Andersen, Nielsen e uma sereiazinha | Jornal Plural
23 set 2020 - 21h21

Andersen, Nielsen e uma sereiazinha

A Pequena Sereia: vale a pena ler o conto de Hans Christian Andersen e assistir ao desenho da Disney

A Pequena Sereia, desenho animado da Disney – que eu assistia com os meus filhos em VHS – é tão bom que me fez comprar o DVD. Lançada em 1989, foi a primeira animação do chamado Renascimento da Disney. Olhando os extras, e lendo o conto de Hans Christian Andersen, pesquisei um pouco mais.

Em 1989, as animações eram feitas de modo muito diferente. A música era uma das principais preocupações, e no caso da Pequena Sereia elas foram compostas por Alan Menken, enquanto o resto da equipe decidia como seria o desenho da personagem e da bruxa.

Os cabelos ruivos de Ariel, por exemplo, foram debatidos por toda a equipe. Decidiu-se por eles por causa do contraste que fariam com o azul do mar.

A canção “Under the Sea”, “Onde eu Nasci” na versão brasileira, é um primor de composição. Mesmo traduzida – aliás, as versões brasileiras dos desenhos da Disney merecem menções honrosas; basta lembrar da voz de Selton Mello em A Nova Onda do Imperador ou de Zezé Motta fazendo a bruxa da Pequena Sereia – a canção inovou na época ao trazer a rumba, ritmo dançante, e na canção “Kiss the Girl” ou “Beije a Moça”, numa pegada romântica.

Na época que a Disney começou a discutir qual animação fariam, um dos roteiristas sugeriu o conto de fadas de Andersen. A partir daí, descobriram que o estúdio já tinha um estudo do mesmo conto. E as magníficas ilustrações de Kay Nielsen, dinamarquês como Andersen, que trabalhou para a Disney nos anos 50. Que ilustrações!

O conto de Andersen não tem o final feliz do desenho. A sereiazinha se apaixona por um príncipe, mas não se casam.

No conto, ela salva o príncipe de um naufrágio. Mas é uma moça de um convento que ele vê primeiro. Tem também uma bruxa, uma poção e a voz da sereia em troca. Ela se torna humana, o príncipe se afeiçoa dela, mas casa-se com aquela moça que ele tinha visto. No final, em vez de se cumprir a maldição da bruxa, as almas do ar a salvam. A sereiazinha morre, mas conhece Deus e a imortalidade.

Vale a pena ler o conto de Andersen e assistir ao desenho. O conto fala sobre a impossibilidade de alcançar o amor, mas a bondade e o amor são compensados pela imortalidade. A animação da Disney fala sobre rebeldia e conciliação (com o pai) pelo perdão e pelo amor entre o rei dos mares e sua filha favorita.

Aqui vai um trechinho do conto:

“A Pequena Sereia pôde contemplar o palácio do pai. As luzes do salão de baile estavam apagadas. Certamente, lá estavam todos dormindo a essa altura. Mas não se atreveu ir vê-los, pois agora estava muda e prestes a deixá-los para sempre. Ela sentiu como se seu coração fosse partir de tanta dor. Entrou secretamente no jardim, pegou uma flor dos leitos de cada uma das irmãs, soprou mil beijos em direção do palácio e depois subiu à superfície através das águas azul-escuras”.

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do Plural.

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