O governador Ratinho Júnior (PSD) ofereceu ajuda ao Rio de Janeiro após a ação policial que deixou ao menos 119 mortos nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio, na terça-feira (28). A informação foi dada pelo secretário da Segurança Pública do Paraná, Hudson Teixeira, em entrevista na manhã desta quarta (29), para falar sobre o balanço de homicídios dolosos no estado.
Teixeira disse que conversou na terça com o secretário da Segurança do Rio, Victor César dos Santos, após uma ordem de Ratinho Júnior para colocar as forças de segurança do Paraná à disposição do governador Cláudio de Castro (PL). O apoio poderia envolver materiais e efetivo das forças especiais do estado, mas teria sido recusado pelo governador do Rio.

A Operação Contenção teve a participação de aproximadamente 2,5 mil agentes da Polícia Militar e da Polícia Civil do Rio. O objetivo era cumprir 180 mandados de busca e apreensão e 100 mandados de prisão, expedidos pela Justiça contra suspeitos de integrar a facção criminosa Comando Vermelho.
Nesta quarta, o governo do Rio atualizou o número de mortos para 119, entre eles quatro policiais. O número supera os 111 mortos do episódio conhecido como Massacre do Carandiru, em 1992. Durante a madrugada desta quarta, cerca de 70 corpos foram encontrados por moradores no Complexo da Penha em uma área de mata.

"Um sucesso"
Definida como um "sucesso" pelo governador Cláudio de Castro, a ação repercutiu em todo o mundo e foi criticada por ativistas e especialistas da área da segurança pública. “O que há de novo nesse massacre? Apenas a sua extensão, a quantidade de mortos. O que não há de novo é essa política de segurança pública, a destruição da vida do morador de comunidade", criticou o presidente da organização não governamental Rio de Paz, Antônio Carlos Costa, segundo a Agência Brasil.
Professora do Departamento de Segurança Pública da Universidade Federal Fluminense (UFF), Jacqueline Muniz disse à Agência Brasil que a operação foi "amadora" e uma “lambança político-operacional”. Depois da ação, Cláudio de Castro culpou o governo federal, que teria se recusado a ceder blindados das Forças Armadas. Segundo o governador, os confrontos ocorreram em áreas de mata, o que comprovaria que as vítimas tinham ligação com o crime.

Os ministros Ricardo Lewandowski, da Justiça e Segurança Pública; Macaé Evaristo, dos Direitos Humanos e Cidadania; e Anielle Franco, da Igualdade Racial, fariam uma reunião na tarde desta quarta com o governador do Rio.
Menos homicídios no Paraná
Na entrevista desta quarta, Hudson Teixeira afirmou que o Paraná teve uma queda de 29% nos homicídios dolosos (1.214 para 865 ocorrências) entre janeiro e setembro de 2025, na comparação com o mesmo período de 2024. Os dados são do Centro de Análise, Planejamento e Estatística (Cape), da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp). De acordo com a Sesp, foram 1.498 casos de janeiro a setembro de 2018, número que caiu para 1.306 no mesmo período em 2023; e para 1.214, em 2024.