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A mesma empresa vai cuidar dos parques do CIC e da Matriz

A Sipolly venceu os dois lotes de manutenção dos parques de Curitiba, por R$ 1,02 mi e R$ 1,05 mi. As áreas 2 e 3, das outras seis regionais, não foram licitadas

A Prefeitura de Curitiba contratou na semana passada a manutenção dos parques e bosques de quatro bairros-regionais, e a mesma empresa levou os dois lotes: a Sipolly Construtora de Obras vai cuidar do CIC e do Tatuquara por R$ 1.056.000 e da Matriz e Santa Felicidade por R$ 1.026.000 — uma diferença de 2,9% entre a periferia e o centro. As áreas 2 e 3, que cobririam as outras seis regionais da cidade, não foram licitadas: não há aviso nem resultado no Diário Oficial.

Os dois contratos saíram em dias seguidos. O da Área 1 — regionais Matriz e Santa Felicidade — foi divulgado na quinta-feira (17). O da Área 4 — CIC e Tatuquara — foi adjudicado e homologado na sexta-feira (18), no mesmo Diário em que a Secretaria Municipal da Educação registrou preços de até R$ 3,07 milhões para comprar e instalar parques infantis. Somados, os dois anúncios de sexta chegam a R$ 4,1 milhões.

O levantamento é da Plural, a partir da base de dados própria com o texto integral de todas as edições do Diário Oficial do Município desde janeiro de 2024, e da base de proposições da Câmara Municipal de Curitiba.

Dois lotes, uma empresa, 2,9% de diferença

O Pregão Eletrônico 87/2026 da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMMA) contratou "serviços contínuos de engenharia para manutenção, readequação e recuperação dos parques e bosques públicos das regionais Matriz e Santa Felicidade — Área 1". O Pregão 91/2026 tem exatamente o mesmo objeto, para as regionais CIC e Tatuquara. Os dois usaram o critério de maior desconto. Os dois terminaram com a Sipolly Construtora de Obras.

LoteRegionaisProcessoValorPublicação
Área 1Matriz e Santa FelicidadePE 87/2026 – SMMAR$ 1.026.000,0017/09/2026
Área 4CIC e TatuquaraPE 91/2026 – SMMAR$ 1.056.000,0018/09/2026

A Matriz é a regional do Centro e dos bairros de maior renda da cidade. O CIC e o Tatuquara estão no extremo oposto. As duas áreas recebem praticamente o mesmo dinheiro — R$ 30 mil de diferença —, embora o Diário não informe quantos parques e bosques cada lote abrange.

As outras seis regionais de Curitiba — Boa Vista, Cajuru, Boqueirão, Portão, Pinheirinho e Bairro Novo — não aparecem em nenhum lote. Uma busca no texto integral de todas as edições do Diário Oficial entre janeiro de 2024 e 18 de setembro de 2026 não encontra nenhuma menção a uma Área 2 ou a uma Área 3 desse conjunto de licitações.

O próprio modelo é recente: a expressão "manutenção, readequação e recuperação dos parques e bosques públicos das regionais" não existe no Diário antes de 13 de julho de 2026, data do primeiro aviso de licitação. Até então, a SMMA contratava obra a obra, praça a praça.

No resultado da Área 1, o Diário traz um erro de digitação: o fecho diz "TOTAL GERAL DO PROCESSO PE 58/2026 SMMA". O PE 58/2026 é outra licitação, de coleta de resíduos vegetais, publicada na mesma página.

Uma velha conhecida da secretaria

A Sipolly não é novata. Desde janeiro de 2024, quando começa a base de dados da Plural, a empresa aparece no Diário Oficial em 15 contratos e aditivos distintos com a Prefeitura, ligados a 13 licitações da Secretaria do Meio Ambiente. As mais antigas são de 2018 e 2019; há contratos derivados de concorrências de 2020 que seguiram sendo prorrogados até 2025.

Entre os serviços já prestados pela empresa estão a manutenção de canteiros, o suporte à administração de prédios e áreas públicas e a recuperação de margens de lagos e cursos d'água em unidades de conservação.

