Uma dupla vitória na hora do voto | Jornal Plural
18 nov 2020 - 16h35

Uma dupla vitória na hora do voto

Como o Plural tem destacado, a presença feminina na política cresce e se consolida, sepultando uma lamentável e histórica discriminação

Aguardando a posse dos eleitos e comemorando o contínuo crescimento da presença feminina na política, há quem tenha destacado algo que parecia impossível até 2010, ano em que Dilma Rousseff entrou para a história como a primeira mulher presidente do Brasil – com mais de 56% dos votos válidos.  

E, ainda com base em registros de época passadas, é preciso combater (permanentemente) as canalhices contra as mulheres. Um episódio: em 2014, de plantão em um bar de Curitiba, na reta final da apuração, todo mundo de olho na TV, há quem tenha ouvido o comentário calhorda de um sujeitinho quando Dilma Vana Rousseff foi proclamada eleita:  

– Ganhou, mas não vai assumir. Tem 1.200 soldados prontos para impedir a posse…  

Isso mesmo, não uma tropa ou batalhão, mas precisamente 1.200 soldados.  

E não era o tal do Jair, mas, certamente, um futuro bolsominion…  

Consolidando um direito  

Além da cota de 30% de candidaturas femininas, na eleição municipal, tinha entrado em vigor as novas regras da reserva de, no mínimo, 30% dos fundos eleitoral e partidário e a aplicação do mesmo percentual ao tempo de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão para as mulheres. Com a obrigatoriedade dos partidos de fazer a divulgação dessas candidaturas, conforme noticiou a Agência Senado.

E, agora como bem destacou o Plural, a representatividade feminina nos poderes Legislativo e Executivo ainda é pequena, mas a cada eleição ocorre um avanço. Na Região Metropolitana de Curitiba, das 29 cidades, três delas serão comandadas por prefeitas, “o que nunca ocorreu na história política de duas delas”, como bem ressaltou reportagem de Mauren Luc.  

Indiara Barbosa, ao lado do fundador do Novo, João Amoedo. Crédito da foto: arquivo pessoal

Sobre Indiara Barbosa, a vereadora mais votada de Curitiba, Rogério Galindo destacou que a candidata do Novo obteve 12 mil votos afirmando durante a campanha que vai fiscalizar a prefeitura.  

E tem mais:  

– Os milhares de eleitores que apostaram suas fichas na jovem Ana Júlia Ribeiro passaram a noite de domingo (15) roendo as unhas. Em alguns sites, a candidata chegou a ser dada como eleita. Em outros, aparecia fora. A contagem do TRE emperrou e ninguém sabia se podia comemorar ou não.  

No fim, a primeira campanha de Ana Júlia, de apenas 20 anos de idade, terminou com a conquista de uma primeira suplência. Nem de longe, porém, isso acabou com uma certeza: foi o primeiro passo de uma caminhada. Apenas 2 anos depois da maioridade, Ana Júlia teve a confiança de 4,5 mil eleitores e foi mais votada do que 18 vereadores eleitos.  

“Claro que a gente queria a cadeira na Câmara, mas eu fiquei feliz de qualquer jeito”, declarou a candidata, encarando tudo com bom humor. “Imagina, eu tive mais voto do que muita gente que tem idade pra ser meu pai lá na Câmara”, disse ela, estampando um cativante sorriso.  

É para comemorar  

Carol Dartora, primeira vereadora negra de Curitiba.

Segue um destaque da Agência Senado:  

– A vereadora Carol Dartora (PT), eleita com 8.874 mil votos nas eleições municipais deste ano, é a primeira mulher negra eleita vereadora na capital do Paraná, segundo a Câmara Municipal de Curitiba.  

Além do registro recorde de candidaturas femininas em 2020 na disputa pelas prefeituras e câmaras municipais, o total de mulheres eleitas, reeleitas ou que ainda concorrerão no segundo turno também cresceu. Os resultados finais serão consolidados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até sexta-feira (20). Até o momento, dados oficiais mostram que para 12,2% das prefeituras foram eleitas mulheres. Na eleição de 2016 esse número foi de 11,57%.    

Em ascensão  

Do ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE):  

– Tivemos um aumento ainda não suficientemente expressivo, mas no Brasil há uma curva ascendente na participação feminina nos processos eleitorais. No Congresso Nacional, esse número, que ainda é insuficiente, aumentou para 15%. E nós fizemos uma grande campanha de atração de mulheres para a política.  

E, pela primeira vez, uma mulher foi a mais votada para a Câmara Municipal de Curitiba. Com 12.147 votos, Indiara Barbosa (Novo) se elegeu para o seu primeiro mandado. E declarou a analista contábil: “Quero ser um exemplo para outras mulheres, para que ocupem mais posições de liderança”.  

Autorização do maridão

Alzira Soriano, primeira mulher eleita prefeita no Brasil.

No Brasil, a mulher só obteve direito ao voto em 1934, quando o governo Vargas regulamentou o voto feminino. Mas quem era casada tinha que apresentar autorização do marido. No entanto, no Brasil continental, geográfica, política e administrativamente desunido, temos que a primeira prefeita do país foi Alzira Soriano, eleita em Lages, Rio Grande do Norte, em 1928. Antes mesmo de as mulheres conquistarem o pleno direito ao voto. E, pela primeira vez em toda a América Latina, um cargo do Poder Executivo foi ocupado por uma mulher.  

Vale lembrar que as restrições ao voto feminino foram banidas quando da publicação do Código Eleitoral, em 24 de fevereiro de 1932. E, com a publicação do Decreto n.º 21.076, foi instituído no Brasil o voto secreto, a Justiça Eleitoral, e o voto feminino nacional.  

PS: parabéns a todas as mulheres (eleitas ou não) que participaram da batalha eleitoral.  

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do Plural.

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