Amburana fecha, Central do Abacaxi suspende atividades e NY Café encerra loja
12 maio 2021 - 17h30

Amburana fecha, Central do Abacaxi suspende atividades e NY Café encerra loja

Mês de maio começou com turbulências na cena gastronômica de Curitiba

Após mais de um ano de pandemia e, apesar da flexibilização das restrições das últimas semanas, a sangria de bares e restaurantes ainda não foi estancada. A seção paranaense da Associação de Bares e Restaurantes (Abrasel) calcula que, só em Curitiba, 1.200 empreendimentos gastronômicos fecharam as portas no último ano. No Brasil, a estimativa é de 300 mil.

O ritmo lento da vacinação em todo o país atrasa a recuperação econômica dos diversos setores, em especial do segmento da alimentação fora do lar que está estritamente ligado ao atendimento presencial, à interação e ao convívio. Diante do cenário de incertezas, o mês de maio registrou pelo menos três novas baixas na cena gastronômica curitibana.

Essa semana foi a vez do Central do Abacaxi, no São Francisco, avisar a clientela que as atividades estão suspensas por tempo indeterminado. A casa, comandada pelo casal Amanda Kosinski e Camila L. Frankiv, abriu em 2016 e se destacou por focar em ingredientes orgânicos de pequenos produtores locais. A equipe era formada inteiramente por mulheres.

Amanda e Camila do Central do Abacaxi. Foto: Divulgação.

O cardápio mudava toda semana, mas o pierogui era presença fixa. O recheio era preparado com batata e requeijão fresco de Irati. Já o molho era de nata fresca ou carne de panela com nata. Amanda e Camila serviam ainda uma versão da massa dourada na manteiga. O prato, elaborado a partir da receita da avó de origem polonesa de Amanda, era campeão de vendas e esgotava rapidamente.

Desde 16 de março do ano passado, quando a Covid-19 começou a se alastrar em Curitiba, o Central suspendeu o atendimento presencial e nunca mais retornou, mesmo após a prefeitura de Curitiba flexibilizar as restrições. Por mais de um ano, o restaurante funcionou apenas no delivery.

“A gente nunca se sentiu segura para reabrir a casa, afinal, não tem como comer de máscara”, explica Camila. “Vamos fazer uma pausa para reavaliar tudo, colocar a cabeça no lugar e pensar num novo formato. A nossa filosofia se baseia muito no conceito de receber e servir. Sem poder atender nosso clientes de forma presencial precisamos reencontrar o sentido das coisas”, afirma a cozinheira.

Pierogui do Central do Abacaxi: prato era carro-chefe da casa. Foto: Divulgação.

Amanda e Camila cogitaram vender o ponto, mas voltaram atrás, confiantes na possibilidade de um novo futuro para o Central. Quem está ansioso, só precisa aguardar para saber qual será.

O New York Cafe, um dos locais que marcou a última década em Curitiba, também anunciou essa semana o fechamento da loja física no Batel – a última remanescente. A queda no faturamento foi decisiva para a decisão. A cafeteria, que inaugurou em 2012, chegou a ter quatro unidades na cidade, mas duas encerraram as atividades no começo da pandemia. 

Agora, o chef Luiz Santo, fundador da marca, vai atender apenas com entregas em domicílio sob o novo nome de New York Home. Bagels, bialys, challah e cheesecake vão continuar disponíveis no loja on-line. O serviço estreia neste sábado (15).

Panqueca do New York Cafe: cliente pode encomendar e finalizar prato em casa. Foto: Divulgação.

“Não vai ser um delivery, vai ser a experiência do New York Cafe em casa. O cliente vai receber o pedido e finalizá-lo em sua cozinha. Por exemplo, uma família que quer fazer panquecas no domingo de manhã, pode encomendar antes e na hora só aquecer e finalizar com a calda. Ou, se a pessoa ficou com vontade de comer de madrugada, quando não há delivery, vai ter acesso ao produto”, diz Luiz Santo.