A Sipolly também já vinha ganhando licitações com o mesmo item de contrato dos lotes de agora — "logradouros públicos, manutenção/readequação/recuperação" — e pelo mesmo critério de maior desconto. No Pregão 508/2023, ofereceu desconto único e linear de 33,51%. No Pregão 075/2025, de 31,12%.

Esse pregão de 2025 é o melhor termo de comparação disponível. Por ele, a empresa assumiu os serviços contínuos de engenharia para recuperação e requalificação de uma única área de lazer, na Rua Elói Orestes Zeglin, no Pinheirinho, por R$ 5.040.000 — R$ 420 mil por mês. Os dois lotes de agora, que cobrem os parques e bosques de quatro regionais inteiras, custam R$ 1,02 milhão e R$ 1,05 milhão. O Diário não publica o valor mensal nem o prazo dos novos contratos.

Nos dois pregões de setembro, aliás, o Diário publica apenas o valor final de cada lote. Não informa o valor máximo estimado pela Prefeitura, o desconto oferecido pela vencedora nem quantas empresas disputaram.

O que os vereadores pedem é areia

Enquanto a Prefeitura reorganizava a manutenção dos parques, os vereadores acumulavam pedidos sobre os brinquedos da cidade. Entre 1º de janeiro de 2024 e 13 de julho de 2026 — data até onde vai a base de proposições da Câmara —, 739 proposições citam parquinho, parque infantil, playground ou brinquedo nas ementas.

AnoProposições
2024181
2025375
2026 (até 13 de julho)183

Nove em cada dez são requerimentos à Prefeitura, o instrumento mais simples do vereador. E o retrato que sai desses pedidos é modesto:

O que pedemProposições%
Manutenção, reforma ou revitalização39754%
Instalação de um parquinho novo22230%
Reposição de areia17624%
Roçada e limpeza12016%
Acessibilidade ou brinquedo inclusivo233%

Um em cada quatro pedidos é para repor a areia do parquinho. "Solicita limpeza e reposição de areia no parque de brinquedos da Rua Hamilton José Grande Martins no bairro Umbará", escreveu Marcos Vieira em fevereiro de 2025. "Requer capinagem e reposição de areia do parquinho, na praça Adilson Pereira Sodré", pediu Toninho da Farmácia em março. As ementas se repetem às centenas.

181 dessas proposições citam a periferia sul e oeste — CIC, Tatuquara, Sítio Cercado, Umbará, Ganchinho, Campo de Santana e Caximba: 37 em 2024, 78 em 2025 e 66 em 2026, até julho. É a região que acaba de receber um dos dois lotes de manutenção.

Quem mais pede são Marcos Vieira (87 proposições), Lorens Nogueira (85), Tico Kuzma (58), Laís Leão (39) e Renan Ceschin (37).

Dessas 739 proposições, 575 aparecem como "concluído atendimento na CMC" — o que significa que a Câmara encerrou o trâmite, não que a obra foi feita — e 152 seguem "aguardando ação ou manifestação do Executivo".

Parquinhos de escola: R$ 3 milhões registrados

O terceiro anúncio da sexta-feira veio da Educação. O Pregão Eletrônico 74/2026 registrou preços para o fornecimento e a instalação de parques infantis destinados à Secretaria Municipal da Educação e à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano. Venceram a Bellalu Soluções, com R$ 1.649.650 nos itens 1 e 3, e a Parque Sul Comércio de Brinquedos e Artigos Recreativos, com R$ 1.429.175 nos itens 2 e 4. Total: R$ 3.078.825.

O valor é um teto, não um contrato. Num registro de preços, a Prefeitura fixa quanto pagaria por cada item e só depois decide quanto vai comprar, conforme a necessidade e o orçamento. Até esta segunda-feira (21), a ata com os itens, as quantidades e os preços unitários não havia sido publicada no Diário — não há como saber, ainda, quantos parquinhos o dinheiro compra nem para quais unidades eles vão.

