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MP abre investigação sobre pregões da Celepar vencidos por sócio do irmão de Ratinho Jr

Contratos podem chegar a R$ 164 milhões. Gabriel Martinez Massa foi sócio do dono da empresa vencedora

MP abre investigação sobre pregões da Celepar vencidos por sócio do irmão de Ratinho Jr
Gabriel Martinez Massa (primeiro à direita), irmão do governador Ratinho Jr. Foto: Reprodução

O Ministério Público do Paraná (MPPR) instaurou um Procedimento Preparatório para investigar possíveis irregularidades no pregão eletrônico da Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná (Celepar) vencido pela empresa Linea Tecnologia em Comunicação Ltda, que prevê contratos no valor de R$ 146 milhões com a estatal. A Linea tem como proprietário Rodolfo de Souza Aires, sócio em outra de empresa de Gabriel Martinez Massa, irmão do governador Ratinho Jr (PSD).

Os contratos são no âmbito do programa Mural Digital, da Celepar, segundo a estatal uma "plataforma de serviços que permite a transmissão de programações customizadas em circuito fechado através de TVs, bem como a utilização de lousas digitais que aproximam o cidadão dos serviços do governo". No portal da transparência do Governo do Paraná estão disponíveis 17 contratos da Linea com a Celepar, firmados entre 2023 e 2026, no valor total de R$ 16.993.740,00.

Gabriel Martinez Massa é sócio de Rodolfo de Souza Aires na empresa TLA Brasil Tecnologia em Monitores Ltda, com sede em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. A principal atividade da TLA é descrita como “Comércio varejista especializado de equipamentos e suprimentos de informática”. Em janeiro deste ano, a Linea informou ao Plural que o irmão de Ratinho Jr não faz mais parte do quadro societário da empresa.

Sócio do irmão de Ratinho Jr ganhou licitações no valor de R$ 146 milhões com a Celepar
Gabriel Martinez Massa tem como sócio o dono da Linea Tecnologia, que venceu quatro licitações na Celepar

A vereadora de Curitiba Vanda de Assis (PT) protocolou um pedido de informações sobre os pregões eletrônicos vencidos pela Linea e encaminhou o caso do Ministério Público. Segundo a 5ª Promotoria de Justiça de Proteção ao Patrimônio Público de Curitiba, o Procedimento Preparatório foi instaurado para "apurar possíveis irregularidades em procedimento licitatório conduzido pela Celepar, que culminou com a adjudicação em favor da empresa Línea Tecnologia em Comunicação Ltda".

Expansão para prefeituras do PSD

A Linea também firmou contratos com prefeituras comandadas pelo PSD, o mesmo partido de Ratinho Jr. A Prefeitura de Curitiba (prefeito Eduardo Pimentel) firmou dois contratos com a empresa, nos valores de R$ 12 milhões e R$ 2,7 milhões; a Prefeitura de São José dos Pinhais (prefeita Nina Singer) contratou a Linea por R$ 2,7 milhões; e a Prefeitura de Piraquara (prefeito Josimar Froes) por por R$ 1,7 milhão, por 36 meses.

Em Londrina, que tem como prefeito Tiago Amaral (PSD), a contratação pela Companhia de Tecnologia e Desenvolvimento (CTD), sociedade de economia mista ligada à Prefeitura, foi contestada no Tribunal de Contas do Estado (TCE). A contratação era para "gerenciamento de canal eletrônico, instalação e manutenção de equipamentos para transmissão diária de informação e criação de conteúdo" – objeto semelhante ao dos pregões da Celepar.

Via Celepar, Pimentel e prefeitos do PSD contratam empresa de sócio do irmão de Ratinho Jr
Gabriel Martinez Massa é sócio de fornecedor do Mural Digital em outra empresa. Valores chegam a R$ 18,2 milhões

Os três itens, segundo a empresa derrotada, seriam fatores de restrição da concorrência. O pleno do TCE acatou parcialmente a representação e orientou a CTD a realizar pregões eletrônicos. O contrato é no valor de R$ 35 milhões.

Irmão do governador deixou sociedade, diz Linea

Em janeiro, a Linea afirmou ao Plural que atua no segmento de tecnologia há 14 anos e que todos os contratos da empresa com o poder público são feitos por meio de concorrências públicas. De acordo com a Linea, a Celepar representa apenas 10% do faturamento da empresa. A empresa teria operado no prejuízo, por ter feito investimentos em desenvolvimento de software e na aquisição de equipamentos na ordem de R$ 3 milhões.

"A Linea também gostaria de informar que Gabriel Massa nunca foi sócio da Linea. Rodolfo Aires, sócio da Linea, e Gabriel Massa foram sócios em outra empresa, que está inativa desde meados de 2025. Essa empresa nunca participou de licitações para o governo tampouco prestou serviços a órgãos públicos", informou a empresa em nota enviada em janeiro.

O Serviço de Inscrição e Situação Cadastral do Ministério da Fazenda, no entanto, ainda mostra Gabriel Martinez Massa como sócio da TLA Beasil.

Segundo a Celepar, a Linea foi contratada após processos públicos de contratação que tiveram disputa de outras cinco empresas, em diferentes editais, em processos que nunca foram contestados na Justiça.

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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