50 anos de bonecos, fábulas e política | Jornal Plural
6 abr 2019 - 10h31

50 anos de bonecos, fábulas e política

Livro conta a história do Teatro de Bonecos Dadá, fundado em 1964 em Curitiba

O ano de 1964 para muitos brasileiros é apenas uma data numa apostila, no máximo assunto para debates ideológicos um tanto etéreos. Para Euclides e Adair, o ano foi vivido na pele, intensamente. Os dois, que acabavam de se conhecer, se viram de repente obrigados a fugir do país, para onde só voltariam dez anos depois.

Também foi o ano em que eles começaram a trabalhar juntos num projeto que hoje, cinco décadas depois, é comemorado como um marco do cruzamento entre arte e política no país. O Teatro de Bonecos Dadá ficou ativo por exatos 50 anos, e nesse período montou um imenso repertório de histórias e fábulas destinadas a ser vistas por crianças e adultos.

A carreira e a vida de Euclides Coelho de Souza, Adair Chevonika e Mirian Galarda agora são tema de um livro, lançado por Dinah Ribas Pinheiro neste sábado (6) em Curitiba. Ela sabe do que fala: acompanhou a carreira do grupo por quatro décadas.

Dinah Ribas Pinheiro, autora do livro.

“Eles viveram no Chile um período, mas aí acabaram indo para o Peru. Voltaram para o Brasil só em 1974”, conta Dinah. Foi aí que a jornalista, à época na Fundação Cultural de Curitiba, começou a acompanhar o trabalho do grupo, e se disse fascinada desde o começo. “Era um trabalho impressionante, precursor, eu nunca tinha visto nada igual”, conta.

A amizade foi ficando mais forte, a ponto de em 1982 Dinah ser chamada para viajar com o grupo para a Europa. Desde então, ela foi quase um integrante a mais do Dadá. O grupo manteve as atividades até que Adair, a Dadá, acabou falecendo em 2013. Foi aí que surgiu a necessidade do livro.

O livro

“O Euclides me chamou e disse que queria muito registrar tudo isso, e me deu algumas ideias de como queria. E começamos a trabalhar”, conta ela. O livro é organizado em verbetes e tem um espaço especial destinado a cinco espetáculos considerados especiais no repertório do grupo, escolhidos pelo próprio Euclides.

Entre os espetáculos estão fábulas infantis, como o Chapeuzinho Vermelho, mas montada de uma maneira diferente. Na versão do Dadá, a menina também tem seus pecados, maltrata a natureza. E ao final há um júri para decidir quem tem razão: Chapeuzinho ou o Lobo.

Outra história simples e de muito sucesso é a do Burrinho Vermelho. Nela, o homem está sempre irritado com seu burrico, que não trabalha bem. Até que descobre que, na verdade, éle está subnutrido porque o porco come a ração dos dois.

Histórias simples, que fazem pensar e falam sobre relações políticas, embora de uma maneira compreensível por todos. Histórias que ajudaram a fazer a carreira de um grupo que chega ainda atual em 2019, quando fábulas como essas parecem fazer mais falta ainda.

Euclides e Adair: cinco décadas de parceria.

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