Seinfeld faz um stand-up genial para a Netflix | Jornal Plural
5 maio 2020 - 19h10

Seinfeld faz um stand-up genial para a Netflix

O especial “23 horas para matar” é a melhor coisa que o comediante criou nos últimos 20 anos

“Jerry Seinfeld: 23 hours to kill”, que estreou na Netflix nesta terça-feira (5), é um espetáculo de stand-up comedy com potencial para conquistar até alguém que não gosta desse tipo de humor. E quem gosta deve se preparar para ficar impressionado.

Seinfeld é um clássico, mas é também diferente da maioria. Ele é famoso por não usar palavrões, por exemplo. Só isso já pode ser considerado uma proeza. Sem os palavrões, a maioria dos stand-up comedians ficaria ser ter o que dizer.

Ele também se tornou conhecido por falar sobre nada em particular. A série que fez com Larry David nos anos 1990, “Seinfeld”, foi descrita como um programa sobre “nada” , o que é uma maneira bem leviana de dizer que ele e David prestavam atenção nos detalhes (e os detalhes são tudo).

Esse “23 horas para matar” tem um título sem pé nem cabeça que o comediante quis só porque dava a ideia de um agente secreto em uma missão de alto risco. Na abertura, Seinfeld faz uma proeza totalmente desnecessária, mas divertida, saltando de um helicóptero a dez metros de altura dentro no rio Hudson, como se estivesse a caminho do Beacon Theatre, em Nova York, usando um terno debaixo da roupa de mergulho. O detalhe é que Seinfeld tem 65 anos (mas passaria fácil por alguém de 50).

Sozinho no palco, ele continua interessado nos detalhes e este especial da Netflix é, sem dúvida, a melhor coisa que ele fez desde o fim de “Seinfeld”, em 1998. Em uma entrevista ao jornal “The New York Times”, ele disse estar vivendo uma fase “pós-show business”, em que não se interessa mais pela indústria do entretenimento. O que ele quer é fazer o que é a fim de fazer. No caso, piadas.

Ver em ação o Seinfeld de 65 anos que faz piadas porque quer é, enfim, um prazer e um privilégio. Ele consegue me fazer rir ao mesmo tempo que me faz pensar naquilo que está dizendo.

Celulares, por exemplo. Seinfeld passa minutos falando sobre a relação que a maioria das pessoas tem com o telefone celular (o iPhone resume bem a situação atual porque descreve as duas metade de um todo: I [eu] e phone [telefone]). Ou sobre como as pessoas preferem mensagens de texto em vez de telefonemas, ou o absurdo que é, em pleno século XXI, uma caixa postal de voz pedir para você falar após o bipe. Descrever uma piada na forma texto é matar a piada, então vou parar por aqui.

O maior problema que esse especial do Seinfeld pode criar para você é estragar quase todos os outros stand-ups que existem por aí. Nessa modalidade específica, ele faz parte de um grupo muito pequeno de comediantes geniais (vivos). Um grupo de três, na verdade. Os outros dois são Louis C. K. e Chris Rock.

Seinfeld é o tipo de comediante que consegue fazer rir e pensar ao mesmo tempo.

Serviço

“Jerry Seinfeld: 23 Hours to Kill” está em cartaz na Netflix, tem uma hora de duração e classificação indicativa de 12 anos.

Um jornalismo honesto, local e objetivo faz diferença. Ajude o Plural a cuidar de Curitiba. Com R$ 15, você investe em informação de qualidade. Se puder, assine. Obrigado pela leitura.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Assuntos:

Últimas Notícias