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Partidos, entidades e movimentos sociais lançam campanha pelo cancelamento da venda da Copel

Objetivo é reunir 90 mil assinaturas em 2026 para apresentação de um Projeto de Lei de Iniciativa Popular

Partidos, entidades e movimentos sociais lançam campanha pelo cancelamento da venda da Copel
Campanha pela compra de ações da Copel foi lançada em audiência na Assembleia. Foto: Valdir Amaral/Alep
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Partidos, entidades sindicais e movimentos sociais lançam nesta semana uma campanha pelo cancelamento da venda da Copel, privatizada em 2023 pelo governo de Ratinho Júnior (PSD). O movimento vai coletar assinaturas para apresentar um Projeto de Lei de Iniciativa Popular que autorize o governo do Paraná a recomprar as ações da empresa que foram vendidas e retomar o controle acionário. O objetivo é coletar pelo menos 90 mil assinaturas físicas.

A campanha foi lançada na audiência pública que debateu as constantes quedas de energia no Paraná, convocada pelo líder da oposição na Assembleia, deputado Arilson Chiorato (PT) e realizada na Assembleia Legislativa no último dia 9. Para um projeto de iniciativa popular começar a tramitar no Legislativo, a Constituição do Paraná exige o apoio de 1% do eleitorado estadual, distribuído em ao menos 50 municípios, com participação mínima de 1% dos eleitores de cada um deles.

Em abril deste ano, o ranking divulgado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) mostrou que a Copel fechou o ano de 2024 como uma das três piores concessionárias de energia do Brasil. Em 2023, a Copel era a 25ª colocada na lista com 29 concessionárias. Em 2024, após a privatização, a companhia caiu para a 29ª posição, à frente apenas da CEEE, do Rio Grande do Sul, e da Equatorial, de Goiás.

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Segundo a Aneel, no último quadrimestre de 2023 foram registradas mais de 38 mil interrupções no fornecimento de energia, um crescimento de 23,6% em relação ao mesmo período de 2022. Além da frequência das quedas, o tempo médio de atendimento piorou, subindo de 248 para 355 minutos – quase seis horas de espera.

As constantes quedas de energia levaram entidades representativas do setor produtivo a questionarem a atuação da companhia. Em abril, a Federação da Agricultura do Paraná (Faep) informou que 85% dos produtores rurais do Estado estavam insatisfeitos com os serviços da Copel. Em janeiro, a Faep enviou um ofício à companhia, ao governo do Paraná e aos deputados estaduais.

A Faep informou que houve um aumento expressivo do custo da energia no campo, que subiu 76,4% em cinco anos, enquanto a tarifa residencial teve reajuste de 45,1%. Com o fim dos subsídios, a tarifa rural se equiparou à urbana, mas a qualidade do serviço continua defasada. Em 2021, o produtor rural paranaense ficou, em média, 30 horas sem energia, de acordo com a Federação.

"A Copel foi vendida por um preço vil, parecia uma montanha de dinheiro, mas não é verdade", disse o deputado estadual Professor Lemos (PT) durante a audiência na Assembleia. "Depois de vendida, a Copel está sendo desmontada. Mais de 1.400 eletricistas foram desligados para auferir o maior lucro, sem considerar que não há a manutenção devida na rede. Temos outras companhias que ofertam energia elétrica no Paraná, mas não chegou a esta casa nenhum ofício, com reclamações".

Segundo o presidente do Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge-PR), Leandro Grassmann, o tempo médio para reparos era de 1h30 em 2010 e passou para 4h30 em 2025. Já o valor total de compensações pagas em um ano a consumidores afetados saltou de cerca de R$ 100 mil para R$ 4 milhões. “Alertamos que haveria aumento nos lucros, nos dividendos e nos salários da diretoria, acompanhado de piora na qualidade e aumento das tarifas”, disse.

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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