Greca está quieto; Ratinho sumiu. E cadê um líder para combater o vírus? | Jornal Plural
14 jun 2020 - 10h27

Greca está quieto; Ratinho sumiu. E cadê um líder para combater o vírus?

É evidente a essa altura que fechar tudo é o melhor caminho. mas para isso é preciso coragem

Virou modinha dizer que isso que estamos vivendo com o coronavírus é uma guerra. Pois bem: imaginem se durante a Segunda Guerra Mundial Winston Churchill, o homem que nos livrou de uma vitória nazista, ficasse tentando agradar os amigos ao invés de tomar as medidas necessárias. Ou ficasse com medo de desagradar. Ou simplesmente sumisse.

Falar em liderança é uma das grandes epidemias de nosso tempo. As pessoas fazem cursos para líderes. São incentivadas desde cedo a liderar – como se fosse possível todo mundo ser líder, ou desejável (mas esse é outro problema para outra hora). Os políticos fazem campanha prometendo liderança competente. Mas e na hora do vamos ver?

Nem é bom falar do presidente; só serve para azedar o dia. Além do mais, é um caso perdido, que só se resolve no dia em que sair do cargo. O que, esperemos, não há de demorar. Vamos ficar com os exemplos locais: o governador Ratinho e o prefeito Greca.

Rafael Greca (DEM), sempre espalhafatoso, de repente começou a se comportar como um monge budista. Dia desses, rompeu seu voto de silêncio e falou as bobagens de costume num vídeo que vazou na Internet, pondo a culpa de tudo em idosos e deficientes.

Ratinho Jr. (PSC) não tem sido encontrado nem mesmo por quem foi criado olhando os livros da série Onde Está Wally? O governador, que prometeu ser um líder, simplesmente desapareceu dos olhos do público, deixou a lojinha nas mãos de Beto Preto e sabe-se lá o que anda fazendo da vida.

Nenhuma frase inspiradora, nenhum exemplo de coragem. Ok: ninguém precisa ter o dom de oratória de um Churchill. Nem a coragem de um Abraham Lincoln. Mas se esconder da realidade é o oposto do que deviam fazer esses senhores para quem pagamos polpudos salários.

O pior, no entanto, talvez seja a covardia na hora de atacar de frente o problema. É evidente a essa altura da pandemia que fechar tudo é o melhor caminho para as coisas passarem rápido. Que abrir concessões é o atalho para a perdição.

E no entanto Rafael Greca deixa que seus amigos concessionários de ônibus reduzam a frota, para que os passageiros andem mais apertados; deixa que seus amigos donos de shopping permaneçam abertos, contrariando sua própria decisão. Fechada o tempo todo, desde o começo da pandemia, só mesmo a escola, que essa nunca foi essencial.

Ratinho começou bem, foi até mais duro do que a maioria de seus colegas. Apesar de seu bolsonarismo crônico, estava tomando medidas acertadas. Depois cedeu pateticamente aos apelos para afrouxamento da quarentena. E o resultado está aí: mortes e mais mortes acontecendo em todo o estado.

Fica a dica para a próxima eleição: falar em liderança é só truque de marketing. Líder mesmo é quem não fica em cima do muro, se mexe, dá exemplo, fala coisas desagradáveis quando é necessário. E isso depende de caráter, não de palavras vazias.

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do Plural.

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