Vida e bem-estar na Terra. Este é o significado de “Aye Wa Ni Àlàáfia”, expressão em língua iorubá que dá nome ao projeto desenvolvido pelo Instituto Brasileiro de Diversidade Sexual – IBDSEX. Fazendo jus ao título, o objetivo vem promovendo os cuidados com a saúde e a prevenção de HIV/aids e outras infecções sexualmente transmissíveis – ISTs junto às comunidades de terreiro de Curitiba e Região Metropolitana.
Além dos temas relacionados à saúde, o projeto Aye Wa Ni Àlàáfià realiza capacitações sobre outros assuntos importantes, como direitos dos povos de terreiro, advocacy e diversidade sexual.
Capacitações nos terreiros
Na primeira fase, que aconteceu entre fevereiro e abril deste ano, as atividades de capacitação ocorreram na sede do Grupo Dignidade, em Curitiba. Agora, na segunda fase, a equipe do projeto está realizando as atividades diretamente nos terreiros.
As lideranças religiosas que tenham interesse em receber as capacitações podem entrar em contato para agendar a visita em seus terreiros. É importante salientar que as capacitações são totalmente gratuitas e não possuem nenhuma vinculação a partidos políticos, sendo realizada com financiamento a partir do Edital Nº 02/2024 da Organização Pan-Americana da Saúde – OPAS/ MS.

Lançamento da Cartilha
Um dos produtos resultantes do projeto é a cartilha Aye Wa Ni Àlàáfià, que será lançada nesta quinta-feira, dia 16, às 19h, na Casa Cultural Àlàáfià – Rua Jaime Reis, 480, São Francisco, Curitiba.
A publicação, ricamente ilustrada, traz duas histórias em quadrinhos que tratam da relação das religiões afro-brasileiras com a saúde, enfatizando a necessidade de conciliar os tratamentos espirituais com a medicina convencional. Além dos quadrinhos, são publicados textos referentes aos mesmos temas apresentados nas formações ofertadas pelo projeto: saúde e prevenção, direitos dos povos de terreiro, diversidade sexual e advocacy.
Elementos da tradição afro-brasileira
Para dialogar mais diretamente com as populações de terreiros, as mitologias africanas e elementos ritualísticos das suas manifestações religiosas são utilizados na elaboração de todos os conteúdos informativos, incluindo a sua própria identidade visual.
Todos os materiais, impressos e digitais – folders, cartazes, camisetas, ecobags e postagens nas redes – remetem ao universo simbólico das tradições afro-brasileiras, em suas mais diversas vertentes.

Religiosidade e acolhimento
De acordo com levantamento prévio de dados, em Curitiba e Região Metropolitana, estima-se um total de 3,5 mil terreiros de tradição afro, incluindo cultos como Umbanda, Candomblé, Jurema Sagrada, Quimbanda e Omolokô. A maioria dessas casas está localizada em regiões periféricas.
Nos templos de religiões de matriz africana acontece o atendimento espiritual a consulentes, a ajuda social à comunidade e o acolhimento de pessoas, independentemente de suas particularidades e necessidades, o que inclui questões relacionadas à saúde. Por isso é necessário que os terreiros sejam espaços de difusão de informações sobre prevenção e conhecimentos sobre saúde e temas importantes para as pessoas praticantes de religiosidades afro-brasileiras.
