19 jan 2022 - 12h20

Piquenique, vindima, enogastronomia: o que fazer nas vinícolas da RMC

Confira o roteiro de atividades nas vinícolas de Campo Largo, Colombo, Piraquara, Quatro Barras e São José dos Pinhais

Nesta época do ano, os parreirais estão carregados de uvas e a colheita, que já começou em algumas vinícolas da região metropolitana de Curitiba, vai se estender pelas próximas semanas. O clima quente e a beleza dos vinhedos verdejantes e cheios de frutas fazem do verão uma das melhores épocas para visitar as vinícolas, que a cada ano apostam cada vez mais no enoturismo para atrair visitantes e popularizar o consumo do vinho local, que está se destacando pela qualidade.

Apesar de produzir apenas 1% do vinho brasileiro, o Paraná está ganhando, anos após ano, o reconhecimento dos enófilos. Em 2020, as vinícolas Franco Italiano, em Colombo, e Araucária, em São José dos Pinhais, dividiram o primeiro lugar na categoria Cabernet Sauvignon, na Grande Prova de Vinhos do Brasil, uma das principais premiações do país. Praticamente todas as vinícolas do estado colecionam prêmios, alguns internacionais.

O sucesso foi alcançado em poucos anos, apesar da tradição da viniviticultura na região metropolitana de Curitiba remontar à chegada dos imigrantes europeus, a partir da segunda metade do século 19. Com sua cultura e religiosidade, italianos, ucranianos, alemães e poloneses trouxeram consigo a tradição da videira e do vinho.

Entre os anos 1930 e 1960, a região foi tomada por parreiras de uvas americanas, mas nos anos 1970 o surgimento de pragas e doenças causaram um declínio do cultivo, que só começou a ser revertido no final da década de 1990.

É verdade que o microclima da região, marcado por excesso de umidade e chuva somado aos frequentes dias nublados, pode não ser considerado o ideal para viticultura, mas o problema tem sido, aos poucos, superado. Para contornar as dificuldades, alguns produtores usam uvas de outras regiões do Paraná e de outros estados do sul do Brasil.

As vinícolas da RMC. Ilustração: Vinopar.

“Apesar dos projetos serem todos novos, os resultados são surpreendentes. Vinhos com qualidade, estilo definido e potencial de guarda”, afirma Wagner Gabardo, da escola de sommelier Alta Gama, em Curitiba, e consultor da Vinopar, a associação dos vitivinicultores do Paraná.

O consumo de vinho nacional nunca esteve tão em alta. As vendas no mercado interno cresceram 2% entre outubro de 2020 e setembro de 2021, na comparação com o mesmo período de 2019 e 2020. Foram 492,5 milhões de litros comercializados, segundo dados da Ideal Consulting, empresa de auditoria de importação e inteligência de mercado, e divulgados pelo Consevitis-RS (Conselho de Planejamento e Gestão da Aplicação de Recursos Financeiros para Desenvolvimento da Vitivinicultura do Rio Grande do Sul).

Além da qualidade, a popularização se deve também ao trabalho das vinícolas, que apostam cada vez mais forte no enoturismo e na enogastronomia, com atividades abertas ao públicos o ano inteiro. São inúmeras opções: desde piquenique a almoço, visita guiada, degustação e vindima. Confira o que cada vinícola da RMC tem para oferecer.

Araucária

vinícola araucária sjp
Foto: Divulgação.

A Vinícola Araucária, em São José dos Pinhais, promove diversas atividades para o público a começar pelo tour guiado às sextas, sábados, domingos e feriados, com horário agendado, sendo dois grupos na sexta-feira, às 10 horas e às 14 horas. Aos sábados, domingos e feriados, os horários para visita são 10h, 11h30, 14h e 15h30.

O tour, com duração aproximada de 60 minutos, inclui explicação sobre a história e surgimento da vinícola, apresenta a linha de produtos, uma visita aos vinhedos e à fábrica, onde ocorre uma degustação de três rótulos. A visita guiada com degustação custa R$ 50 ou R$ 30 sem degustação, a partir dos 13 anos, com suco de uva. Até os 12 anos é cortesia.

