8 jun 2021 - 8h45

Quanto mais informação, menos preconceito: um panorama sobre a cannabis medicinal

Compostos concentrados de canabidiol tratam epilepsia, Mal de Parkinson, Alzheimer, autismo, quadros neurodegenerativos e câncer

Imagine ter uma filha ou filho que passa por 50 crises convulsivas em um só dia. Ou uma mãe ou pai que sofre com dores crônicas e tremores incontroláveis. Agora imagine que eles tenham passado por inúmeros tratamentos convencionais sem sucesso. Até encontrar alívio em algumas gotas de óleo terapêutico.

Compostos concentrados de canabidiol (CBD) isolado ou com menos de 0,2% de THC na formulação são altamente eficazes. Tratam epilepsia, Mal de Parkinson, Alzheimer, autismo, quadros neurodegenerativos, câncer e muitas outras doenças.

Hoje são conhecidos mais de 170 fitocanabinoides, sendo o CBD e o THC os mais abundantes. O CBD não tem efeitos psicotrópicos e é mais regularmente utilizado na medicina, atuando como vasodilatador, regulador cerebral e muscular, anti-inflamatório, neurotransmissor e analgésico, com resultados significativos para centenas de famílias.

No Brasil, a comercialização do canabidiol é realizada por uma farmacêutica, única a receber autorização da Anvisa. É um monopólio que junto com as altas taxas de importação inviabilizam o uso do medicamento: um frasco de 30 ml de óleo composto custa, em média, entre 2,5 e 3 mil reais.

Para que mais famílias tenham acesso à cannabis medicinal, tramita no Congresso Nacional o Projeto de Lei n.º 399/2015, com relatoria do deputado federal pelo PSB e ex-prefeito de Curitiba Luciano Ducci. O projeto regulamenta no Brasil o plantio de cannabis por pessoas jurídicas, associações e ONGs, unicamente com objetivo terapêutico. A previsão é que em 36 meses após a liberação do cultivo, o país tenha 3,9 milhões de pacientes.

Curitiba também tem presenciado avanços. A cidade tem duas clínicas voltadas à terapia canabinoide e está prestes a ganhar uma nova associação de pacientes e familiares, a Associação Maconha e Saúde (Satiba). A assembleia de fundação acontece no dia 23 de junho, às 19h30, via plataforma Zoom, em respeito às restrições da pandemia.

Além disso, está pronto para votação na Câmara Municipal o Projeto de Lei n.º 031.00008.2021, de minha autoria, que prevê esclarecimentos sobre os produtos à base de cannabis para fins medicinais.

Mesmo que tímidas diante dos ganhos que tal terapia pode trazer, essas conquistas são passos importantes no combate a informações ultrapassadas que tanto prejudicam a saúde. O tratamento canabinoide é seguro, eficaz e comprovado. Que ele siga avançando junto com a melhora de mais e mais pacientes.


Para ir além

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do Plural.

2 comentários sobre “Quanto mais informação, menos preconceito: um panorama sobre a cannabis medicinal

  1. Mais informação e acesso ao medicamento
    é o que a sociedade precisa.
    Só com mais informação o preconceito
    irá diminuir. Parabéns, vereadora

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