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Um ano de pesquisas no Paraná: Moro na frente desde janeiro, e o segundo lugar que virou de lado

As 39 pesquisas registradas no TSE sobre o governo do Paraná em 2026: Moro lidera todas, Sandro Alex salta de 5% a 29,8% e os institutos divergem em 13 pontos

Um ano de pesquisas no Paraná: Moro na frente desde janeiro, e o segundo lugar que virou de lado
Urnas eletrônicas. Foto: Tami Taketani/Plural

Os institutos registraram 39 pesquisas sobre a eleição paranaense em 2026, ouviram 50.070 pessoas e declararam R$ 2,8 milhões em contratos. Sergio Moro lidera todas, sem exceção. O que mudou foi o resto — e o quanto os institutos discordam entre si.

Desde 22 de janeiro, quando a primeira pesquisa registrada no TSE sobre o governo do Paraná foi produzida, até 23 de agosto, 28 sondagens de primeiro turno mediram a mesma disputa. Em todas as 28, Sergio Moro (PL) aparece em primeiro. Ele nunca ficou abaixo de 35% nem acima de 58,6%.

Essa é a parte estável da história. O resto se moveu bastante.

Governador do Paraná: cada pesquisa registrada no TSE, mês a mês

Passe o mouse nos pontos para ver instituto, amostra e nº do registro. Escolha um instituto no seletor para ver só a série dele.

Fonte: TSE — Dados Abertos, “Pesquisas Eleitorais 2026”. Compilação da Plural, atualizada em 27/08/2026. O valor é o declarado no registro e nem sempre corresponde ao efetivamente pago. Registrar a pesquisa é obrigação legal (Lei 9.504/97, art. 33) e o registro não atesta a qualidade nem o acerto do resultado.

O segundo lugar mudou de dono em agosto

Em janeiro, o vice-líder era Álvaro Dias, com 19,7% — à frente de Requião Filho por 0,2 ponto, empate técnico. Álvaro não registrou candidatura.

De fevereiro a julho, Requião Filho (PDT) ocupou sozinho a segunda posição, com uma constância incomum: oscilou entre 16,3% e 28,4% e terminou agosto praticamente onde começou o ano — 19,5% em janeiro, 21% na última pesquisa.

Quem se moveu foi Sandro Alex (PSD). Ele aparece pela primeira vez em 25 de abril, com 5%. Em 6 de agosto passa Requião pela primeira vez, numa pesquisa do Índice. Daí em diante, em 6 das 10 pesquisas de agosto ele aparece à frente de Requião. Seu melhor resultado é 29,83%, no instituto Ranking, em 16 de agosto — quase seis vezes o que tinha quatro meses antes.

Dois institutos, o mesmo dia, treze pontos de diferença

O dado mais desconfortável desta série não é o desempenho de nenhum candidato: é o tamanho da discordância entre os institutos.

Em 16 de agosto, duas pesquisas saíram de campo no mesmo dia:

Instituto Amostra Moro Requião Sandro
Ranking 1.200 37,3% 20,6% 29,8%
Paraná Pesquisas 1.520 46,1% 23,4% 16,5%

São 13,3 pontos de diferença para Sandro Alex e 8,8 pontos para Moro, no mesmo estado, na mesma semana, com margens de erro declaradas de 2 a 3 pontos. Uma das duas está bem fora.

Considerando só agosto, Moro varia de 35,3% a 47,5% entre institutos, e Sandro Alex, de 9,4% a 29,8% — uma amplitude de 20 pontos.

Por isso o gráfico acima não liga um ponto ao outro quando estão em institutos diferentes: cada casa tem seu método de coleta, seu recorte de amostra e seu jeito de tratar indecisos. Ligar a medição de uma à da outra faria diferença de metodologia parecer movimento do eleitorado. Ao escolher um instituto no seletor, aí sim a série faz sentido.

O segundo turno que encolheu — e o que não encolheu

Contra Requião Filho, o cenário de segundo turno praticamente não mudou em sete meses: Moro abria 22,5 pontos em janeiro e 24 pontos na última medição, de 23 de agosto.

Contra Sandro Alex, mudou tudo. Em 25 de abril, a Quaest dava 51% a 15% — 36 pontos. Em 12 de agosto, o IRG mediu 42,7% a 38,1%: 4,6 pontos, dentro da margem de erro.

Só que, onze dias depois, a Quaest mediu de novo o mesmo cenário e encontrou 48% a 19% — 29 pontos. As duas leituras não cabem juntas.

Os candidatos que as pesquisas mediram e que não existiram

Boa parte do ano foi gasta medindo gente que não entrou na disputa. Dos treze nomes que aparecem na série, cinco nunca registraram candidatura: Rafael Greca (presente em 17 pesquisas, de março a 1º de agosto, chegando a 19,7%), Álvaro Dias (segundo colocado em janeiro com 19,7%, aparece uma única vez), Guto Silva, Alexandre Curi e Fernando Giacobo.

Os oito candidatos efetivamente registrados só passam a aparecer juntos a partir de 6 de agosto, depois de fechado o prazo de registro. Quatro deles — Tayná Miessa (UP), Samuel de Mattos (PSTU), Adriano Funileiro (PCO) e Alexandre Salomão (Mobiliza) — nunca passaram de 1,2%.

Quem paga a conta

Das 39 pesquisas registradas, 14 foram contratadas por veículos de comunicação, 12 os próprios institutos bancaram, 8 foram pagas por partido e 5 por empresas. O valor mediano declarado é de R$ 50 mil; a mais cara custou R$ 215.479 (Quaest, contratada pelo Banco Genial, que pagou esse mesmo valor duas vezes, em abril e em julho) e a mais barata, R$ 12 mil (Instituto Sonda, em fevereiro).

As oito pesquisas pagas por partido são todas do mesmo par: o PL, partido de Moro, contratando o Paraná Pesquisas — seis vezes para o cargo de governador, sempre o mesmo instituto.

A média de Moro nas pesquisas contratadas pelo PL é 43,6%, contra 41,8% nas demais: uma diferença de 1,8 ponto, pequena. O padrão mais chamativo é outro e não tem a ver com partido — as pesquisas que os próprios institutos bancaram são as que mais dão pontos a Moro (média de 45,6%, contra 39,6% nas contratadas por veículos de comunicação). Mas as duas coisas se confundem: quem se autofinancia aqui é sobretudo o Veritá, que é justamente a casa que mais pontua Moro. Com 39 pesquisas, não dá para separar o efeito de quem paga do efeito de quem faz.

O ritmo dos registros acompanhou o calendário eleitoral: 2 pesquisas em janeiro, uma em fevereiro, quatro em março, e então a subida — 5 em junho, 7 em julho e 14 só em agosto, mês em que a campanha começou oficialmente. Sete das 39 saíram de campo depois de 15 de agosto, prazo final de registro de candidaturas.

Registrar a pesquisa no TSE é obrigação legal — a Lei 9.504/97 exige o depósito até cinco dias antes da divulgação, com o plano amostral, o custo, quem contratou e quem pagou. O registro não atesta a qualidade da pesquisa nem o acerto do resultado: é um cadastro, não um selo.

Rosiane Correia de Freitas

Rosiane Correia de Freitas

Jornalista, mestre em educação e fundadora do Plural

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