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UFPR critica invasão de prédio histórico pela PM; palestra de Chiquini e Kilter havia sido cancelada antes de confusão

Representantes da universidade alertaram advogado e vereador expressamente a não entrar no prédio; segundo UFPR, os dois forçaram entrada e deram início a tumulto

UFPR critica invasão de prédio histórico pela PM; palestra de Chiquini e Kilter havia sido cancelada antes de confusão
Foto: Tami Taketani/Plural
Publicado:

A Polícia Militar do Paraná invadiu o prédio da Universidade Federal do Paraná (UFPR) na noite desta terça-feira (9), num ato raro e considerado grave pela gestão da instituição. Os policiais entraram no prédio histórico da UFPR, na Praça Santos Andrade, depois que estudantes impediram a entrada do advogado Jeffrey Chiquini e do vereador Guilherme Kilter (Novo) no Salão Nobre.

A palestra dos dois havia sido cancelada e a a instituição diz ter orientado expressamente os dois a não entrarem no prédio. No entanto, eles insistiram em entrar, o que causou uma grande confusão com os manifestantes.

A PM não tem jurisdição sobre prédios federais e não pode entrar no local. Além disso, segundo nota emitida pela Direção da Faculdade de Direito, a atuação da polícia não foi solicitada pela universidade - ninguém sabe quem chamou a PM até o local.

Depois de entrar no prédio, a polícia nitidamente tomou partido de Chiquini - um advogado conhecido acima de tudo por defender PMs que respondem a processo por terem matado pessoas em serviço. Os policiais, armados e com escudos, chegaram a disparar balas de borracha e feriram pelo menos uma aluna. Um estudante de Ciências Sociais foi preso.

Na nota sobre o tema, a Direção do Curso de Direito da UFPR afirma que a ação da PM foi "indevida e desproporcional". "A Faculdade de Direito da UFPR não compactua com nenhuma forma de violência. Reafirmamos nosso compromisso com a convivência democrática no ambiente universitário. Responsabilidades todas serão apuradas devidamente", diz o texto.

Palestra cancelada

A palestra de Kilter e Chiquini, sobre Estado de Direito e possíveis abusos do Supremo Tribunal Federal no caso do julgamento de Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe de Estado, foi organizada a convite de uma professora do curso. Os dois convidados são militantes da direita, ligados ao bolsonarismo, e têm manifestado visões extremadas sobre o tema.

Alunos da UFPR se manifestaram desde o primeiro dia contra a realização da palestra e avisaram que não permitiriam que o evento ocorresse. Minutos antes do horário previsto para o início da fala, a palestra foi cancelada. Representantes da UFPR foram até Kilter e Chiquini e orientaram os dois a não entrar no prédio.

Apesar dos avisos, os dois insistiram e entraram no prédio histórico. Do lado de dentro, encontraram um cordão de isolamento feito por alunos para impedi-los de entrar no Salão Nobre. Os dois lados acabaram se exaltando e houve provocações de parte a parte. Manifestantes jogavam copos de refrigerante em Kilter e Chiquini, que chamavam os alunos de "bandidos" e "comunistas".

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Em suas redes sociais, mais tarde, Chiquini chegou a afirmar, sem provas, que havia "muita gente drogada" na manifestação.

O vereador e o advogado acabaram se vendo acuados e se refugiaram na Sala dos Professores do Curso de Direito. Mais tarde, ao saírem de lá, receberam apoio da Polícia Militar, que atuou de forma ilegal e com violência contra os estudantes.

Veja a nota completa do curso de Direito da UFPR:

A Direção da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná informa que o evento previsto para ocorrer em 09/09 no Salão Nobre foi cancelado pela organização minutos antes de sua realização.

Mesmo após o cancelamento e a orientação expressa da Vice-Direção para que não ingressassem no prédio, os palestrantes forçaram sua presença em adentrar ao espaço. A partir disso, intensificaram-se as manifestações estudantis e, sem que houvessem sido acionadas institucionalmente, forças de segurança pública ingressaram no prédio histórico indevidamente e atuaram de forma desproporcional.

A Faculdade de Direito da UFPR não compactua com nenhuma forma de violência. Reafirmamos nosso compromisso com a convivência democrática no ambiente universitário. Responsabilidades todas serão apuradas devidamente.

Rogerio Galindo

Rogerio Galindo

Jornalista, um dos fundadores do Plural.

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