Oxímetro de dedo vira chamariz de golpe na internet | Jornal Plural
6 maio 2020 - 21h35

Oxímetro de dedo vira chamariz de golpe na internet

Produto aumentou vertiginosamente de preço. E as barganhas eram golpe

Oxímetro sem marca custava R$ 60 antes da pandemia.

Um aparelho simples, que mede o nível de oxigenação do sangue, é o mais novo mote de golpe na internet. O aparelho começou a chamar a atenção das pessoas quando, em 20 de março, o médico americano Richard Levitan publicou um artigo no New York Times para compartilhar sua experiência com pacientes com Covid-19.

O texto foi republicado em português pela Folha de São Paulo no dia 22 e o próprio aparelho se tornou o assunto principal em matéria do dia 23. Como é usual, diversos outros veículos brasileiros passaram a falar no aparelho (citando a fonte ou não, como também, infelizmente, é normal).

Dados do Google Trends mostram que da publicação da Folha em diante, o interesse pelo termo “oxímetro” começou uma escalada sem precedentes na internet. Foi a senha para ele virar mais um golpe.

Buscas por “oxímetro” começaram a crescer por volta do dia 22 de março. Fonte: Google Trends

No Mercado Livre, um dos maiores sites de comércio eletrônico do país, o aparelho, que custava em torno de 90 reais na versão mais simples, viu o preço pular para mais de R$ 300. Mas, de repente, ofertas a R$ 120,00, R$ 139,99 começaram a aparecer. E com frete grátis.

Parecia uma boa notícia, mas não era. Alertas dos próprios usuários do site apontam que as páginas, na realidade, era uma tentativa de golpe. Funciona assim: o comprador clica em comprar, confirma os dados, escolha a forma de pagamento e confirma a operação.

Até aí a compra está protegida pelo próprio Mercado Livre, que recebe o valor, mas só repassa ao vendedor quando a mercadoria é entregue. Só que em seguida o comprador recebe um email cancelando a compra e um outro, parecido, enviando um novo link de pagamento. Esse segundo link, na realidade, é para pagamento fora do Mercado Livre.

Se o comprador faz esse segundo pagamento, fica sem a proteção dos negócios feitos dentro da plataforma do Mercado Livre. E sem o produto, que não é enviado. Os próprios clientes lesados postam alertas nas páginas dos vendedores suspeitos.

Clientes lesados postam alertas para outros compradores no campo de perguntas do site.

Atualização às 17:14 de 7 de maio de 2020: Procurado pelo Plural, o Mercado Livre informou que todas as páginas de produtos têm um botão denunciar que fica no canto inferior direito. Clientes também podem encaminhar emails fraudulentos através do formulário disponível em : https://www.mercadolivre.com.br/ajuda/hub?content_id=1362. “Caso o cliente suspeite que o contato recebido por ele, por telefone ou qualquer outro canal, não é do Mercado Livre, ele deve acionar a plataforma pelos links https://www.mercadolivre.com.br/ajuda/Acho-que-a-minha-conta-esta-em-perigo_1303 ou https://www.mercadolivre.com.br/ajuda/contactForm?form_id=151&faq_id=1303&source_id=1148“.   

A empresa informa ainda que “nunca entra em contato com o cliente para solicitar códigos de acesso ou o token para recuperação de senha, que deverá ser digitado diretamente no site, bem como para confirmar a publicação de anúncios”.

A empresa, no entanto, não respondeu se identificou a situação com os oxímetros. O Plural apurou que as páginas dos vendedores estão sendo desativadas. Quem tenta comprar o produto recebe um alerta de que ele não está mais disponível, antes mesmo de fornecer qualquer dado.

Indícios de golpe

Com o aumento do uso do comércio eletrônico, alguns indícios são úteis para detectar golpes. No caso dos oxímetros, um detalhe chamava a atenção. As fotos dos produtos anunciados eram iguais em vendedores diferentes. Os vendedores anunciavam outros produtos ligados a pandemia, como máscaras.

Diferentes vendedores, as mesmas fotos

Outro sinal ruim é a ausência de avaliações, o que indica que o vendedor é novo ou fez poucas operações pelo site.

Não se trata de golpe, mas a própria subida de preços já é um mau sinal. Produtos com maior margem de lucro costumam atrair tanto interessados em abusar da demanda criada pelo produto quanto quem quer dar golpe naqueles que tentam pagar menos pelo item.

No site Vigia de Preço é possível ver o efeito da popularidade do oxímetro no seu valor de venda. A opção da G Tech começou o ano custando R$ 133, mas já pode ser encontrado por módicos R$ 649,99.

Oxímetro da G Tech: custava R$ 133,00 no início do ano.

No Mercado Livre o oxímetro desbancou as máscaras faciais no volume de buscas e chegou ao sexto lugar entre os termos mais buscados na plataforma. O interesse se refletiu no preço. Se antes o produto podia ser encontrado por R$ 80, R$ 90, agora a média de preço, mesmo com as “promoções” é de R$ 356,00.

Na Amazon Brasil, um modelo popular, sem marca, custava R$ 60 no fim de 2019. O mesmo modelo agora R$ 219,00 na Amazon. E incríveis R$ 399,99 no Mercado Livre.

Modelo sem marca: de R$ 60 a R$ 219

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