O deputado estadual Ricardo Arruda (PL) disse nesta segunda-feira (19) que não vê nenhum problema em não ter declarado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cerca de R$ 70 milhões, que teria lucrado entre 2008 e 2015. A informação sobre o faturamento foi dada pelo advogado de Arruda, Jeffrey Chiquini, no processo em que o deputado é réu suspeito dos crimes de associação criminosa, tráfico de influência e desvio de dinheiro.
Matéria publicada nesta segunda-feira pelo Plural mostrou que, apesar de ter alegado que recebeu R$ 70 milhões, Arruda não declarou o valor nas quatro eleições que disputou, em 2010, 2014, 2018 e 2022. O valor mais alto declarado pelo parlamentar foi de R$ 2.860.634,78, em 2014, quando foi eleito deputado estadual pela primeira vez.

No processo em que o parlamentar bolsonarista é réu, que corre no Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), o advogado Jeffrey Chiquini citou que ele recebeu R$ 70 milhões em sete anos, de forma lícita, e que por isso não precisaria se envolver em atos de corrupção.
“Eu fui presidente de banco em São Paulo, quando eu saí do banco eu montei a minha empresa financeira, de intermediação de negócios, devido ao network que eu tinha. Eu realmente intermediei contratos de valores muito altos, contratos milionários, com rede de televisão como a Band e Canal 21”, disse Arruda ao Plural na segunda. “Contratos oficiais, que realmente renderam valores altos na minha conta. Todas foram emitidas nota fiscal. Está tudo declarado em nota fiscal, em contrato. Tem contrato fora do Brasil, mas a origem do dinheiro está toda comprovada”.

Segundo Arruda, esses recursos foram declarados pelas empresas que pertenciam a ele,. “Eu não vejo problema nenhum (em não declarar ao TSE), porque não houve nenhuma sonegação, houve toda a declaração, feita com notas fiscais da empresa que eu fazia parte. Não está na minha declaração, porque na verdade era uma empresa que fazia isso. Não era eu na pessoa física. Você não vai encontrar isso na minha pessoa física, você vai encontrar esse relatório nos balanços da pessoas jurídicas, que fizeram essas declarações”.