Aulas da rede pública retornam com modelo híbrido em fevereiro | Jornal Plural
15 dez 2020 - 16h41

Aulas da rede pública retornam com modelo híbrido em fevereiro

Metade dos alunos terão aulas presenciais e metade por meio de transmissão ao vivo em 2021

O governo do Paraná divulgou nesta terça-feira (15) o calendário escolar de 2021 e as aulas da rede pública retornam em todo o estado no dia 18 de fevereiro. Com os números do coronavírus aumentando no Paraná e sem uma data definida para o início da vacinação, a Secretaria de Estado da Educação e do Esporte (Seed-PR) planeja iniciar o ano letivo com um modelo híbrido de ensino.

Segundo o secretário de Educação, Renato Feder, as aulas poderão ser acompanhadas de duas formas pelos alunos, de forma digital ou presencial. “Preferencialmente, os alunos que não têm tecnologia em casa, irão às escolas. Uma escola que não tiver alunos com dificuldades de acesso, o limite de alunos será dado pelo limite de um metro e meio de distância normal”, disse o secretário durante coletiva de imprensa.

Pelas contas da pasta, todas as 21 mil salas do estado vão começar o ano letivo de 2021 dessa forma. Em cada sala, o limite de alunos presenciais deve ficar entre oito e dez crianças e adolescentes. O anúncio contou com a presença do governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD) e do ministro da Educação, Milton Ribeiro, que estava no estado para a entrega de 150 ônibus escolares financiados pelo Governo Federal.

A coletiva também incluiu informações sobre como serão as aulas para quem irá iniciar o ano letivo no formato digital. Esses estudantes terão acesso a mesma aula que os alunos do modelo presencial, já que o governo pretende realizar a transmissão ao vivo para as salas digitais.

“O essencial do modelo híbrido é essa, uma aula ao vivo, onde o professor dá aula para 25 alunos, digamos, em que uma parte está em sala e outra em casa, mas interagindo com o professor a todo o momento”, disse Feder.

Infraestrutura das escolas e dos alunos

Para que todas as escolas contem com notebooks, Internet e todos os equipamentos necessários para esse formato de aula, o governo vai investir um total de R$ 70 milhões. O governador Ratinho Jr. admitiu que essa infraestrutura ainda não está completa, mas sim no processo de compra.

“O investimento é alto, mas necessário já que até abril a imunização do país ainda não estará completa. A compra dos equipamentos ainda está em fase de preparação da licitação”, disse.

A ferramenta das aulas on-line será a mesma do ano letivo de 2020, o Google Meet. Durante este ano, em média os alunos paranaenses tiveram 3 horas diárias de aula. Além disso, em 2021 também será utilizada televisões e equipamentos de transmissão simultânea.

Nem todas as escolas estaduais ou os alunos contam com conexão com a internet. Foto: Geraldo Bubniak/ANPr.

Já sobre os alunos que não têm acesso à tecnologia, a Seed-PR afirma que já fez um levantamento e que 5% dos alunos corresponderia a esse perfil. No entanto, admitiu também que esses números são maiores no interior do estado. “Preferencialmente, esse estudante vai para a escola. Se ele não puder, ele irá continuar os estudos no material impresso, como fizemos durante 2020”, disse o secretário de educação.

Além disso, para que o distanciamento social seja respeitado, os outros estudantes, irão se revezar, com uma semana de aulas online e outra de aulas presenciais. Outro ponto importante é que a presença dos alunos não será obrigatória. A decisão se o aluno vai ou não aderir ao sistema de revezamento cabe aos pais e responsáveis.

Luta contra a Covid-19 nas escolas

Para garantir a segurança de estudantes e professores, a Seed-PR e a Secretaria Estadual de Saúde preparam em conjunto um protocolo de segurança. Para que todas as unidades possam ter as mesmas condições de combate ao coronavírus, elas receberão um kit de segurança.

Nele, estarão os seguintes itens: álcool gel, álcool líquido, termômetro, dispender, macacões, toucas, luvas látex, botas e luvas emborrachadas. “É obrigatório a aferição de temperatura e o uso de máscara o tempo todo dentro da escola”, disse Feder.

Diferentemente de 2020, em casos de Covid-19 nas escolas, o fechamento não será imediato. Segundo o plano de ensino híbrido, casos seguirão as medidas da Secretaria de Saúde, com um acompanhamento constante dos números de contaminação na sociedade.

O governador frisou que o plano de retorno das escolas já está definido e a data de retorno das aulas não serão alteradas. “Esse planejamento vem de encontro aos anseios e necessidades de todos, inclusive dos alunos, que desejam voltar ao convívio escolar”, disse Ratinho Jr.

Ele informou também que as inscrições para os agentes policiais que irão ficar responsáveis pelas escolas cívico militares do estado já está aberto. São 800 vagas e o salário será de R$ 3,5 mil de sargentos a generais e de R$ 3 mil para patentes de soldado a major. As escolas cívico militares seguirão o modelo híbrido, com aulas presenciais e digitais.

Retomada sem diálogo

Após o anúncio da volta as aulas pelo governo estadual, a APP-Sindicato, que reúne professores e servidores do setor educacional do estado, afirmou estar preocupada com os rumos do debate sobre a retomada das atividades. Apesar do governo dizer que essa é uma resposta a anseios de todos, o sindicato afirmou, por meio de nota, que não houve consultas com a comunidade escolar.

“A APP registra que até o presente momento a SEED não retomou qualquer debate com a entidade sindical, com estudantes ou familiares sobre essa retomada em 2021”.

Além disso, a APP também mostrou preocupação com a saúde pública e se as medidas anunciadas por Ratinho Jr. e por Renato Feder são suficientes em meio a segunda onda. “Aprofundaremos os debates com autoridades da área da saúde, com as preocupações de que qualquer retomada que ofereça risco à vida da categoria, dos estudantes e seus familiares será rechaçada”, afirmou a entidade.

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