A vinícola tem também um amplo espaço para piquenique para uso gratuito. É possível levar a própria comida ou comprar uma tábua de frios (R$ 45 para duas pessoas) – só não é permitido levar bebidas alcoólicas.

Já o restaurante Gralha Azul funciona de quinta a domingo, no almoço, com necessidade de reserva. O menu à la carte conta com massas, carnes como costela assada (R$ 78), cordeiro assado (R$ 85), e tilápia assada (R$ 70), entre outras opções.

Restaurante Gralha Azul, na Vinícola Araucária. Foto: Divulgação.

A vinícola produz espumantes da linha Poty Lazzarotto, cujos rótulos levam ilustrações de três obras do renomado artista plástico paranaense, tintos da linha Angustifólia, feitos com uvas Merlot, Cabernet Sauvignon e Cabernet Sauvignon Gran Reserva, além dos brancos Chardonnay e Chardonnay Reserva, e do rosé Gralha Azul, entre outros vinhos.

A vinícola costuma realizar a vindima aberta ao público, que geralmente ocorre em fevereiro, mas ainda não definiu sobre a edição deste ano.  

Serviço

Rua Aparecida Góes de Paula, 1300. Colônia Murici, São José dos Pinhais ,Paraná – (41) 3254-5259 / WhatsApp (41) 99640-0606; [email protected]

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Cave Colinas de Pedra

Túnel de envelhecimento dos vinhos na Cave Colinas de Pedra. Foto: Divulgação.

Localizada em Piraquara, na região metropolitana de Curitibana, a Cave Colinas de Pedra não é uma vinícola, mas um local para maturação dos espumantes. Mesmo assim, o espaço conta com um restaurante que funciona nos finais de semana e um tour guiado pela cave.

No cardápio da casa estão entradas como tábua de frios e bruschettas, opções principais como moqueca e barreado e sobremesas clássicas, como banoffi e mousse de chocolate. O programa, pensado para passar o dia, custa R$ 210 por pessoa e inclui almoço e visita à cave com degustação dos espumantes.

As visitas são realizadas aos sábados e domingo às 11h30, mediante reserva. O almoço é servido às 13h.

Os pratos são pensados para harmonizar com os vinhos da vinícola Cave Geisse, de Pinto Bandeira, no Rio Grande do Sul, de propriedade do respeitado enólogo chileno Mário Geisse.  Na carta estão os espumantes Brut, Brut Rosé, Extra Brut e Nature, além dos tintos Carménère Reserva e Gran Reserva, e o Cabernet Sauvignon Reserva e Gran Reserva. As garrafas custam a partir de R$ 115.

Além do restaurante, o vinho pode ser consumido também nas várias áreas de descanso espalhadas pelo local, que contam com gazebos, cadeiras e redes, no meio da Mata Atlântica. Ou numa litorina construída na década de 1960 nos Estados Unidos e completamente reformada.

Velha litorina foi transformada em restaurante. Foto: Arnaldo Alves / ANPr.

A Cave Colinas de Pedra nasceu em 1999 a partir do sonho do empresário Ari Portugal que, num leilão, comprou uma área de 45 hectares localizada nos fundos da Estação Ferroviária de Roça Nova. Após dois anos de testes diários para medir humidade e temperatura, o túnel ferroviário desativado foi transformado numa cave para envelhecimento dos espumantes.

A temperatura interna é constante ao longo do ano, sendo 16°C no inverno e, no máximo 17°C, no verão. Esta excepcionalidade permite a maturação adequada dos espumantes. O túnel, que tem 429 metros de extensão, 5 metros de altura e 3,5 metros de largura, armazena 50 mil garrafas, mas tem capacidade para 500 mil.

Serviço

Rua Antonio Brudeck, 100, Roça Nova, Piraquara (PR) – (41) 99667-5000; [email protected]; Instagram: @cavecolinasdepedra

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Família Fardo

Vinícola Família Fardo. Foto: Divulgação.

