O Brasil terminou 2025 com 970,8 mil empregos formais na economia criativa — designers, arquitetos, jornalistas, publicitários, músicos, artistas, profissionais de audiovisual e de tecnologia da informação. O número cresceu 29% desde 2019, quando eram 754 mil, mas o ritmo apenas acompanhou o do mercado de trabalho como um todo: a fatia dos criativos no emprego formal segue estável, ao redor de 1,6% ao longo de sete anos.
Os dados são dos microdados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do Ministério do Trabalho e Emprego. O setor foi delimitado pela ocupação do trabalhador — a Classificação Brasileira de Ocupações, a CBO —, e não pela atividade da empresa, critério que capta o designer contratado por uma indústria ou o programador que trabalha dentro de um banco, e que corresponde ao chamado "núcleo criativo".
Salário quase 90% acima da média
O principal traço econômico do setor é o prêmio salarial. Em 2025, o trabalhador criativo recebeu, em média, R$ 8.046 por mês, contra R$ 4.249 da média geral do mercado formal — uma diferença de 89%. O prêmio aparece em todos os estados: passa de 60% em praticamente todo o país e chega a mais de 90% em São Paulo e no Rio de Janeiro. Boa parte dessa vantagem vem da tecnologia: as ocupações de TIC respondem sozinhas por 63,8% do emprego criativo do país.
Onde estão os criativos
A concentração é nítida. São Paulo lidera entre os estados, com 2,48% do emprego formal em ocupações criativas, seguido pelo Distrito Federal (2,18%) e por Santa Catarina (1,97%). Brasília, puxada pelo funcionalismo e pela comunicação, paga o maior salário criativo do país: R$ 11.702 em média. No recorte por cidade — entre municípios com pelo menos 10 mil vínculos —, quem aparece no topo não são as capitais, mas polos de tecnologia e de indústria criativa.
As capitais
Entre as 27 capitais, Florianópolis tem a maior fatia de emprego criativo (4,75%), à frente de São Paulo (4,15%) e Porto Alegre (3,64%). O contraste regional é forte: as capitais do Sul e do Sudeste concentram densidade e renda criativa muito acima das do Norte e do Nordeste, que fecham a lista com menos de 0,8% do emprego.
O Paraná
O Paraná ocupa a 6ª posição nacional tanto em participação (1,48% do emprego formal) quanto em salário do setor criativo (R$ 6.941 em média). São 56,7 mil empregos criativos em 2025, alta de 30% em relação a 2019. Quase metade deles está em Curitiba, que sozinha reúne 25,3 mil profissionais — mas, proporcionalmente, a capital fica atrás de cidades menores voltadas à tecnologia e às universidades. O maior salário criativo do estado é o de São José dos Pinhais (R$ 9.847).
O destaque do interior fica com Pato Branco e Dois Vizinhos, no sudoeste do estado — duas cidades médias que consolidaram polos de software ligados às universidades locais e onde as ocupações criativas já superam a proporção da capital. Londrina e Maringá, no norte, aparecem logo atrás, sustentadas por universidades, comunicação e serviços.
Como este levantamento foi feito
Os números vêm da RAIS, a Relação Anual de Informações Sociais, do Ministério do Trabalho e Emprego — uma declaração obrigatória que todo empregador do país entrega anualmente, informando cada vínculo formal mantido. Por ser obrigatória e universal, funciona como um censo do emprego com carteira assinada e do serviço público, e não como uma amostra. Não capta o trabalho informal nem os autônomos, parcela relevante da economia criativa que fica fora desta análise.
Foram usados os microdados de vínculos de 2019 a 2025, o ano mais recente publicado. "Emprego" é o estoque de vínculos ativos em 31 de dezembro; os salários são a remuneração média nominal, sem correção pela inflação — o que torna as comparações dentro de um mesmo ano mais seguras que ao longo do tempo.
A economia criativa foi definida pela ocupação do trabalhador (CBO), o "núcleo criativo": designers, arquitetos, jornalistas, publicitários, músicos, artistas e profissionais de audiovisual e de TI, onde quer que trabalhem. A lista espelha a compatibilização acadêmica entre a CBO e as classificações internacionais de economia criativa (modelo de intensidade criativa do DCMS britânico), cobrindo os mesmos segmentos do Mapeamento da Indústria Criativa da FIRJAN. Foram excluídas gerências genéricas e a cerâmica e o vidro industriais. No ranking de cidades, entraram apenas municípios com ao menos cinco mil vínculos.