Na semana passada, a confeitaria Amburana, no São Francisco, também anunciou nas redes sociais o encerramento das atividades. “Eu, Karin, e Jean, que estivemos lutando para seguir em frente com esse pedacinho de amor chamado Amburana, tivemos que sentar e colocar tudo no papel, decidir pelos próximos passos, levando em consideração tudo, desde nossa saúde familiar (todos bem), financeira e psicólogica”, escreveu o casal de proprietários.

Karin e Jean, donos do Amburana. Foto: Reprodução.

Ainda dá tempo de se despedir. O Amburana vai funcionar ainda por algumas semanas, até o final de junho, com retirada e entrega em domicílio. O cardápio conta com pães, bolos, geleias e docinhos como sanducookie e brownie funcional vegano. Nos dias 30 de maio e 20 de junho, a casa vai servir acarajé. Já em 12 de junho, será ofertado um cardápio de Dia dos Namorados.

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8 comentários sobre “Amburana fecha, Central do Abacaxi suspende atividades e NY Café encerra loja

  1. “Ritmo lento da vacinação” é pra acabar! O Brasil aplica mais que o dobro de vacinas do que a média mundial, mas pra grande parte da imprensa nunca tá bom.
    Culpar os verdadeiros responsáveis, que são os prefeitos e governadores que mandaram fechar tudo e ficar em casa, nem passa pela cabeça deles.
    Lamentável.

    1. Oi Ivan, você está equivocado. O Brasil não aplica mais que o dobro da média mundial. Nós já fizemos isso na epidemia de H1N1, quando vacinamos todo grupo prioritário em três meses. Mas no caso das vacinas para Covid a vacinação está muito lenta, principalmente porque o governo federal não garantiu a aquisição de doses.
      Você pode conferir o ranking dos países que mais vacinaram aqui: Vacinação por país

    2. Acorda pra vida Ivan.
      Saia da sua bolha e veja que absurdo esse desgoverno federal nos meteu. Alguns governos estaduais e municipais podem ter cometido erros, como sempre, mas estão muito longe de serem culpados por todas essas mortes tanto de pessoas como de comércio.

    3. Mais um papagaio daquele marginal que o povo elegou pra ser inquilino do Alvorada. Ivan, prestenção: teu recibo de apoio desse desastre vai chegar.

    4. Como exemplar bolsominion, propaga fake news e trata quaisquer veículos de informação dignos como inimigos do poder. Lança opinião sem fundamento para desorientar. Ataca quaisquer ameaça à rainha, feito um soldado formiga. Lembra muito o terceiro reich.

    5. Acho que único equívoco da imprensa de forma geral que dá muito ênfase no número total de vacinação em detrimento de vacinados / população. Com isso, realmente os números da vacinação parecem muito bons comparando por exemplo com Islândia. E consequentemente aparece uns tontos achando que estamos muito bem na vacinação.

  2. Independente da questão da não aquisição de vacinas que é federal, a quantidade de estabelecimentos fechadas, empregos perdidos e cadeia de fornecedores em crise no setor de gastronomia é agravada pelos erros n política municipal e estadual. Os governos locais penalizam a gastronomia e o turismo e favorecem outras atividades comerciais. As medidas restritivas não tem lógica. Com o agravamento do contágio o correto seria ter restrições em todas as atividades não essenciais todos os dias da semana e fiscalizar de verdade. Mas os governos locais preferem fechar os estabelecimentos de gastronomia as 22h e aos domingos, prejudicando muito seu faturamento, em especial estabelecimentos que só funcionam aos finais de semana e/ou à noite. Ninguem pode frquentar um restaurante ou ponto turirivo no domingo mas pode ir à academia, ao supermercado cheio, às lojas lotadas, aos bares aglomeram durante a semana. Qual a lógica?

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