, que é deputado estadual e tenta a reeleição, recebeu R$ 1,2 milhão do Fundo Eleitoral e R$ 50 mil em doações. O Podemos integra a coligação que apoia a candidatura de Sergio Moro (PL) ao governo do Paraná.
A concentração de recursos levou uma advogada de Curitiba a protocolar um pedido de averiguação na Procuradoria Eleitoral do Paraná, com base nos dados da Justiça Eleitoral do dia 23 de setembro. Naquele dia, o total do FEFC recebido pelo Podemos no Paraná era de R$ 3.370.000,00 e os dois candidatos concentravam 68,2% dos recursos do FEFC repassados ao partido (o Podemos do Paraná não utiliza na campanha o Fundo Partidário, outra fonte pública de financiamento).
Do Carmo é o candidato a deputado estadual que mais recebeu recursos do FEFC no Paraná, entre todos os partidos. Lu Bonatto é a quarta colocada. Em segundo está Marly Paulino (PSD), com R$ 1.150.000, e em terceiro Andressa Bianchesi (União), com R$ 966,6 mil.
Transferência para outras candidaturas
Segundo o pedido de investigação, a candidata a deputada estadual Ana Paula Pavelski declarou ter recebido R$ 685 mil do Diretório Nacional do Podemos em 1º de setembro de 2026. Dois dias depois, no dia 3, ela transferiu R$ 50 mil para a candidata Professora Lurdinha e R$ 15 mil para a campanha de Waldirene Budal.
"As transferências acima representam, portanto, aparente divergência entre a prática registrada e o critério partidário apresentado ao TSE. Não se afirma, sem prova, que tenham sido feitas para ocultar a distribuição ou evitar investigação", afirma autora do pedido de averiguação.
Veja quanto cada candidatura feminina do Podemos no Paraná recebeu do FEFC (dados de 28 de setembro):
Fundo Eleitoral para candidaturas femininas – Deputada estadual
Adriana Carvalho – R$ 15 mil
Cilene Pinheiro – Não recebeu
Cinthia Socorrista – R$ 50 mil
Cris Lopes – R$ 15 mil
Fabiana Parro – R$ 200 mil
Isaura Paludo – R$ 56 mil
Ivonete Domói – R$ 30 mil
Juliette Rodrigues – R$ 40 mil
Lu Bonatto – R$ 1,1 milhão
Michelle Tapia – sem recursos
Miriã Saboia – R$ 15 mil
Professora Inês Bernardes – R$ 15 mil
Professora Lurdinha – R$ 50 mil
Silvana Luiza Ribeiro – Não recebeu
Socorro Moriya – R$ 26 mil
Waldirene Budal Advogada – R$ 15 mil
Fundo Eleitoral para candidaturas femininas – Deputada federal
Ana Novais – R$ 150 mil
Ana Pavelski – R$ 685 mil
Cris Mello – R$ 20 mil
Fabiula Jungles – R$ 30 mil
Marcia Santos – R$ 40 mil
Mila Paraná – R$ 30 mil
Protetora Silvana Coradi – R$ 40 mil
Salete das Lápides – R$ 40 mil
Sandro Tarabaye – 150 mil
Sargento Tânia Guerreiro – R$ 450 mil
No pedido à Procuradoria, a autora solicitou, entre outros pontos, os requerimentos de FEFC das candidaturas do Paraná, com protocolos, datas, documentos, encaminhamentos e respostas; apresentação das atas, planilhas, pareceres, mensagens, deliberações e autorizações utilizadas para individualizar os valores; e a identificação de todas as pessoas que propuseram, analisaram, aprovaram, autorizaram fizeram os repasses para Lu Bonatto e Do Carmo.
O pedido inclui verificação da natureza de cada recurso, da conta bancária específica de origem e do cumprimento nacional das cotas de gênero, raça e candidaturas indígenas; apuração das transferências realizadas pela candidata Ana Paula Pavelski e apresentação de comprovantes bancários, recibos eleitorais, autorizações e registros contábeis relacionados às duas transferências.
O Plural entrou em contato com o deputado federal e candidato à reeleição Felipe Francischini, com o deputado estadual Do Carmo e com a assessoria jurídica do Podemos no Paraná, mas não houve posicionamento até a publicação desta matéria. O espaço fica à disposição.