fe.ri.as.[sf pl]Intervalo entre assaltos. Doze nocautes. Contagem aberta. Sinta o golpe. Limpe os cortes. Respire e volte. Ao trabalho. À rotina. A ser porca ou parafuso absolutamente substituível na engrenagem do sistema. Na vida adulta as férias se convertem em enfermaria. Quando não em sanatório. São – sobretudo – um direito inalienável conquistado com sangue. E fúria. Eterno alvo de canibais capitalistas e toda sorte de hordas liberais. A consciência das férias como conquista proletária e não mera dádiva divina é uma iluminação do tempo. E da solidariedade de classe. É também a cova iluminista onde jazem seus derradeiros resquícios infantis. As férias passam depressa para que você não relaxe demais. Não se afeiçoe demais a uma existência mais mansa. Mais digna. Para que não corra o risco de reivindicar permanência. De reaver amor-próprio. De reavivar a rebeldia criativa. As férias são como a arara-azul. O urso polar. A morsa do Pacífico. O rinoceronte de Java. Um dia – olhando para os fósseis de uma carteira de trabalho – nos lembraremos das férias como hoje nos lembramos dos mamutes.
Jr. Bellé é poeta do sudoeste, doutorando em Estudos Literários. Foi residente da Yaddo (NY), e venceu os prêmios Flipoços, Variações e Cidade de Belo Horizonte. É gremista, anarquista e vegetariano.
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Lideranças interessadas podem entrar em contato para agendar as atividades em seus terreiros. Cartilha Aye Wa Ni Àlàáfià será lançada nesta quinta-feira, dia 16, na Casa Cultural Àlàáfià, em Curitiba.
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