Com novo modelo, pais reclamam de creches distantes e falta de vagas | Plural
21 nov 2019 - 23h37

Com novo modelo, pais reclamam de creches distantes e falta de vagas

Problemas foram relatados no primeiro dia de matrículas em CMEIs de Curitiba

Esta sexta-feira (22) é o segundo dia para que os pais de alunos dos Centros de Educação Infantil de Curitiba (CEIs) transfiram seus filhos para os Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs). As novas regras para a Rede Municipal de Ensino devem atingir, no mínimo, 1,5 mil crianças entre 4 e 5 anos. Porém, o primeiro dia de rematrículas já causou preocupação em muitos pais, que não conseguiram efetivar a vaga. O número de vagas em cada um dos CMEIs ainda não foi divulgado pela Prefeitura.

Algumas escolas nem receberam a lista de alunos que devem atender em 2020. Outras até receberam, mas não sabem onde vão colocar tanta criança. As que oferecem vaga ficam a quilômetros de distância da residência dos alunos. Estes foram alguns dos problemas relatados pelas fontes entrevistadas pelo Plural.

“Foi determinado que crianças nascidas entre 2014 e 2016 fossem das escolas credenciadas (particulares ou comunitárias) para escolas municipais, mas isso foi feito sem o levantamento de que vagas estas escolas teriam”, diz o presidente das Associações de Creches de Curitiba, Marcelo Cruz. “Então, está sendo difícil distribuir as vagas onde os pais escolheram, perto de casa.”

Foi o que aconteceu com Itayane Costa, mãe de um garoto de 4 anos, que hoje estuda em um CEI no Boa Vista. “Cadastrei ele em duas unidades perto da minha casa, só que não há vaga para meu filho. Fui até o Núcleo de Educação e disseram que vai sair até dia 27, mas pode ser em qualquer unidade, em qualquer bairro de Curitiba. Disseram que não haverá escola para todas as crianças de 4 anos, e pode ser que algumas vão direto para o pré”, relata a mãe.

Segundo Cruz, será muito difícil garantir para todos a matrícula próximo de casa. “Muitas crianças serão encaminhadas para locais longe e de difícil acesso. O mais adequado seria manter onde estão, no Centros Comunitários. Essa troca, na prática, está difícil de ajustar.”

A fotógrafa Fernanda Maciel também espera por uma vaga para seu filho de 4 anos, que hoje está num CEI, no Tingui. Ela conta que fez o cadastramento e hoje, assim que saiu a lista com a indicação das instituições, a escola sugerida não aparecei na listagem. “Nem o nome dele saiu na relação das escolas. Falei com a pedagoga e disseram que houve problemas com o cadastro. Nem sabemos como vai ficar o caso dele ainda mas 99% dos casos que ouvimos são de pais que só conseguiram vaga longe de casa”, lembra Fernanda, integrante de um grupo de pais no whatsapp.

Outra mãe, que preferiu não se identificar, revela que está satisfeita por conseguir ser encaminhada para uma das três escolas selecionadas por ela. Porém, ao se dirigir ao CMEI, no Bairro Alto, foi informada de que não tinha vaga, pois o número já estava completo. “Retornei à tarde e a diretora disse que o Núcleo determinou a matrícula mesmo não tendo vaga. Com isso, serão uns 35 alunos em sala, para apenas dois professores”, preocupa-se.

 A Secretaria Municipal de Educação foi procurada pela reportagem mas não respondeu aos questionamentos até o fechamento desta edição.

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