Localizada em Quatro Barras, na região metropolitana de Curitiba, a vinícola Família Fardo nasceu em 2008 do sonho do casal Justina e Ambrósio Fardo, descente de imigrantes italianos que queria preservar o legado de produção de vinhos iniciado por seu avô.

Após alguns anos de gestação, a vinícola começou a comercializar seus vinhos em 2014 e hoje coleciona inúmeras premiações. A visita guiada às instalações é realizada todos os dias, mediante reserva, e é gratuita.

No final o visitante pode optar pela degustação de três ou seis rótulos harmonizados com petiscos e tábua de frios – a partir de R$ 40. A casa produz quatro gamas de vinhos que incluem tintos, espumantes seco e doce, e duas grappas – branca e envelhecida -, além de suco de uva.

As uvas provêm de parceiros que as cultivam nas regiões do Alto Uruguai, Serra Gaúcha, Serra Catarinense e Sudoeste do Paraná. Ao chegar na vinícola, passam por um cuidadoso processo de elaboração em tanques de inox.

Tudo começou em 2008 quando Ambrósio comprou pipas de madeira dos herdeiros do irmão, que era um grande produtor de uvas e de vinho para consumo próprio, em Farroupilha, Rio Grande do Sul.

O casal Ambrósio e Justina Fardo, dono da vinícola. Foto: Reprodução.

O objetivo era manter as pipas na família como uma herança e, para abrigá-las das intempéries, construiu a primeira parte da atual vinícola. O edifício, de imponente estilo medieval, foi construído em pedra basalto e os interiores são ricos em detalhes decorativos.

A vinícola fica em uma área de 73 mil metros quadrados às margens da BR 116 – Regis Bitencourt – sentido Curitiba/São Paulo.

Serviço

Rodovia BR 116, nº 550, km 69, Palmitalzinho, Quatro Barras (PR). Todos os dias, das 9h às 17h. Para feriados e datas comemorativas consultar o horário de atendimento.

Reservas: (41) 3672-1693 ou (41) 3672-4488; WhatsApp (41)99217-5862 ou pelo e-mail [email protected] Instagram: @familia_fardo

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Franco Italiano

Tour guiado e degustação fazem parte da programação. Foto: Divulgação.

Localizada em Colombo, na região metropolitana de Curitiba, a vinícola Franco Italiano promove visitação guiada em toda as instalações da fábrica, desde a área de fermentação à cave subterrânea, sem esquecer do parreiral.

As visitas guiadas são gratuitas e realizadas de segunda a sábado, sendo necessário chegar até 1h antes do fechamento. Não é necessário agendamento, exceto para grupos acima de 10 pessoas.

No jardim é possível consumir os vinhos e espumantes e fazer um piquenique, já que a vinícola fornece taças e mantas para se sentar no gramado. Também é possível realizar a degustação dos vinhos.

A vinícola é pioneira na região pela produção de espumante segundo o método champenoise, o mesmo empregado pela elaboração dos champanhe, na França. Ao longo dos anos, a empresa ganhou premiações nacionais e internacionais, alcançando o auge em 2019, com o Censurato Cabernet Sauvignon, rótulo que foi eleito como o melhor Cabernet Sauvignon do Brasil em sua safra 2011.

Piquenique na vinícola Franco Italiano. Foto: Divulgação.

O portfólio conta com tintos produzidos das uvas Malbec, Shiraz, Pinot Noir e Merlot, brancos à base de Malvasia e Chardonnay, rosé feitos com Malbec, e espumantes Brut, extra Brut, Moscatel e rosé.

A vinícola oferece também a possibilidade do visitante elaborar seu próprio vinho. O projeto é chamado de Wine Club e os inscritos participam de todas as decisões referentes ao processo de elaboração do vinho, desde a escolha da variedade de uva, o terroir de origem e as decisões enológicas para a elaboração do vinho, sempre, claro, sob a supervisão dos enólogos da empresa.

