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Estudantes de Medicina fazem ataques a bolsistas, ameaças de estupro e apologia ao nazismo

Mensagens foram trocadas depois das eleições do último domingo (25) e envolvem alunos da Unicesumar, de Maringá, e da FAG, em Cascavel

Estudantes de Medicina fazem ataques a bolsistas, ameaças de estupro e apologia ao nazismo
Isadora Cavali, aluna de Medicina da FAG: "nem quimioterapia". Imagem: Instagram/Reprodução

Duas denúncias recentes expuseram um cenário de intolerância, elitismo, xenofobia e discurso de ódio entre estudantes de Medicina no estado do Paraná. Os episódios, que vieram à tona após os resultados das eleições do último domingo (25), envolvem alunos da UniCesumar, em Maringá, e do Centro Universitário FAG, em Cascavel. As mensagens e vídeos vazados revelam desde o desprezo por pacientes dependentes do sistema público de saúde e bolsistas do Prouni, até ameaças de violência sexual e referências ao nazismo.

O caso UniCesumar

Na UniCesumar, a denúncia aponta a circulação de mensagens com ataques diretos a alunos beneficiários do Programa Universidade para Todos (Prouni). Em um grupo de mensagens, estudantes que pagam a mensalidade de forma integral ridicularizaram a condição socioeconômica de colegas de classe e fizeram comentários de cunho xenofóbico em relação à região Nordeste.

Entre as ofensas registradas, um aluno disparou: “se forma aí e vai lá pro caral** do nordeste pra tratar os fud*** q vota no mesmo cara q vc”. Em outro trecho que exalta a desigualdade, um participante escreveu: “quem trabalhou e tem 15 mil por mes pra pagar >>>>>> quem passou numa provinha”, insinuando superioridade.

Além dos ataques verbais aos estudantes, a denúncia relata o compartilhamento de figurinhas e GIFs com referências e apologia ao nazismo no ambiente universitário, além de citações como “todo mundo aqui é de leite cru”, um código usado por supremacistas brancos. Um dos envolvidos ironiza o vazamento das suas declarações e minimiza as eventuais consequências legais, tratando a chegada de um processo judicial como uma "coisa básica" seguida de risos. 

O caso FAG

A situação em Cascavel, envolvendo estudantes do curso de Medicina do Centro Universitário FAG, ganhou proporções semelhantes. Em um vídeo, uma estudante direcionou ataques a eleitores do Partido dos Trabalhadores (PT), ironizando e desejando o sofrimento de usuários da saúde pública. Nas imagens, a jovem declara: "que vocês querem dipirona, não vai ter... quimioterapia também não vai ter".

Ela ainda ofende os eleitores e afirma que passaria o Ano-Novo na Europa, enquanto "os pobres vão passar o Ano-Novo no lixão". Depois da repercussão, a estudante publicou um vídeo nesta terça-feira (27) pedindo desculpas: "me arrependo pelas falas maldosas, sei que cada um tem seu pensamento, [...] que todos nós possamos melhorar."

https://www.instagram.com/reel/DfAR-4cCs8_/?obrf=MWd5cHVqdWRxemtkNg%3D%3D

O ódio também chegou a grupos de WhatsApp. Uma captura de tela vazada de um grupo nomeado "T28 - MED" mostra declarações com incitação direta ao crime. Na mensagem, um dos participantes afirma: "Eu quero e vou apoiar os que saem das cadeias roubar as casas e estuprar esses que votaram no pt", oferecendo-se em seguida para facilitar os crimes: "Vou dar o endereço."

Posicionamentos 

Em comunicado nas redes sociais, a FAG informou estar ciente das manifestações atribuídas aos alunos e destacou que o caso está em análise pelas instâncias éticas competentes. A instituição frisou que "lamenta profundamente e repudia veementemente o teor das declarações", ressaltando que o respeito à dignidade humana e o compromisso com o outro são princípios inegociáveis de sua formação.

A UniCesumar declarou que abriu uma sindicância interna para apurar o caso rigorosamente e tomar as providências cabíveis. Em nota, repudiou qualquer forma de discriminação e reafirmou seu compromisso com a ética e o respeito à vida.

Entidades acadêmicas da UniCesumar também se posicionaram. O Centro Acadêmico Miguel Nicolelis, junto às Atléticas e outras organizações estudantis do curso, assinaram uma nota de repúdio contra os atos xenofóbicos, elitistas e nazistas. As entidades anunciaram o desligamento imediato de todos os envolvidos de seus quadros, citando inclusive a Lei de Crimes de Preconceito (Lei nº 7.716/1989).

O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) emitiu uma nota repudiando veementemente as denúncias de intolerância nos dois municípios. O órgão enfatizou que tais atitudes são incompatíveis com os princípios do Código de Ética do Estudante de Medicina, lembrando que a profissão exige compromisso humanitário sem discriminação de qualquer natureza. O Conselho garantiu que acompanhará o caso e adotará as medidas cabíveis.

A Associação dos Estudantes de Medicina do Paraná (AEMED-PR) informou que protocolou uma denúncia junto ao Ministério Público, exigindo a apuração dos fatos e punições. A AEMED-PR reafirmou seu compromisso institucional de combater qualquer forma de violência, racismo e discriminação nos ambientes acadêmicos do estado.

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Marya Marcondes

Marya Marcondes

Estagiária do Jornal Plural. Estudante de Jornalismo da UFPR. Palmeirense e colecionadora de hobbies.

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