19 maio 2022 - 8h13

“Plural” o portal “Singular”!

Em países onde a democracia é mais madura, alguns veículos de imprensa marcam seu posicionamento político, outros mantém-se imparciais

“A democracia é a pior forma de governo, com exceção de todas as demais.” Essa frase teria sido dita por Winston Churchill, em 1947.

A democracia, embora repleta de problemas, continua sendo a melhor forma de governo comparada aos demais sistemas conhecidos. Na democracia as pessoas são livres, e isso por si só já é um grande feito. 

E é especificamente sobre a liberdade de imprensa que quero comentar hoje: esse pilar da democracia é importante para garantir que os poderes e poderosos sejam fiscalizados e denunciados, sem mordaças, sem medo. Jornalismo sem liberdade não é notícia, é propaganda.

Em países onde a democracia é mais madura, alguns veículos de imprensa marcam seu posicionamento político, outros mantém-se imparciais.

Aqui no Brasil a maciça maioria dos nossos veículos de imprensa “juram de pé junto” que são imparciais, mas basta uma corrida de olho pelos seus editoriais para perceber que eles têm, sim, uma posição política clara. Talvez falte apenas coragem para assumir. 

Neste sentido parabenizo a Gazeta do Povo, um dos maiores portais de notícias do Brasil, que teve coragem de assumir que é de direita e conservador. (Você pode concordar, ou discordar do que eles defendem, mas você já sabe o que esperar dos seus editoriais).

Enquanto isso, portais que se autodeclaram “Plurais” são na verdade “singularmente de esquerda”. Fazem todo malabarismo jornalístico necessário para defender as pautas da esquerda, e, claro, criticar quem pensa diferente.

Os jornalistas desses portais nada plurais rezam toda a cartilha da esquerda. Recentemente fui chamada de racista por sugerir uma alternativa de solução para o problema do racismo. E a esquerda funciona assim: 

  • Primeira regra: você só pode falar sobre um assunto que a esquerda defende se você também for de esquerda. 
  • Segunda regra: se você ousar desrespeitar a primeira regra, você deve seguir rigorosamente a mesma defesa que eles defendem, sob pena de ser chamado de racista, homofóbico, sexista, misógino, etc.

Eu ousei não me curvar aos mandamentos da esquerda, e na ocasião em que tramitava na Câmara Municipal de Curitiba um projeto de uma vereadora de esquerda, que pretendia criar cotas raciais para os concursos públicos municipais com a desculpa de que isto resolveria o problema do racismo, eu não me calei. Reconheci a existência do problema em discussão (racismo) e sugeri que as cotas fossem destinadas às pessoas de baixa renda, pois dessa forma estaríamos atendendo a população mais pobre, que majoritariamente é negra; atenderíamos também pessoas pobres que não são negras mas também sofreram com falta de acesso à educação de qualidade, e deixaríamos de beneficiar pessoas negras de renda mais alta. Fiz essa sugestão por entender que esse é um critério mais justo, e principalmente é um critério OBJETIVO! Diferente das cotas raciais que utilizam um critério extremamente SUBJETIVO e de difícil julgamento.

RACISTA: esse foi o resumo que muitos, dizendo-se imparciais, tentaram colar em mim por minha defesa sincera e baseada em argumentos científicos acerca daquilo que acredito.

Mais recentemente, acontece na Câmara o julgamento do processo ético-disciplinar contra o vereador que entrou e realizou atos políticos dentro da igreja, aqui em Curitiba (fato que teve repercussão nacional), e mais uma vez os jornalistas plurais não mediram esforços para reverenciar o vereador que defende pautas de esquerda: ignoram o debate real e acusam os vereadores de Curitiba de julgar o colega pela cor da sua pele, ou pelo que ele representa, mas não pelos atos que teriam sido praticados pelo vereador Renato Freitas.

Defendo a liberdade de imprensa, e defendo inclusive que os portais ou blogs de notícias sejam corajosos a ponto de “saírem do armário”, e marcarem seus posicionamentos políticos. Mas para isso é preciso ter coragem.

Enquanto isso, se você busca entretenimento: continue lendo “Plural”.

Mas se você busca NOTÍCIA: sugiro que procure um portal mais sério.

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do Plural.

18 comentários sobre ““Plural” o portal “Singular”!

  1. Infelizmente, não há como “desler” algo, e isso era o que eu desejava após ler alguns excertos do “texto” da edil.
    É esse tipo de postura que retirará o vereador que mais tem cara de povo na Câmara Municipal.

    1. Povo não é só minoria, não é quem desrespeita leis, que toma dezenas de multas usando carro oficial, que faz baderna em igreja…

  2. Texto excelente. Desvela a hipocrisia deste jornal e de grande parte da imprensa, que insiste em relevar as falcatruas da tal “esquerda”.

  3. Muito bem colocado pela vereadora.
    E, independente de ser de direita ou esquerda, o importante é discutir com embasamento, algo que falta hoje em dia.

  4. “Jornalismo sem liberdade não é notícia, é propaganda.”

    Parabéns pela coragem, Amália! Politicas públicas devem ser formuladas com base em evidências e com adequação aos resultados esperados. E condutas devem ser julgadas de acordo com a lei, independentemente de quem as tenha praticado. Isso é Estado Democrático de Direito. O resto é autoritarismo com verniz.

  5. Sempre tratando de temas polêmicos com muita serenidade e sabedoria. Parabéns, Amália! Precisamos de mais pessoas como você na política.

  6. Parabéns vereadora, texto excelente, mostrando que precisamos ter a coragem de enfrentar a hipocrisia de frente. A responsabilidade do cargo deve ser levada a sério, precisamos ter políticos de verdade, que se importem com o uso do dinheiro público.

  7. Prezada sra. Tortata. A senhora aplaude a Gazeta por assumir seu reacionarismo e bate num jornal de esquerda por assumir sua posição de defensor das causas humanitárias. Muito interessante. Só a direita tem direito à voz?

  8. Obrigada pelo texto, Vereadora! O jornal Plural acabou de ganhar a minha assinatura. Ressalto que antigamente eu era assinante da Gazeta do Povo.

  9. Maravilha. Agora quero ver conseguir um espaço na Gazeta do Povo para elogiar o Plural. Rola? Aí saberemos mesmo quem é plural e quem não é. 😉

  10. Manda a “novata” escrever defendendo pautas de esquerda na Gazeta. Hahaha. A tipa fala de “hipocrisia”, mas é uma hipócrita, das maiores.
    Coitado de quem acredita nessa mulher!

  11. A direita funciona assim: 

    Primeira regra: você só pode falar sobre um assunto que a direita defende se você também for de direita. 
    Segunda regra: se você ousar desrespeitar a primeira regra, você deve seguir rigorosamente a mesma defesa que eles defendem.

  12. Você sabia que já existe cota por renda? Decerto não deve ter pesquisado antes de propor isso, ou só queria lacrar para os seus eleitores que vivem numa bolha? E quantos negros a senhora conhece ou consultou antes de encher a boca para falar bobagens sobre racismo? Quer ser uma vereadora de direita, seja: isso sim faz parte da democracia e da pluralidade. Mas estude um pouco antes de falar bobagens, em respeito aos seus eleitores. É perfeitamente possível ser de direita e não ser ignorante…

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