As quase 5,3 milhões de unidades consumidoras da Companhia Paranaense de Energia (Copel) vão pagar mais caro para utilizar energia elétrica a partir desta quarta-feira (24). A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) homologou um reajuste médio de 20,51% nas tarifas da distribuidora. A taxa aprovada é mais de quatro vezes superior à inflação projetada para o Brasil em 2026, medida pelo IPCA, que deve fechar o ano na casa dos 4,9%. O reajuste atinge residências, comércios, propriedades rurais e indústrias. O aumento da baixa tensão ficou na casa dos 19,85%, já o da alta tensão em 21,87%.
Com uma receita anual na casa dos R$ 16 bilhões e uma base de clientes espalhados por 98% do território paranaense, a Copel foi privatizada sob o governo Ratinho Júnior (PSD) com a justificativa de modernização. A empresa enxugou seu quadro de funcionários e, agora, defende a tarifa mais cara sob o pretexto de reverter os valores em melhorias operacionais.

Revisão e novas cobranças
Diferentemente do repasse anual da inflação, a Revisão Tarifária Periódica é feita a cada cinco anos. A Aneel reavalia os investimentos na rede elétrica, calibra as exigências de eficiência e redefine a margem de ganho sobre a estrutura da distribuidora, mexendo diretamente no retorno financeiro dos acionistas. Houve também uma consulta pública, mas como, segundo a Copel, o reajuste foi mantido em grande parte, o aumento tarifário passa a valer a partir deste mês de junho.
Embora o setor de alta tensão tenha ficado com a média de 21,87%, a proposta preliminar da Aneel indicava que classes industriais específicas (como a A2) poderiam sofrer picos de até 51%. Para conter um impacto inflacionário ainda mais severo, a Aneel aplicou o diferimento tarifário, um instrumento que posterga a liquidação de custos do sistema. Na prática, a agência reteve R$ 1,1 bilhão da base de cálculo atual, transferindo a recuperação dessa receita para os próximos ciclos de atualização da Copel, o que será sentido pelos consumidores em parcelas futuras.
Texto de Marya Marcondes, aluna de Jornalismo da UFPR
Sob orientação de Rogerio Galindo
