Ainda no embalo do começo do ano, apesar de parecer que aconteceu décadas atrás, tem uma coisa que acho bem legal. Pode parecer como aquelas promessas de virada de ano, mas os desafios de leitura são uma forma bem interessante, divertida até, de ler livros diferentes e descobrir novas leituras.
Uma coisa que percebi ao longo dos anos trabalhando com livros é que a maioria das pessoas que lê acaba se acomodando. É normal buscarmos por livros e autores similares ao que já sabemos que gostamos. Às vezes da mesma época, nacionalidade ou até a mesma personagem. Nas livrarias quando pedem por uma indicação é comum dar como referência os livros que lemos recentemente e gostamos, assim o livreiro pode indicar algo que siga pelo mesmo caminho. Como se a jornada da leitura fosse um estreito caminho à beira de um precipício e qualquer desvio pudesse nos levar à queda. Bobagem. A coisa toda pode ser muito mais simples. E também não existe certo ou errado, cada um lê o que gosta e como gosta. O importante é ser divertido.
É preciso observar que nos últimos anos as editoras, principalmente as pequenas, começaram a trazer para o Brasil uma variedade muito maior de autoras, autores, estilos e países diferentes. A tal da bibliodiversidade que tanto se fala e que é importantíssima para nos tornarmos um país com mais leitores. E a conta é simples, se temos mais opções, livros com conteúdos diversos, a chance de agradar mais pessoas e transformá-las em leitoras é maior. Não tem segredo.
Com o aumento da bibliodiversidade nas estantes, os desafios de leitura podem começar a ousar mais e criar tarefas mais complicadas do que apenas “ler um autor que você nunca leu”. E também exigir mais dos leitores o que é ótimo.
Para quem nunca viu ou participou, funciona assim: a pessoa que organiza o desafio cria uma série de tarefas, ou missões, para serem feitas ao longo do ano. É quase uma mistura de bingo com um clube do livro, o desfio está indicando a sua próxima leitura e à medida que você vai lendo vai completando a “cartela”. Tem prêmio? Até hoje não vi um que tivesse, mas é capaz de já ter. No fim das contas a brincadeira é para incentivar as pessoas a lerem mais ao longo do ano. Lembrando que a média de leitura do brasileiro não passa de um livro e meio por ano.
As missões consistem em buscar leituras com certas características, “um livro escrito no século passado”, “escrito por uma autora brasileira” e por aí vai. Podem ser coisas simples ou algo que exija uma certa pesquisa como “um livro em que a personagem principal é uma veterinária”. Um estímulo divertido e desafiador.
Claro que eu fiquei imaginando qual seria o meu desafio e aqui vai.
Uma autora de Curitiba que você ainda não leu
Um autor de Curitiba que você ainda não leu
Um livro de autor ou autora sul-americano
Um livro que não seja uma história linear
Livro publicado por uma editora que você não conhecia
Um tijolão
Um protagonista que gosta de cozinhar
Uma história de investigação na neve
Uma história que envolve café
Um autor ou autora da África
Um livro de aventura com cara de sessão da tarde
Um livro meu
Por que essas características? Não sei, é para ser uma brincadeira, um estímulo para a leitura. E agora vamos ao café.