14 ago 2021 - 8h45

Não são apenas as comunicações que se tornaram virtuais, os instrumentos também

Amostras sonoras de instrumentos reais são utilizadas via computador para a produção de orquestrações; isso não significa que os músicos são abolidos do trabalho

O assunto de hoje não representa uma novidade, propriamente dita, porque essa tecnologia já existe desde o final do século XX. Ocorre que nos últimos tempos, cada vez mais, compositores têm lançado mão desse recurso para criar suas obras. Não tem sido diferente na indústria de música para o cinema. Estou falando da utilização dos samplers, ou instrumentos virtuais.

Tratam-se de bibliotecas sonoras que podem ser baixadas no computador e controladas por um dispositivo de hardware, como um teclado musical. Tais amostras são, na verdade, sons gravados de instrumentos reais, executados por músicos em estúdio. Nestes casos, são gravadas todas as notas disponíveis no instrumento, em diferentes articulações. Uma vez instalado esse banco de sons no computador, é possível utilizar essas amostras para a criação das mais diversas obras musicais.

Por muito tempo houve certo preconceito quanto ao uso dessas tecnologias, até porque deixavam muito a desejar em termos de realismo. No entanto, na última década ocorreu um salto considerável na qualidade desses instrumentos virtuais, fazendo com que figurões do universo da trilha sonora passassem a incorporar tais recursos em seus processos produtivos. 

Marcas

Empresas como a Native Instruments, a Spitfire Audio e a EastWest Sounds têm travado uma verdadeira batalha comercial para criar produtos cada vez mais completos e, assim, atrair o público consumidor. No mundo dos influenciadores, tais companhias agregam valor às suas marcas contando com a aprovação de compositores renomados no campo da trilha sonora de cinema. Alan Silvestri, por exemplo, gravou um vídeo em seu estúdio pessoal demonstrando o uso que faz dos produtos da Native. Pinar Toprak tem seu nome na identificação de um pacote de sons da Spitifire, que a compositora utilizou na criação da trilha sonora da série Star Girl.

Como usar

Se você tem interesse neste universo, saiba que não é difícil começar a fazer música desta maneira. Será necessário um computador com um teclado musical acoplado, uma interface de áudio (que é um dispositivo USB que permite fazer gravações no computador), um fone de ouvido ou caixas acústicas para monitorar a gravação e um software DAW (sigla em inglês para estação de trabalho em áudio digital). Depois, basta escolher a biblioteca de sons, instalar no computador e começar a utilizar.

Quanto custa?

Para usar profissionalmente será necessário um investimento inicial considerável, principalmente em função da cotação do dólar. Existem bibliotecas de vários preços, que variam conforme a quantidade de instrumentos disponíveis, a variedade de articulações, entre outros fatores. Para se ter uma ideia, somente a biblioteca de cordas desenvolvida pela Spitfire em colaboração com Hans Zimmer custa US$ 799,00. Contudo, caso suas intenções sejam modestas, você poderá fazer boa música utilizando bibliotecas de som gratuitas.

O computador é o compositor?

Quando se fala em recursos computacionais, é comum que se imagine uma verdadeira Matrix eliminando qualquer capacidade criativa e decisória por parte do ser humano. Não é o caso dessa tecnologia. Por mais que haja recursos que permitam certa automação dos processos, beirando até mesmo à criação por parte da máquina, ainda é o ser humano quem compõe a música. De nada ou pouco adianta uma biblioteca de sons altamente funcional se por trás de tudo não houver alguém que saiba o que fazer com isso. Logo, a criatividade e o conhecimento musical continuam sendo as principais ferramentas.

Para ir além

Alan Silvestri mostra seu processo produtivo utilizando instrumentos virtuais.
Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do Plural.

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