Sentado em um banco de madeira da rua XV, no coração de Curitiba, o professor Hertz Dias, pré-candidato à presidente pelo Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) concedeu entrevista ao Plural no último sábado (18). A principal proposta de Hertz e do partido é a revolução socialista.
Esta foi a primeira vez que Hertz esteve em Curitiba, de onde, na sequência, seguiria para São Paulo. Ele mesmo entregava um material impresso para quem passava pela Rua XV, um jornal elenca pontos de discussão sobre o programa do partido: fim da escala 6x1, reforma agrária e titulação de terras quilombolas e indígenas, programas contra a violência policial e crime organizado e o “rompimento com o imperialismo”.
No Paraná, o cenário é desafiador para partidos mais alinhados ao campo progressista ou de esquerda, já que o Estado é conservador no voto e costuma priorizar candidaturas de direita ou extrema direita. “Aqui no Paraná a única candidatura de esquerda é a do Samuel de Mattos (PSTU). A Frente Ampla coloca Requião Filho (PDT) como o candidato, mas ele também é alguém que não apresenta um programa voltado para a classe trabalhadora”, diz Hertz Dias.

Assim como Mattos, Dias afirma que é preciso expropriar bilionários, fazer a reforma agrária e reestatizar empresas públicas que foram privatizadas. Dias também fala sobre o fortalecimento da soberania nacional, que perpassa pela soberania digital e afirma que o Brasil vive um “desequilíbrio institucional”.
Para ele, com a tentativa de golpe de Estado praticada em 8 de Janeiro com o objetivo de manter Jair Bolsonaro (PL) no Poder e romper com a democracia demonstra a “instabilidade institucional” do Brasil. “Por outro lado, Lula (PT) também tem sua culpa nisso, porque foram 17 anos de governo do PT a serviço do mercado privado, usando o BNDES para privatizar estatais”, critica.
2º turno
O cenário mais provável de segundo turno no Brasil deve envolver o presidente Lula e Flávio Bolsonaro (PL), se as pesquisas se aplicarem. As chances de candidaturas como a do PSTU crescerem na disputa são pequenas, mas o pré-candidato não quis falar sobre projeções ou apoios para o segundo turno.
“Vivemos um cenário onde tudo é possível. O que eu quero dizer é que o nosso partido é o único que tem propostas que defendem a classe trabalhadora. Nós tivemos ataques ao fim da escravização de pessoas, tivemos ataques às Leis Trabalhistas e agora contra a redução da escala de trabalho. Em todos os momentos as pessoas disseram que isso iria quebrar o Brasil, sendo que temos R$ 400 bilhões em fraudes fiscais do grande capital e isso daria para acabar com a 6x1 agora”, critica.
