Lua | Jornal Plural
Clube Kotter
11 out 2020 - 9h29

Lua

Hoje o vocabulário, a música e a poética da novilíngua esta presente em muitos “sucessos” tocados nas rádios

Na contracapa do Long Play (LP) Coisas Que o Lua Canta, Quinteto Violado, há a seguinte dedicatória:

R.

Taí a contra-capa

Um abraço

Toinho

Recife, 05/83

Há compradores de discos – vinil – que os compram por gostarem das músicas e/ou do/a cantor/a ou da banda. Há também quem compra os discos pela arte – ilustração: desenho, fotografia, caricatura, poesia etc.. – da capa. Pela arte da capa deste disco provavelmente muita pouca gente o compraria: é um simples desenho dos componentes do Quinteto e o Lua atrás, como uma lua cheia iluminando um quinteto.

Confesso: já comprei discos só pela capa ou pelo encarte. Certo que capas e encartes bem feitos são dos/as artistas ou bandas que fazem músicas elaboradas, poéticas. As músicas destes discos não são feitas pelas ‘máquinas de fazer música’ como as do 1984. Lembram do 1984?

O Grande Irmão – Mil Novecentos e Oitenta e Quatro (1984) – de George Orwell está vivo e presente nas nossas vidas e em todos os setores da sociedade: na literatura, nos costumes, na politica, na música, na….

A “novilíngua” – do romance de Orwel – é de vocabulário sintético e reduzido, pobre, com o objetivo de diminuir a capacidade de pensar das pessoas.

Hoje o vocabulário, a música e a poética da novilíngua esta presente em muitos “sucessos” tocados nas rádios – que os diga o sertanejo universitário, que não é sertanejo e tampouco acadêmico/universitário.

Com a pobreza de ensino ofertado em algumas universidades – principalmente privadas – a novilíngua “musical” até atingi um – pequeno? – público universitário.

Não sou crítico de música e tampouco é o objetivo deste espaço. Volto à dedicatória.

Taí a contra-capa, escreve Toínho Alves.

Na contracapa há comentários sobre as músicas que estão gravadas no disco e vem assinado pelo Pelão (João Carlos Botezeli), que após terminar o texto de apresentação do disco coloca um:

P.S.: A contra-capa pode ser escrita pelo Paulo Gracindo que, além de ter dado o pseudônimo de LUA ao nosso Luiz Gonzaga, é um grande fã de vocês. Ele está na Europa, mas o Paulo Carneiro ou o Luiz Lara podem fazer contato com ele.

O Pelão escreve e assina uma contracapa que poderia ser escrita pelo Paulo Gracindo, é isto o que ele informa no P.S..

O Toinho fala – na palavra escrita – para R.: Taí a contra-capa.

Será que aqui neste – para mim – imbróglio está a razão de R. se desfazer do disco? Ele não gostou da contracapa?

A dedicatória foi feita no mesmo ano do lançamento do disco e é assinada pelo baixista do Grupo, Toinho Alves, o que significa que pelo menos houve um encontro entre o músico/ e R..

Só um encontro ou será que – são amigos – foi R. que propôs que a contracapa fosse assinada pelo Paulo Gracindo e como isto não ocorreu ele se desfez do disco?

Por que R. se desfez do disco?

Para não cansar vou colocar outra possibilidade. As duas primeiras foram o tema da última crônica: faltou espaço e teve que vender todos ou alguns discos ou foi problema financeiro. Ou ambos?

Nunca deve se afastar a hipótese de furto. Já tive LPs furtados.

Estava esquecendo: este disco não tem encarte e não tem as letras com as músicas impressas. Isto pode ter frustrado a expectativa de uma espera e consequentemente levou-o a se desfazer do disco.

Hoje além de termos as músicas fabricadas usando a “novilíngua”, a primeira-dama Michele Bolsonaro quer voltar à censura política como do passado.

Ao invés do Jair Bolsonaro responder a pergunta “por que sua esposa, Michelle Bolsonaro, recebeu 89 mil reais em depósitos de Fabrício Queiroz?”, ela quer proibir a música da banda Detonautas.

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