Vigilantes da empresa Essencial Sistema de Segurança Ltda que prestam serviços para o governo do Paraná podem paralisar as atividades caso não recebam os salários de junho até a próxima sexta-feira (24). Segundo a Federação dos Trabalhadores em Empresas de Segurança Privada do Paraná (Fetravispp), cerca de 500 profissionais que atuam em prédios e órgãos públicos estão com os salário de junho atrasados.
Em reunião na sexta-feira (17), de acordo com a Fetravispp, representantes do governo se comprometeram a pagar os salários atrasados até o fim desta semana e os demais pagamentos até o fim do contrato com a Essencial, que termina em 90 dias. O salário de maio, segundo a Federação, foi pago somente no dia 19 de junho – o que teria gerado até o risco de prisão para profissionais que não conseguiram pagar a pensão alimentícia.
Em nota, a Secretaria de Estado da Administração e Previdência (Seap) afirmou que o Governo não tem parcelas em atraso com a Essencial Vigilância e confirmou que os pagamentos serão feitos diretamente aos trabalhadores. Na semana passada, a Seap solicitou à empresa o envio das folhas de pagamento de todos os funcionários até esta segunda, paga que os depósitos sejam feitos até sexta.
Crise em terceirizados
A crise em contratos terceirizados foi tema entre deputados estaduais na sessão desta segunda-feira (20) da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). O deputado Tito Barichello (PL) disse que sete vigilantes foram demitidos pela Essencial por cobrarem o pagamento de salários. "A empresa teria atrasado os salários e sete vigilantes foram demitidos. Isso é inaceitável. Como pode uma empresa privada, que presta serviços para o governo, demitir sete vigilantes porque foram lutar pelos direitos dos demais que não receberam salários?", questionou.
O deputado Professor Lemos (PT) denunciou outro caso, que envolve uma empresa terceirizada que presta serviços para a área da educação na região norte do Estado. De acordo com Lemos, a empresa Deuseg Serviços não vem pagando salários e responde a 463 ações na Justiça do Trabalho.
"Esta empresa está quase como fantasma. Ninguém está encontrando os responsáveis para intimar", disse Lemos. "Tem advogados que não querem mais pegar ação dos funcionários, porque dizem que a empresa é fantasma. Tem uma funcionária que foi demitida sem justa causa e não recebeu nada por mais três de anos de trabalho".
Líder da bancada governista na Alep, o deputado Hussein Bakri (PSD) disse que o Governo não tem pagamentos em atraso. "O Paraná não tem nenhum pagamento atrasado com nenhuma terceirizada. O que pode estar ocorrendo é as empresas não estarem pagando os funcionários. Aí vai ser passível de rompimento de contrato. Algumas já estão sofrendo as sanções. A gente não escolhe, é uma vencedora de um certame", disse Bakri. "O Paraná vai tomar todas as medidas necessárias".
Outras empresas
Embora os contratos tenham características próprias, os problemas identificados são semelhantes: além do atrasos nos salários, há relatos de férias concedidas sem a antecipação da remuneração, ausência de pagamento de verbas rescisórias, demora para conceder o vale-alimentação, descontos indevidos de empréstimos consignados e questionamentos sobre depósitos de FGTS.
No início do mês, funcionários da empresa Produserv Serviços Ltda fizeram uma paralisação para pedir o pagamento dos vales-alimentação. A Produserv é a empresa que mais tem contratos com o governo; são ao menos 130, com aproximadamente 3.654 postos de trabalho.
Os maiores contratos são com o Departamento de Polícia Penal do Estado do Paraná (Deppen), nos valores aproximados de R$ 8,7 milhões e R$ 6,3 milhões; Casa Civil, no valor de R$ 6,9 milhões; Departamento de Trânsito do Paraná (Detran), no valor de R$ 1,6 milhão; e Universidade Estadual de Maringá (UEM) com dois contratos (R$ 1,2 milhão e R$ 879 mil).

Em abril, funcionários da empresa Brasil Serviços Ltda (BSL) que prestam serviços para o Instituto Água e Terra (IAT) reclamaram que o salário de março só foi pago em 15 de abril. Segundo eles, os atrasos ocorrem desde novembro de 2025. Entre os profissionais ligados à BSL estão recepcionistas, operadores de máquina, serventes de limpeza, vigias florestais, jardineiros e auxiliares de serviços gerais, que atuam não só nas Unidades de Conservação e Parques Estaduais, mas também em outras unidades do IAT.
