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Governo do Paraná já perdeu R$ 717 milhões em dividendos e juros desde a venda da Copel

Se ritmo de pagamentos for mantido, em oito anos o prejuízo vai superar os R$ 3,1 bilhões obtidos com a venda da companhia

Governo do Paraná já perdeu R$ 717 milhões em dividendos e juros desde a venda da Copel
Ratinho Jr e apoiadores comemoraram a venda de ações da Copel após o leilão realizado em agosto de 2023. Foto: Jonathan Campos/AEN

O Governo do Paraná já abriu mão de R$ 717 milhões em dividendos e Juros Sobre Capital Próprio (JSCP) desde a privatização da Copel (Companhia Paranaense de Energia Elétrica), em 2023. O valor representa 23% dos R$ 3,1 bilhões obtidos com a venda das ações e 27% dos R$ 2,6 bilhões que entraram no caixa do Governo logo após a privatização, em 11 de agosto de 2023.

Se o ritmo atual de pagamentos for mantido, em oito anos a conta poderá estar zerada: o Governo terá deixado de arrecadar um valor superior aos R$ 3,1 bilhões que entraram no caixa com a venda das ações. Além de ter pedido o controle da companhia, o Estado já terá aplicado os recursos obtidos com a privatização (que estão sendo aplicados em obras de infraestrutura) e deixará de arrecadar pelo menos R$ 400 milhões por ano.

Pelos cálculos do engenheiro Leandro Grassmann, diretor do Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge-PR), o total que deixou de ser arrecadado até agora é de R$ 717.917.035,96, em nove pagamentos de dividendos e Juros Sobre Capital Próprio (JSCP) realizados desde 30 de novembro de 2023.

"Se mantivesse a média (de pagamentos), em nove anos zerava a conta. Deve acontecer antes. A Copel assumiu o compromisso de pagar, no mínimo, 75% do lucro. E o lucro vai aumentar por causa das tarifas mais altas", diz Grassmann.

O pagamento mais recente ocorreu na terça-feira (30 junho), no valor de R$ 1,3 bilhão. O Governo deixou de arrecadar R$ 170,6 milhões. Em janeiro, quando a companhia pagou R$ 1,1 bilhão a título de Juros Sobre Capital Próprio, o valor que deixou de entrar no cofre do Estado foi de R$ 139 milhões.

O próximo pagamento, no valor de R$ 706 milhões a título de JSCP, será em 30 de setembro, com perda prevista de R$ 89,2 milhões. Com isso, o total que deixará de ser arrecadado até o fim deste ano elo Governo será de R$ 807.150.911,09. O cálculo foi feito com base em dados oficiais da Copel.

Quanto o Governo do Paraná deixou de receber em cada pagamento:

30/11/2023 (JSCP) – R$ 54.434.993,27

28/06/2024 (JSCP) – R$ 59.695.965,35

28/06/2024 (Dividendos) – R$ 15.594.461,37

29/11/2024 (JCSP) – R$ 33.715.098,20

29/11/2024 (Dividendos) – 24.078.482,60

23/12/2024 (JSCP) – R$ 71.480.739,88

15/05/2025 (Dividendos) – R$ 149.205.568,02

19/01/2026 (JSCP) – R$ 139.054.245,23

30/06/2026 (Dividendos) – R$ 170.657.481,93

30/06/2026 (JSCP)* – R$ 89.233.875,13

Fonte: Senge-PR

* Pagamento já programado

O Governo do Paraná vendeu um total de 319.285.000 de ações na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo, em 14 de agosto de 2023 e manteve uma golden share, ação preferencial que garante ao Estado poder de veto em decisões estratégicas da companhia.

O balanço da companhia no primeiro trimestre deste ano mostra um lucro líquido R$ 694 milhões, crescimento de 14% em relação ao mesmo período de 2025. No dia 24 de junho, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou um reajuste médio de 20,51% nas tarifas de energia para 5,3 milhões de unidades consumidoras no Estado.

Mais lucro, mais quedas de energia

Em maio do ano passado, o presidente da Copel, Daniel Pimentel Slaviero (irmão do prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel), anunciou que a fatia de lucros que pode ser distribuída para acionistas subiria para 75% – quando a companhia era majoritariamente estatal, a distribuição ficava limitada a 50% dos lucros anuais e o restante era destinado a investimentos e melhorias.

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Enquanto os lucros aumentam, a qualidade cai. As constantes quedas no fornecimento de energia em diversas regiões do Estado levaram entidades como a Faep (Federação da Agricultura do Paraná) e a Fiep (Federação das Indústrias do Paraná) a buscarem uma solução.

Em audiência no Senado no mês passado, a Fiep argumentou que as oscilações de tensão desarmam linhas de produção nas indústrias, com perda de matéria-prima – o que não seria levado em conta nas estatísticas pela companhia, que considera apenas as interrupções superiores a três minutos.

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Um caso que chamou atenção foi Tupãssi, no Oeste do Estado. De acordo com a Faep, em fevereiro deste ano um produtor perdeu cerca de 900 mil kg de tilápia devido a uma interrupção prolongada no fornecimento de energia, com um prejuízo estimado em R$ 9 milhões.

Segundo a Aneel, a Copel fechou o ano de 2024 como uma das três piores concessionárias de energia do Brasil. No ranking da Agência relativo a 2023, a companhia paranaense era a 25ª colocada na lista com 29 concessionárias. No ano seguinte, a empresa caiu para a 29ª posição, à frente apenas da CEE, do Rio Grande do Sul, e da Equatorial, de Goiás.

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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