No contrato anterior do mesmo tipo, o Pregão 278/2023, cuja classificação foi publicada em abril de 2024, a Prefeitura registrou o "parque infantil 5" — estrutura de madeira itaúba de 6,10 por 4,50 metros, com balanço, escorregador, teia de corda e casinha — a R$ 10.399 a unidade, e o "parque infantil nº 10", de eucalipto tratado, a R$ 9.899.

Há demanda represada. Desde 2024, 38 proposições de vereadores tratam especificamente de parquinhos de CMEIs, creches e escolas municipais. O playground do CMEI São Leonardo, o parquinho do CMEI Conjunto Antenas II e o do CMEI Moradias Augusta — os três no CIC — foram cobrados em 2024. O parque infantil da Escola Municipal Maria do Carmo Martins, também no CIC, em setembro de 2025. Neste ano, duas vereadoras, Camilla Gonda e Amália Tortato, cobraram em maio e em junho a substituição do parquinho interditado da Escola Municipal Eny Caldeira, no Bacacheri.

O que a cidade contratou desde 2024

Os lotes de agora chegam depois de três anos muito desiguais. Nas obras de implantação e reforma de praças, parquinhos, áreas de lazer e canchas — contratadas por empreitada, uma a uma —, o Diário Oficial registra:

AnoObras homologadasValor
202414R$ 23,06 milhões
20251R$ 5,28 milhões
2026 (até 18 de setembro)4R$ 5,17 milhões

2024 foi ano de eleição municipal e concentrou os grandes contratos: a reforma da Praça da Ucrânia, no Bigorrilho (R$ 5,11 milhões), a área de lazer da Rua Professora Rosa Saporski, nas Mercês (R$ 5,12 milhões), a reforma da Praça Oswaldo Cruz, no Centro (R$ 3,50 milhões) e o parque da Rua Reinaldo Hecke, no Abranches (R$ 2,33 milhões). Parquinhos isolados custaram entre R$ 326 mil e R$ 367 mil — foi o caso dos equipamentos instalados no Parque Atuba, na Praça Padre José Zajac e no Bosque Irmã Clementina.

Em 2025, a única obra do tipo homologada foi a área de lazer do Parque dos Manacás, no Santuário das Borboletas, por R$ 5,28 milhões. Em 2026, a maior é a implantação de parquinho e reforma da Praça da Colonização Menonita, no Boqueirão, arrematada pela Cazamusa Construção Civil por R$ 2.404.716,11 — a estimativa da Prefeitura era de R$ 2.936.919,13. As outras três são a área de lazer da Rua Saburo Sugisawa, no Umbará (R$ 1.379.000), a quadra de tênis da Praça Tobias Bueno Arruda, no Seminário (R$ 745.853,59) e a cancha de grama sintética da Praça Pastor João Emílio Henck, no Fanny (R$ 642.744,98).

Em paralelo, a Prefeitura passou a usar a outra via, a dos serviços contínuos de engenharia por maior desconto — a via pela qual a Sipolly entra. Foram R$ 5,04 milhões em 2025, para uma área de lazer no Pinheirinho, e R$ 2,08 milhões em 2026, para os parques e bosques de quatro regionais.

Dois cuidados na leitura da série: a base do Diário Oficial começa em 3 de janeiro de 2024, o que impede a comparação com 2023, e os valores são de homologação da licitação — não de empenho nem de pagamento.


Fontes: Diário Oficial do Município de Curitiba (edições de 3 de janeiro de 2024 a 18 de setembro de 2026, base de dados da Plural), com destaque para os Pregões Eletrônicos 87/2026, 91/2026, 075/2025 e 508/2023 da SMMA e 74/2026 e 278/2023 da SME; base de proposições da Câmara Municipal de Curitiba (1º de janeiro de 2024 a 13 de julho de 2026). Levantamento feito em 21 de setembro de 2026.

Rosiane Correia de Freitas

Rosiane Correia de Freitas

Jornalista, mestre em educação e fundadora do Plural

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