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Renato Freitas vai pedir cassação de Ricardo Arruda por denúncia de "rachadinha"

Ministério Público quer que bolsonarista devolva R$ 1 milhão que teriam sido desviados. Deputado nega irregularidade

Renato Freitas vai pedir cassação de Ricardo Arruda por denúncia de "rachadinha"
O deputado Renato Freitas / Divulgação/Alep
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O deputado estadual Renato Freitas (PT) anunciou nesta terça-feira (30) que vai pedir a cassação do mandato de Ricardo Arruda (PL), suspeito da prática  de “rachadinha” (peculato). No último dia 11, o Ministério Público do Paraná (MP-PR) moveu uma ação de improbidade administrativa contra Arruda e cobrou do parlamentar bolsonarista a devolução de R$ 1.045.170,80.

“Mais de um milhão de reais desviados. Para comprar remédio? Não. Para comprar comida? Não. Segundo o Ministério Público, o deputado Ricardo Arruda fez compras em estabelecimentos nas cidades de Berlim e Frankfurt, na Alemanha; em Praga, da República Tcheca; em Viena, na Áustria, em Veneza, Milão, Pisa, Florença e Roma, na Itália", disse Freitas. "E há também de registros de compras de passagens áreas, dólar e euro, tudo nas suas viagens internacionais, e até mesmo Airbnb em Nova York. Com dinheiro público desviado".

O MP-PR sustenta que Arruda usava cartões de crédito adicionais de seus assessores na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) e ficava com parte de seus salários. Eles seriam lotados no gabinete do deputado e na Corregedoria da Alep, quando o bolsonarista ocupava a função de corregedor.

Na sessão desta terça da Alep, Arruda disse tem mais de R$ 70 milhões, da época em que trabalhava no mercado financeiro. "Eu não nasci político. Eu tenho uma carreira longa no mercado financeiro, fui presidente de banco por vários anos no estado de São Paulo. E na minha defesa, que meu advogado já fez, diz lá que eu tenho mais de R$ 70 milhões de origem, de dinheiro ganho e declarado. Não devo satisfação ao Ministério Público, ou melhor, a um subprocurador".

Nenhum cidadão deve explicações ao Ministério Público sobre seus ganhos lícitos, mas é de se supor que Arruda deveria ter declarado os R$ 70 milhões à Justiça Eleitoral nas quatro eleições em que concorreu – o que ele não fez, como mostrou o Plural em maio deste ano.

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Entre outras acusações, Ricardo Arruda disse que o Renato Freitas "defende criminosos" e defende "o uso de maconha". "Por incrível que pareça, apenas deputados de direita viram réus", afirmou. "Até os condenados da Lava Jato, tudo de esquerda, com Zé Dirceu, como Lula, estão aí. Estão tranquilamente em liberdade", disse. Uma meia verdade, pois políticos do PP, do MDB, do PTB e do Solidariedade também foram condenados.

Arruda é réu em outro processo no TJ-PR, suspeito dos crimes de associação criminosa, desvio de dinheiro público e tráfico de influência. Segundo o MP-PR, ele recebeu dinheiro para reincorporar policiais militares afastados da corporação.

Neste ano, o bolsonarista faltou a três sessões consecutivas da Comissão de Constituição e Justiça da Alep, mas teve sua vaga mantida – apesar da determinação contrário do Regimento Interno da Assembleia. Ele apresentou um atestado assinado por um dentista, quase 40 dias depois da primeira falta.

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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