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Ao lado de Filipe Barros, Vermelho inaugura QG 100% Bolsonaro e é acusado de racismo em Foz do Iguaçu

Após fala de que o Brasil viveu “momentos negros” e precisava ser resgatado das “garras do mal”, fundadora do MNU Paraná afirmou que a declaração “não é um erro, é um crime”

Ao lado de Filipe Barros, Vermelho inaugura QG 100% Bolsonaro e é acusado de racismo em Foz do Iguaçu
Legenda: Filipe Barros, Mateus Vermelho e as demais lideranças acompanharam o discurso sem contestar a declaração que, depois, foi classificada como racista por representantes do movimento negro. Foto: Reprodução

O deputado federal Filipe Barros (PL), pré-candidato ao Senado pelo Paraná, inaugurou neste sábado (27), em Foz do Iguaçu, o “QG 100% Bolsonaro”.

Apresentado por Barros como um espaço para homenagear Jair Bolsonaro e reunir apoiadores do ex-presidente, o ato terminou marcado por acusações de racismo contra o deputado federal Vermelho (PL), após ele afirmar que o Brasil viveu “momentos negros” e precisava ser resgatado das “garras do mal”.

O QG funciona em um imóvel localizado na Avenida Juscelino Kubitschek, em uma das esquinas mais movimentadas da região central de Foz do Iguaçu. A fachada, ornamentada nas cores verde e amarela, exibe uma placa com a inscrição “QG 100% Bolsonaro”, uma fotografia oficial de Jair Bolsonaro com a faixa presidencial e, em letras garrafais, as palavras “Deus”, “Pátria”, “Família” e “Liberdade”.

No salão principal, uma imagem de Bolsonaro em tamanho real ocupa posição de destaque entre bandeiras e outros elementos alusivos ao ex-presidente.

Na abertura da cerimônia, Barros afirmou que o espaço foi criado para “honrarmos Jair Messias Bolsonaro” e seria “a casa de todos aqueles que defendem aqueles valores que o presidente Bolsonaro fez ressurgir nos nossos corações”.

A inauguração reuniu, além de Filipe Barros e Vermelho, o deputado estadual Mateus Vermelho e outras lideranças bolsonaristas da região.

Ao defender o que chamou de “responsabilidade cristã” e de compromisso com o Brasil, Vermelho afirmou que “o Brasil viveu momentos negros nesses últimos quatro anos e é o momento de resgatar esse Brasil de novo das garras do mal”.

A declaração motivou manifestações de representantes do movimento negro. Sueli Crespa, mulher negra, educadora, poeta, integrante do coletivo Amafricanas e uma das fundadoras do Movimento Negro Unificado (MNU) Paraná, afirmou que a declaração “não é um erro, é um crime” e defendeu a responsabilização do deputado.

Segundo ela, expressões como “momentos negros”, “a coisa está preta” e “denegrir” reproduzem violência racial na linguagem e não devem mais ser naturalizadas.

Também se manifestou a presidente do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial de Foz do Iguaçu, Mazé Saad, coordenadora da União de Negros e Negras pela Igualdade (Unegro) e integrante da União Brasileira de Mulheres.

“Quando o deputado fala isso, ele faz uma expressão extremamente racista, porque associa a palavra negra a coisas ruins, ilegais, inferiores, desagradáveis”, afirmou.

Segundo Mazé, o Conselho prepara uma nota de repúdio contra o deputado e defende que Vermelho apresente um pedido público de desculpas à população negra.

A manifestação das entidades ocorre dias após um ataque a um terreiro de umbanda em Foz do Iguaçu. No episódio, registrado por câmeras de segurança, um homem foi filmado arremessando pedras, fazendo ameaças e exigindo que os frequentadores declarassem que “Jesus veio em carne”. O caso é investigado pela Polícia Civil.

No encerramento da cerimônia, Filipe Barros voltou ao microfone e afirmou que o QG “não é de uma única pessoa” nem “de um partido”, mas existe “em primeiro lugar” para homenagear Bolsonaro, a quem chamou de “o melhor presidente que o Brasil já teve”. Em seguida, conduziu a contagem regressiva para a inauguração simbólica do espaço.

A reportagem encaminhou pedidos de posicionamento aos deputados federais Vermelho e Filipe Barros e ao deputado estadual Mateus Vermelho sobre a declaração e a repercussão entre representantes do movimento negro. Até a publicação desta reportagem, nenhum deles havia respondido. O texto será atualizado caso haja manifestação.

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