As raízes do mal | Jornal Plural
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3 fev 2020 - 22h28

As raízes do mal

Preocupado com o caráter subversivo do partido que deu origem ao Nazismo, o governo alemão infiltrou Hitler para influenciar o grupo

O exemplar é o número 5, de 2019 – mas, como é muito mais do que uma revista, passou a ocupar espaço na prateleira de livros. Ler, recomendar e guardar para eventuais consultas. Está ao lado das gloriosas edições da Revista Civilização Brasileira, a velha RCB, publicação mensal que circulou de março de 1965 a 1968, graças ao editor Ênio Silveira, da Editora Civilização Brasileira. O tal exemplar: Momentos da História – Nazismo: a ideologia por trás da tragédia, editora Alto Astral.

Nele temos que, em janeiro de 1919, o Partido dos Trabalhadores Alemães (DAP) entrava em cena: “Com a crise socioeconômica pós Primeira Guerra Mundial surgiram na Alemanha diversos grupos nacionalistas com o propósito de defender os ideais da pátria”. Embora nanico, com cerca de 60 membros, o DAP preocupava o governo pelo caráter subversivo: assim, o exército nomeou Adolf Hitler, “um dos inúmeros soldados encostados por conta do final da guerra”, para entrar no pequeno partido e influenciar o grupo. Ainda da revista/livro: “Curiosamente, o austríaco foi admitido como o membro 555, já que o partido sempre adicionava o número 500 para dar impressão de grandeza”.

Defendendo a raça ariana, o “protagonismo do Estado e da guerra, para recuperar os territórios perdidos” e, com uma bandeira definida, o partido mudou de nome, passando a ser Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei (Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães). Duro de escrever em português, imagine em alemão…

E a revista/livro mostra as manias, paixões e esquisitices do ditador Adolf Hitler, traz a lista os financiadores do nazismo (poderosos empresários e uma série de empresas, entre elas algumas que faturam alto até hoje) e o neonazismo (os ideais racistas continuam fazendo estragos – inclusive no Brasil).

Hitler por um erro de grafia

Recheada de fotos da época, a Momentos da História revela que Alois, o pai do nazistão, “foi gerado fora do casamento e, assim, não tinha o sobrenome de seu progenitor, que na verdade era Hiedler. Mas, com ajuda de um padre, conseguiu a concessão do reconhecimento de paternidade. Porém, na hora de escrever o nome, trocou Hiedler por Hitler – e o estrago nunca foi corrigido”. E tem mais: “Os erros eram mais comuns do que se imagina: entre outros nomes dos antepassados de Hitler aparecem Hoedler e Hüttler”, além do Hiedler”.

Ele se autoproclamava gênio

Ainda da revista/livro: em um discurso, Hitler, “em demonstração de endeusamento próprio sem nenhuma preocupação com a modéstia, afirmou que não queria ter filhos”:

– Já observei que descendentes de gênios sofrem demais…

Preocupado com a imagem, Hitler não aparecia em público usando óculos, já que isso, para ele, era “sinal de debilidade”. E uma anomalia envergonhava Hitler: a criptorquia, que se caracteriza por “somente um de seus testículos ter descido à bolsa escrotal”. Vai daí que, na Segunda Guerra Mundial, soldados britânicos, para provocar o ditador alemão, cantavam: “Hitler has only got one ball” – “Hitler só tem uma bola”.

Ato de misericórdia (alheia)

O soldado Hitler teve muita sorte e escapou da morte na Primeira Guerra Mundial: em setembro de 1918, durante uma batalha, “um soldado britânico (Henry Tandey) chegou a apontar a arma diretamente para o futuro ditador, mas, ao ver que o inimigo estava ferido, teve misericórdia e poupou sua vida”.  O bom salvando o mau caráter.

Nobel da Paz e Homem do Ano

Não poucos encheram a bola de Hitler, como destaca a revista/livro: em 1939, na Suécia, o deputado E.G.C. Brandt “fez uma sugestão que seria irônica se não fosse trágica”: a indicação do tirano para o prêmio Nobel da Paz. Isso, certamente, por ajuda da revista Time, que, no ano anterior, havia brindado Hitler com o título de Homem do Ano

Ainda de Momentos da História – NazismoNeonazismo – os ideais racistas fazem estragos até os dias de hoje – inclusive no Brasil.

Certas coisas são totalmente previsíveis.

PS: a Revista Civilização Brasileira fica para o próximo texto.

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