22 jun 2022 - 16h45

Com segunda votação, Renato Freitas é cassado. Ana Júlia assume o mandato

Votação terminou em 25 a 5. Suplente Ana Júlia deve assumir o mandato. Defesa promete ir à Justiça

A Câmara de Curitiba aprovou pela segunda e última vez o projeto de resolução que cassa o mandato do vereador Renato Freitas. A votação terminou em 25 votos contra 5. Com isso, o vereador já perdeu o mandato, e agora só pode contestar a decisão na Justiça. O vereador também perde os direitos políticos por oito anos. A defesa de Renato afirma que recorrerá da decisão, que considera ilegal, já nos próximos dias.

Com a cassação de Renato, quem assume a vaga é a suplente Ana Júlia (PT). A vereadora ficou conhecida em 2016 quando, ainda adolescente, participou das ocupações das escolas secundárias em Curitiba. Na época, ela fez um discurso emocionado na Assembleia Legislativa que acabou impulsionando sua carreira política.

Assim como no primeiro dia, Renato Freitas e sua defesa técnica se ausentaram da sessão, por considerar que a convocação foi feita de maneira irregular, sem respeitar o prazo legal. A Câmara conseguiu reverter na segunda-feira (20) a liminar que impedia a votação. Imediatamente, o presidente Tico Kuzma (Pros) marcou as sessões para votar a cassação nos dois dias seguintes.

Professora Josete, no telão, discursa contra cassação. Foto: Aline Reis/Plural

Renato Freitas foi eleito para seu primeiro mandato de vereador em 2019, com pouco mais de 5 mil votos. Neste ano, antes do processo de cassação, havia anunciado sua candidatura a deputado estadual. Caso a cassação seja confirmada, ele perderá seus direitos políticos até 2030.

O vereador foi cassado por ter entrado na Igreja do Rosário no dia 5 de fevereiro durante uma manifestação antirracista no Largo da Ordem. Segundo seus pares, o vereador quebrou o decoro parlamentar ao promover ato político no templo.

Racismo

Essa foi a primeira cassação da Câmara em uma década, apesar de vários incidentes mais graves, como acusações de corrupção, de rachadinha, de assédio sexual, dentre outras. Embora a punição no caso de Renato Freitas tenha sido muito mais forte, os vereadores que o condenaram garantem que não agirem em função de racismo. Na sessão desta quarta, m ais uma vez os poucos defensores de Renato afirmaram que o racismo estrutural foi importante na decisão.

A vereadora Carol Dartora, por sua vez, mencionou que este é um momento triste. “Toda vez que a gente fala de racismo é como se a gente estivesse acusando este ou aquele. Estamos tratando de racismo estrutural e institucional e isso é nítido aqui. Quantos vereadores negros temos aqui? Querem sustentar um argumento que não se sustenta”, salientou.

Placar com a votação de cada vereador. Foto: Aline Reis/Plural

Apesar de dizer que admira Renato Freitas, o vereador Alexandre Leprevost (Solidariedade), disse que no entendimento dele “não faz tumulto em Igreja”. “Não se trata de racismo, não concordo com a forma distorcida que algumas pessoas têm usado contra essa Casa e quero dizer que acusar de forma leviana colegas de trabalho de um crime é outro crime. Eu li a história e me aprofundei, ele tem uma história difícil e de convívio com o preconceito, mas não é esse o caso aqui. O racismo é algo que o nosso país precisa combater diariamente, mas eu respeito a lei”, disse. O parlamentar disse ainda que a punição é severa demais, mas que o Comitê de Ética deveria ter discutido um a pena mais branda.

Vídeo exclusivo

Em declaração exclusiva ao Plural, Renato Freitas afirmou que não esperava nada diferente de sua cassação. O petista coloca a culpa pela perda do mandato no prefeito Rafael Greca (PSD) e em sua base. Veja o vídeo.

A diferença de votos nesta quarta, com dois vereadores a menos na defesa de Renato, se deveu às ausências de Maria Letícia (PV), que estava em missão oficial, e de Dalton Borba (PDT), por questões de saúde.

Manifestantes protestam contra a cassação | Foto: Tami Taketani/Plural.

Pela cassação
Alexandre Leprevost (Solidariedade)
Amália Tortato (Novo)
Beto Moraes (PSD)
Denian Couto (Podemos)
Flávia Francischini (União)
Hernani (PSB)
Indiara Barbosa (Novo)
João da Cinco Irmãos (União)
Jornalista Márcio Barros (PSD)
Leônidas Dias (Solidariedade)
Marcelo Fachinello (PSC)
Mauro Bobato (Podemos)
Mauro Inácio (União)
Noêmia Rocha (MDB)
Nori Seto (PP)
Oscalino do Povo (PP)
Pastor Marciano Alves (Solidariedade)
Sabino Picolo (União)
Sargento Tânia Guerreiro (União)
Serginho do Posto (União)
Sidnei Toaldo (Patriota)

Tico Kuzma (Pros)
Tito Zeglin (PDT)
Toninho da Farmácia (União)
Zezinho do Sabará (União)

Contra a cassação
Carol Dartora (PT)
Herivelto Pereira (Cidadania)
Marcos Vieira (PDT)
Mestre Pop (PSD)
Professora Josete (PT)

Impedidos de votar (por serem denunciantes)
Ezequias Barros (PMB)
Osias Moraes (Republicanos)
Pier Petruzziello (PP)

Impedido de votar (por ser o denunciado)
Renato Freitas (PT)

Abstenção
Professor Euler (MDB)
Salles da Fazendinha (DC)

Ausentes
Dalton Borba (PDT) – por questões de saúde
Maria Letícia (PV) – por estar em missão oficial

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2 comentários sobre “Com segunda votação, Renato Freitas é cassado. Ana Júlia assume o mandato

  1. Imagina senão foi por racismo e sectarismo político. Chega ser vergonhoso. Casos piores tiveram penas mais brandas, a própria igreja católica não acha que era motivo cassação. A Justiça vai reverter com certeza e ele pode ser um bom candidato a estadual. Fazer uma boa votação.

  2. Não sou de generalizar, então não vou dizer que Curitiba é uma cidade racista, mas a poir versão dos politicos curitibanos são racistas sim. E esse Pier lider do greca que aguarde, deve tentar de novo a camara dos deputados e claro, vai perder por ser racista e pedante.

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