Primeiro colocado nas pesquisas de intenção de voto para o governo do Paraná em 2026, o senador Sergio Moro (União Brasil-PR) criticou a forma como o processo de privatização da Celepar que vem sendo conduzido pelo governo de Ratinho Júnior (PSD). Em entrevista à Maringá FM na manhã desta sexta-feira (13), Moro disse ver com preocupação a falta de garantia em relação à proteção de dados sensíveis, como os da área da segurança pública.
“O problema é o seguinte, existem dados dos paranaenses sob o controle da Celepar. A gente vai passar então esses dados estratégicos para a iniciativa privada? Como é que a gente vai preservar esses dados?”, questionou o senador. “Existem dados sigilosos, que envolvem por exemplo a segurança pública, também armazenados na Celepar. Então a privatização tem que ser feita, se é para ser feita, com a preservação desses dados. E até agora eu não vi nenhuma explicação daqueles que querem vender a Celepar de como seria feito isso”.

Para Moro, falta uma definição por parte do governo a respeito da transferência dos dados da área da segurança pública. A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) não permite que informações da segurança pública sejam acessados e preservados por empresas. Matéria publicada pelo Plural em abril mostrou que os dados da segurança vinham travando o processo de privatização, dada a complexidade nos processos de transferência e armazenamento das informações. A ideia de Ratinho Júnior seria concluir a venda da companhia até o fim do ano.
"É pensar assim: ‘vamos privatizar a Receita Federal e entregar os dados do Imposto de Renda dos brasileiros para quem comprar'. Quem tem que apresentar a modelagem que preserve esses dados é quem quer vender, e eu não vi isso ainda.”
Sergio Moro, senador
Moro disse ser favorável às privatizações, mas com um modelagem adequada. “Tudo tem que ser feito dentro dentro de um modelo regulatório que seja adequado e que preserve os direitos do cidadão. Em relação à Celepar, eu tenho preocupações”.