fe.ri.as.[sf pl]Intervalo entre assaltos. Doze nocautes. Contagem aberta. Sinta o golpe. Limpe os cortes. Respire e volte. Ao trabalho. À rotina. A ser porca ou parafuso absolutamente substituível na engrenagem do sistema. Na vida adulta as férias se convertem em enfermaria. Quando não em sanatório. São – sobretudo – um direito inalienável conquistado com sangue. E fúria. Eterno alvo de canibais capitalistas e toda sorte de hordas liberais. A consciência das férias como conquista proletária e não mera dádiva divina é uma iluminação do tempo. E da solidariedade de classe. É também a cova iluminista onde jazem seus derradeiros resquícios infantis. As férias passam depressa para que você não relaxe demais. Não se afeiçoe demais a uma existência mais mansa. Mais digna. Para que não corra o risco de reivindicar permanência. De reaver amor-próprio. De reavivar a rebeldia criativa. As férias são como a arara-azul. O urso polar. A morsa do Pacífico. O rinoceronte de Java. Um dia – olhando para os fósseis de uma carteira de trabalho – nos lembraremos das férias como hoje nos lembramos dos mamutes.
sin.Folga. Ilusão. Felicidade.
antôn.Segunda-feira.
pop.Ufa!
num.Insuficiente
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Jr. Bellé é poeta do sudoeste, doutorando em Estudos Literários. Foi residente da Yaddo (NY), e venceu os prêmios Flipoços, Variações e Cidade de Belo Horizonte. É gremista, anarquista e vegetariano.
Nas decisões examinadas a respeito do meio ambiente, o Supremo não fundou a proteção das futuras gerações no prejuízo a pessoas identificáveis, e sim em deveres de titularidade coletiva e em um padrão de qualidade ambiental
Não basta exaltar os professores em datas comemorativas enquanto sua remuneração perde valor, suas jornadas se intensificam e suas condições de trabalho se deterioram