O Ministério Público do Paraná (MP-PR) denunciou à Justiça o empresário Jean Couan Kruger, de 34 anos, por homicídio qualificado de um venezuelano, ocorrido no dia 3 de março. Kruger, que é dono de uma bicicletaria no centro de Curitiba, está preso desde o dia 12. Ele já tem uma condenação, a 9 anos de prisão, por tentativa de homicídio.
O caso mais recente foi flagrado por câmeras de segurança. As imagens mostram Kruger atirando contra o venezuelano Guillermo Rafael de Maria Montes, de 42 anos, na Rua 13 de Maio, no Centro da cidade. Depois, ele arrasta o corpo de Montes para dentro da bicicletaria.
Kruger fugiu do local e se apresentou à polícia após o período de flagrante. Ele alegou que agiu em legítima defesa e que a arma seria do venezuelano. Segundo o empresário, Montes era agiota e foi cobrar uma dívida armado, os dois entraram em luta e ele conseguiu tirar a arma da mão da vítima.
A delegada Camila Cecconello, da Divisão de Homicídios da Polícia Civil, nega essa versão. De acordo com ela, o crime foi premeditado. “Foi feita uma analise preliminar do celular do suspeito, que aponta que ele comenta desde o mês da janeiro sobre a vítima e que ele fala que tem vontade de matar a vítima”, disse a delegada. Ela pediu a prisão do suspeito, que foi detido na casa da namorada, também no Centro.
Segundo Camila Cecconello, amigos da vítima disseram que o crime foi motivado por uma dívida de R$ 300. “Relataram que a vítima teria deixado uma bicicleta para consertar com o autor e que eles não teriam se entendido sobre o conserto e sobre o pagamento de R$ 300 pelo serviço”.
Para delegada, as imagens deixam claro que a arma estava com Kruger, diferentemente do que disse o autor do crime. “Analisando as imagens de câmeras de segurança, fica muito claro que o autor é que estava armado o tempo inteiro, ameaçando a vitima. A vítima não estava portando arma de fogo. Isso também foi comprovado pelo depoimento das testemunhas”.
Camila Cecconello disse ainda que, após arrastar o corpo da vítima, Kruger atirou mais uma vez. “A vítima foi executada. Pelo que vimos, foi algo planejado, não foi algo de ímpeto. A forma como foi cometido o crime foi muito cruel, já que ele efetua esses disparos na frente de terceiros, puxa o corpo ainda vivo para dentro da bicicletaria e efetua um disparo fatal, fugindo lodo em seguida, demonstrando ali a periculosidade dele e a vontade de não contribuir com a investigação criminal”.

Confiança na absolvição
A defesa de Jean Kruger disse que espera por um julgamento no Tribunal do Júri e que confia na absolvição. Segundo o advogado Jackson Bahls, a vítima integrava uma organização criminosa de agiotagem.
“Recebemos a denúncia do Ministério Público com naturalidade. Já esperávamos essa denúncia e temos a convicção de que esse processo deve ser julgado pelo Tribunal do Júri, e é nesse sentido que procederemos a defesa. No Tribunal do Júri, teremos um julgamento popular e temos a convicção de que a sociedade de Curitiba dará um sonoro ‘não’, absolvendo o Jean e afastando a possiblidade de prosperar os argumentos acusatórios, já que temos aqui um homicídio que aconteceu em legítima defesa”, afirmou.
Segundo Bahls, Kruger era vítima de agiotagem. “Há uma grande organização criminosa que opera no Centro da cidade e tem tentáculos por toda a Região Metropolitana, que procede cobranças violentas em situações de agiotagem. O Jean era vitima nesse caso. A sociedade vai fazer essa análise e vai dar um sonoro ‘não’ para essa organização criminosa. Nós temos certeza que sairemos de lá com uma absolvição”.
Quando Kruger foi preso, no dia 12, a defesa alegou que Guillermo Montes respondia por roubos em Roraima. “Diligências preliminares realizadas pela defesa apontam o caráter do senhor Guilhermo, o qual já respondeu por roubos no estado de Roraima e estava respondendo por vias de fato no Paraná, fatos que comprovam sua personalidade violenta e temor que o Jean sofreu”, afirmaram em nota os advogados Rapahel Maik Henrique Morais e Rossana Regia de Souza Almeida.
Outro crime
Jean Kruger foi condenado em 2017, a nove anos de prisão, por tentativa de homicídio contra uma pessoa em situação de rua. O crime ocorreu em 2012. Segundo a denúncia do MP-PR, Kruger agrediu a vítima com uma barra de ferro, na frente de um adolescente, quando ela dormia. Depois, deu chutes em sua cabeça. A vítima chegou a ser internada, mas morreu. Kruger alegou na época que a vítima traficava drogas e cometia furtos na região. Segundo a delegada Camila Cecconello, Jean Kruger vinha cumprindo a pena em regime aberto.