Serviço

Rua Rodolfo Camargo, 26, Roça Grande, Colombo. De segunda a sexta, das 9h às 12h e das 13h30 às 18h. Às segundas, as visitas guiadas são realizadas apenas a tarde. Sábado das 9h às 17h. www.francoitaliano.com.br; Instagram: @vinicolafrancoitaliano

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Legado

Wine garden da vinícola Legado. Foto: Divulgação.

Localizada em Campo Largo, a Vinícola Legado oferece uma série de atividades para os amantes do vinho. Quem quer conhecer a vinícola pode embarcar nas visitas guiadas realizadas aos sábados, domingos e feriados com saídas às 10h30 e 15h30. A duração é de 1h30 e o passeio custa R$ 60 por pessoa.

O tour inclui um passeio de carreta pela propriedade, com uma breve pausa para fotos no vinhedo, e no final uma degustação de três vinhos harmonizados com queijos e frios da região.

Já de sexta a domingo e feriados, das 12h30 às 18h, a Legado promove a modalidade day-use onde é possível passar o dia bebericando vinho e beliscando comidinhas numa área de bosque equipada com bancos, pallets, futons, rede e mantas, caso esfrie.

São duas opções: o pacote de R$ 180 para duas pessoas que inclui uma garrafa de vinho ou espumante à escolha, duas águas minerais, gelo e taças de acrílico; ou o pacote de R$ 295 para duas pessoas que inclui uma garrafa de vinho ou espumante a escolha, tábua de frios, torradas, duas empanadas argentinas, bolo, frutas, mini geleia, mini mel, grissinis, duas águas, gelo e taças de acrílico.

Já quem gosta de botar a mão na massa, até 13 de fevereiro pode participar da vindima. A experiência custa a partir de R$ 86 para adultos e R$ 45 para crianças e dá direito ao uso do kit de colheita com chapéu, avental e tesoura. Sob orientação dos técnicos da vinícola, os turistas vão colher as uvas Bordô, usadas para elaboração do suco e consumo in natura, uvas viníferas europeias para elaboração de vinhos e espumantes. As vagas são limitadas e é preciso fazer reserva neste link: https://colheitalegado.online/.

Vinícola Legado. Foto: Divulgação.

Já quem quiser ficar à vontade provando os vinhos da vinícola tem à disposição o wine bar e loja, que funcionam de sexta a domingo e feriados das 12h30 às 18h, sem necessidade de reserva ou agendamento prévio. Os rótulos podem ser acompanhados de empanadas argentinas e tábua de frios.

Pioneira no cultivo de uvas viníferas 100% locais desde 1998 e comandada pela empresária Heloise Meroli, a Legado produz vinhos premiados nacionalmente e internacionalmente que vão desde os tintos de uvas Cabernet Sauvignon, Merlot e Pinot Noir, a brancos de uvas Viogner e Fiano di Avellino, além rosé e espumantes nas versões Nature, Brut, rosé e Demi-Sec.

Serviço

PR-510 Rod. Eng. Raul Azevedo de Macedo, 5800 – Fazendinha, Campo Largo; Telefone (41) 3131-3211; WhastApp: (41) 9 9199-9744; [email protected]; Instagram: @vinicolalegado.

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Um comentário sobre “Piquenique, vindima, enogastronomia: o que fazer nas vinícolas da RMC

  1. A Cave Colinas de Pedra deve ser algo de outro mundo, pois não faz visitação sem que você feche o almoço, no qual um casal precisa desembolsar a bagatela de R$ 420,00 + 10% com degustação de 2 rótulos e sem bebidas no almoço, sendo que o vinho de menor valor (um jovem carmeneré) vale R$ 115,00 + 10%. Já viajei mundo à fora, atrás do fascinante universo dos derivados da uva, e nunca vi tamanha restrição para entrar em uma vinícola. Então decidi almoçar no Araucária e piquenique na Legado. Obrigado pela matéria.

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