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Emprego criativo paga 89% acima da média no Brasil

Profissionais criativos ganham quase o dobro da média nacional. Veja onde estão os 971 mil empregos do setor e o ranking de estados e cidades

Emprego criativo paga 89% acima da média no Brasil
Foto: Kelly Sikkema / Unsplash

O Brasil terminou 2025 com 970,8 mil empregos formais na economia criativa — designers, arquitetos, jornalistas, publicitários, músicos, artistas, profissionais de audiovisual e de tecnologia da informação. O número cresceu 29% desde 2019, quando eram 754 mil, mas o ritmo apenas acompanhou o do mercado de trabalho como um todo: a fatia dos criativos no emprego formal segue estável, ao redor de 1,6% ao longo de sete anos.

Os dados são dos microdados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do Ministério do Trabalho e Emprego. O setor foi delimitado pela ocupação do trabalhador — a Classificação Brasileira de Ocupações, a CBO —, e não pela atividade da empresa, critério que capta o designer contratado por uma indústria ou o programador que trabalha dentro de um banco, e que corresponde ao chamado "núcleo criativo".

Figura 1Os estados mais criativos% dos vínculos formais em ocupações criativas · 2025
São Paulo SP2,48%
Distrito Federal DF2,18%
Santa Catarina SC1,97%
Rio Grande do Sul RS1,87%
Rio de Janeiro RJ1,55%
Paraná PR1,48%
Minas Gerais MG1,29%
Pernambuco PE1,25%
Espírito Santo ES1,15%
Ceará CE1,14%
Fonte: RAIS 2025 / MTE

Salário quase 90% acima da média

O principal traço econômico do setor é o prêmio salarial. Em 2025, o trabalhador criativo recebeu, em média, R$ 8.046 por mês, contra R$ 4.249 da média geral do mercado formal — uma diferença de 89%. O prêmio aparece em todos os estados: passa de 60% em praticamente todo o país e chega a mais de 90% em São Paulo e no Rio de Janeiro. Boa parte dessa vantagem vem da tecnologia: as ocupações de TIC respondem sozinhas por 63,8% do emprego criativo do país.

Onde estão os criativos

A concentração é nítida. São Paulo lidera entre os estados, com 2,48% do emprego formal em ocupações criativas, seguido pelo Distrito Federal (2,18%) e por Santa Catarina (1,97%). Brasília, puxada pelo funcionalismo e pela comunicação, paga o maior salário criativo do país: R$ 11.702 em média. No recorte por cidade — entre municípios com pelo menos 10 mil vínculos —, quem aparece no topo não são as capitais, mas polos de tecnologia e de indústria criativa.

Figura 2As cidades mais criativas% dos vínculos formais · municípios com 10 mil+ vínculos · 2025
Jaguariúna SP10,12%
Barueri SP8,70%
São Leopoldo RS6,69%
Santa Rita do Sapucaí MG5,38%
Florianópolis SC4,75%
Blumenau SC4,65%
Campinas SP4,49%
São Cristóvão SE4,45%
Nova Lima MG4,39%
Passo Fundo RS4,35%
Fonte: RAIS 2025 / MTE

As capitais

Entre as 27 capitais, Florianópolis tem a maior fatia de emprego criativo (4,75%), à frente de São Paulo (4,15%) e Porto Alegre (3,64%). O contraste regional é forte: as capitais do Sul e do Sudeste concentram densidade e renda criativa muito acima das do Norte e do Nordeste, que fecham a lista com menos de 0,8% do emprego.

Figura 3Ranking das capitais% dos vínculos formais em ocupações criativas · 2025
Florianópolis SC4,75%
São Paulo SP4,15%
Porto Alegre RS3,64%
Vitória ES2,80%
Curitiba PR2,47%
Recife PE2,41%
Belo Horizonte MG2,32%
Rio de Janeiro RJ2,26%
Brasília DF2,18%
Fortaleza CE1,50%
Salvador BA1,43%
João Pessoa PB1,42%
Campo Grande MS1,39%
Goiânia GO1,39%
Belém PA1,29%
Manaus AM1,24%
Natal RN1,17%
Cuiabá MT1,11%
Aracaju SE1,11%
Macapá AP0,90%
Teresina PI0,87%
Maceió AL0,87%
Palmas TO0,87%
Porto Velho RO0,80%
Boa Vista RR0,80%
São Luís MA0,73%
Rio Branco AC0,67%
Fonte: RAIS 2025 / MTE

O Paraná

O Paraná ocupa a 6ª posição nacional tanto em participação (1,48% do emprego formal) quanto em salário do setor criativo (R$ 6.941 em média). São 56,7 mil empregos criativos em 2025, alta de 30% em relação a 2019. Quase metade deles está em Curitiba, que sozinha reúne 25,3 mil profissionais — mas, proporcionalmente, a capital fica atrás de cidades menores voltadas à tecnologia e às universidades. O maior salário criativo do estado é o de São José dos Pinhais (R$ 9.847).

Figura 4Paraná: onde o trabalho criativo pesa mais% dos vínculos formais · municípios do PR com 5 mil+ vínculos · 2025
Pato Branco 98 mil3,49%
Dois Vizinhos 48 mil3,03%
Pinhais 131 mil2,58%
Londrina 581 mil2,53%
Maringá 430 mil2,53%
Curitiba 1,8 mi2,47%
Campo Mourão 104 mil1,72%
São José dos Pinhais 350 mil1,66%
Fonte: RAIS 2025 / MTE · população IBGE 2025

O destaque do interior fica com Pato Branco e Dois Vizinhos, no sudoeste do estado — duas cidades médias que consolidaram polos de software ligados às universidades locais e onde as ocupações criativas já superam a proporção da capital. Londrina e Maringá, no norte, aparecem logo atrás, sustentadas por universidades, comunicação e serviços.

Como este levantamento foi feito

Os números vêm da RAIS, a Relação Anual de Informações Sociais, do Ministério do Trabalho e Emprego — uma declaração obrigatória que todo empregador do país entrega anualmente, informando cada vínculo formal mantido. Por ser obrigatória e universal, funciona como um censo do emprego com carteira assinada e do serviço público, e não como uma amostra. Não capta o trabalho informal nem os autônomos, parcela relevante da economia criativa que fica fora desta análise.

Foram usados os microdados de vínculos de 2019 a 2025, o ano mais recente publicado. "Emprego" é o estoque de vínculos ativos em 31 de dezembro; os salários são a remuneração média nominal, sem correção pela inflação — o que torna as comparações dentro de um mesmo ano mais seguras que ao longo do tempo.

A economia criativa foi definida pela ocupação do trabalhador (CBO), o "núcleo criativo": designers, arquitetos, jornalistas, publicitários, músicos, artistas e profissionais de audiovisual e de TI, onde quer que trabalhem. A lista espelha a compatibilização acadêmica entre a CBO e as classificações internacionais de economia criativa (modelo de intensidade criativa do DCMS britânico), cobrindo os mesmos segmentos do Mapeamento da Indústria Criativa da FIRJAN. Foram excluídas gerências genéricas e a cerâmica e o vidro industriais. No ranking de cidades, entraram apenas municípios com ao menos cinco mil vínculos.

RAIS 2025 · Ministério do Trabalho e Emprego · Elaboração Plural
Rosiane Correia de Freitas

Rosiane Correia de Freitas

Jornalista, mestre em educação e fundadora do Plural

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Assuntos: emprego Brasil

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