No rastro do Rastro do Conselheiro | Jornal Plural
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30 out 2019 - 21h25

No rastro do Rastro do Conselheiro

Pesquisador busca imagens de Antonio Conselheiro em 200 localidades

Missão cumprida, ou quase. E quem está de volta a Curitiba é o amigo Alberto Viana, o Baiano, companheiro de muitas jornadas. Como se sabe, ele vem trabalhando – e bota trabalho nisso – no projeto No Rastro do Conselheiro, reunindo uma documentação fotográfica simplesmente impressionante. Basta ver que a jornada implica na visita a 200 localidades por onde passou Antônio Conselheiro, entre 1860 e 1893. Uma história brasileira em fotografia, como já foi definida por estudiosos do assunto.

Antônio Conselheiro (1830-1897) liderou um movimento religioso que reuniu milhares de seguidores no arraial de Canudos. E esteve à frente da resistência na chamada Guerra de Canudos, episódio ocorrido na Bahia entre 1896 e 1897, como registra o livro Os Sertões, de Euclides da Cunha. Guerra, opressão, miséria, esperança e resistência.

República x monarquia

Com apoio de latifundiários, o governo da Bahia não aceitava o que estava ocorrendo em Canudos: seus habitantes não pagavam impostos e ignoravam as leis estabelecidas pelo poder central. Consta também que Antônio Conselheiro defendia a volta da Monarquia, que havia sido substituída pela República em 1889.

Conversas Fotográficas

No dia 22 deste mês, em Juazeiro do Norte, o nosso Baiano esteve no Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri (CCBNB). Apresentado como fotógrafo, jornalista, professor e produtor cultural, participou de um bate-papo com outros profissionais da região. “Com extenso currículo de grandes contribuições para o fotojornalismo e para a fotografia brasileira, o convidado participou do projeto Conversas Fotográficas, realizado pelo festival Foto Kariri”. O projeto é realizado originalmente pela Poesia da Luz, que integra o Foto Kariri. O primeiro festival de fotografia e artes visuais do Cariri será realizado no próximo ano.

Trabalho de primeira

O nosso Baiano nasceu em Vitória da Conquista. Veio para Curitiba em 1969. Entre 1976 e 1996, trabalhou para vários jornais e revistas, do Paraná e do Brasil. Foi responsável por criar as agências Ateliêr de Fotografia e Konexão. Realizou sete mostras individuais e participou de várias outras coletivas, no México, na Itália, no Equador, entre outros países. É membro fundador da Rede de Produtores Culturais da Fotografia no Brasil.

Sobre o trabalho que está realizando, “nas profundas do Sertão Nordestino, sob uma temperatura de 40, 45 graus”, comenta:

-Muitas histórias e muita emoção no coração!

E um dos seguidores, não deixa por menos:

– Quero aqui homenagear o meu velho amigo Alberto Melo Viana, baiano paranaense, que nesse momento segue a trilha de Antônio Conselheiro. Sigo feliz a sua trilha, comodamente sentado diante da telinha, me emociono e me surpreendo a cada momento com as imagens que nos envia diariamente, com um olhar generoso sobre o povo e as plagas daquele Brasil.

Das imagens ao papel

Considerado o primeiro livro/reportagem brasileiro, Os Sertões, de Euclides da Cunha, foi publicado em 1902. Euclides da Cunha acompanhou uma parte do conflito como correspondente do jornal A Província de S. Paulo, que depois se tornaria O Estado de S. Paulo.

Outros livros sobre Canudos:

– A Guerra Social de Canudos, Edmundo Moniz, Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 1978.

– Canudos – A Luta Pela Terra, também de Edmundo Moniz, Rio de Janeiro: Gaia/Global, 2001.

– António Conselheiro e Canudos, Ataliba Nogueira, São Paulo, Editora Atlas S.A., 1997.

E, é claro, A Guerra do Fim do Mundo, Mario Vargas Llosa, Barcelona, Editora Objetiva, 1981.

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