15 mar 2022 - 11h30

Yada Yada Yada mostra que Curitiba também gosta de conviver ao ar livre

Bar com nome inspirado num episódio de “Seinfeld” vira ponto de encontro na divisa das Mercês com o Batel

Que fazer numa cidade sem praia e carente de opções a céu aberto?  Ao lado da praça 29 de Março, na esquina da Desembargador Motta com a Fernando Moreira, o bar Yada Yada Yada mostra que curitibanas e curitibanos pode se sentar em cadeiras de praia espalhadas pela calçada e bater um papo com os amigos.  

Quem passa pelo lugar, talvez se surpreenda com o movimento. O Yada é uma referência entre jovens de 25 a 35 anos. Às sextas e sábados, mais de 300 pessoas se encontram em frente e ao redor do bar.

Para a proprietária Alyssa Aquino, o sucesso se explica pelo fato de o bar ter conquistado o público aos poucos. “O Yada foi virando o que é naturalmente, se moldando na gente, nos clientes e amigos”, diz Alyssa. “E isso é especial.” Em uma região tranquila e sem muitos bares, ao lado de uma praça bastante frequentada para lazer, o bar é único. Não é apenas um bar de calçada, onde o público bebe, come e conversa de pé. O Yada tem um clima próprio. Um clima que, antes, talvez, não existisse em Curitiba.

Yada Yada Yada

O Yada nasceu de uma confluência de ideias em 2018. Desde a adolescência, Alyssa fazia taxa em bares e trabalhava no comércio da família, o Raridade Discos. Assim aprendeu o que precisava para abrir o próprio negócio.

Um dia, passando pela frente do imóvel que abrigaria o Yada, sentiu que ele era único. “A calçada, a portinha discreta que é recheada de coisas… era essa a ideia”, diz. O nome veio de um episódio da série “Seinfeld”. “Desde a primeira vez que eu vi [a série], decidi que seria esse o nome do meu bar”, diz Alyssa. Yada yada yada, em inglês, é uma expressão que funciona como o blá-blá-blá do brasileiro.

Importada

A ideia das cadeiras de praia veio da irmã Daphne Aquino, após uma viagem para o Uruguai e a Argentina. “A gente sempre gostou desse costume de pôr cadeiras na calçada em frente de casa, como meus tios faziam em Araraquara”, diz Alyssa. “Quando ela [Daphne] deu a ideia, fez todo sentido. É só isso que eu penso quando quero sossego: me sentar numa cadeira confortável e tomar uma bebida gostosa.”

Clientela

Até no inverno, a comunidade do Yada ocupa a calçada em busca desse sossego. Alyssa explica que, quando começa o frio, o movimento cai bastante. Mas, assim que os curitibanos se acostumam com as temperaturas mais baixas, tudo volta ao normal.

O cardápio muda para acompanhar a estação. E o bar passa a vender quentão de jambu, quentão de cachaça e o famoso “crentão”, o quentão sem álcool. “No último inverno que abrimos, antes da pandemia, a gente via os clientes na calçada num frio de 2ºC e não acreditava”, diz Alyssa.

Apesar de estar numa esquina entre ruas movimentadas, o clima é de tranquilidade. Parece que basta se acomodar numa cadeira de praia para ser transportada a um entardecer no litoral. Às vezes, o barulho dos carros e dos biarticulados estremece a vizinhança, mas nada que atrapalhe a conversa. 

“É um bar legal porque tem um clima agradável, tem essa pira das cadeirinhas de praia que tem uma vibe meio praiana em Curitiba, coisa que a gente não tem”, diz o tatuador Gabriel Vesúvio, de 26 anos. “E a cerveja é acessível. A galera que vem aqui é gente boa, tem uma conexão de ideias que faz sentido. É um ambiente agradável e fácil de acessar.” 

No fim de semana, o lugar chega a atrair centenas de pessoas. (Foto: Rafaela Moura/Plural)

Segurança

Bem iluminado, aberto e com um público tranquilo, o local dá a sensação de segurança. Pode-se dizer que o bar é uma extensão da praça 29 de Março, ou vice-versa. É um bom ponto para parar depois dos exercícios, do rolê de skate ou do passeio com o cachorro, como fez Luiza Mendonça, de 36 anos.

“Eu conheci o Yada quando vim passear com o cachorro na praça”, diz Luiza. “Acho muito legal as pessoas ocuparem o espaço público, é bem importante para a segurança e para o relacionamento da comunidade.” Luiza diz ainda que uma vantagem do Yada é não ser uma “balada na rua”. É mais um local de convivência.

Comes e bebes

O cardápio varia de acordo com os dias, mas Alyssa sempre vende lanches para comer com a mão – como espetinho de queijo coalho, quibe vegano com ragu de cogumelos e pão com bolinho (receita da mãe de Alyssa e Daphne). 

As opções de drinques alcoólicos são muitas e baratas, com valores entre R$8 e R$20. Doses, a partir de R$3. Quem não bebe álcool tem opção de limonada rosa e chá batido com limão, além de suco integral e refrigerante. 

Quase sempre abre, mas às vezes não

Como depende da calçada, o Yada não abre quando chove na hora do expediente. É bom ficar atento às redes sociais do bar. Se não houver chuva, o bar está de portas abertas de quarta à domingo.  Às vezes, segunda e terça-feira também.

Bar

Yada Yada Yada (Rua Desembargador Motta, 3.060). Quartas e quintas-feiras, das 18h às 23h; sextas, das 18h às 0h; sábados, das 17h às 0h; e domingo, das 16h às 22h.

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Assuntos:

Um comentário sobre “Yada Yada Yada mostra que Curitiba também gosta de conviver ao ar livre

  1. Péssima a frase “referencia entre jovens de 25 a 35 anos”. Tenho 44 e meus amigos entre 40 e 50. Amamos bares ao ar livre. Frequentamos ao menos duas vezes na semana. Mas neste, foi limitado por faixa etaria. Da medi de ir e ser jovem demais

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