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Justiça obriga bolsonaristas a retirar vídeos com ofensas contra coordenador de movimento popular

Vereador João Bettega e advogado Jefrrey Chiquini chamaram líder do movimento de população de rua de "ladrão" e "bandido" em vídeos com milhares de visualizações

Justiça obriga bolsonaristas a retirar vídeos com ofensas contra coordenador de movimento popular
João Bettega e Jefrrey Chiquini / (Fotos: Carlos Costa e Rodrigo Fonseca/CMC)
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A 13ª Vara Cível de Curitiba concedeu liminar para os candidatos a deputado Jeffrey Chiquini (Novo) e João Bettega (PL) retirem do ar um vídeo com ofensas ao coordenador nacional do Movimento Nacional da População em Situação de Rua (MNPR), Leonildo José Monteiro Filho. Bettega, que é vereador em Curitiba, teve a candidatura indeferida pela Justiça Eleitoral, mas ainda pode recorrer.

Segundo a ação, foram três vídeos publicados nas redes sociais dos bolsonaristas entre a partir do dia 21 julho, com acusações graves e falsas contra pessoas em situação de rua, organizações da sociedade civil e especialmente contra Leonildo Monteiro.

Fiéis ao estilo bolsonarista de ofender e acusar sem provas em busca de visualizações e votos, os candidatos chamaram Leonildo Monteiro de "ladrão" e "bandido", além de exporem seu nome e fotos dele. Os candidatos ainda chamaram pessoas em situação de rua de "mendigos" e disseram que há uma "infestação" de Curitiba devido a um "esquema criminoso envolvendo organização não governamental” e a uma "máfia que o PT financiou".

Bettega e Chiquini acusaram o MNPR de "receber dinheiro público" para "manter mendigos na rua" e "alimentar vagabundo". A defesa de Leonildo esclareceu que a entidade possui termos de colaboração assinados com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, por meio da Secretaria Nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos (SNDH/MDHC), e que os recursos foram destinados à entidade, e não para seus integrantes.

A defesa de Leonildo Monteiro citou que Jeffrey Chiquni tem mais de 2,3 milhões de seguidores no Instagram e cerca de 600 mil no YouTube, para ressaltar o alcance das acusações (sem provas) e ofensas. João Bettega tem mais de um milhão de seguidores no Instagram e aproximadamente 754 mil no YouTube.

De acordo com a ação, só no perfil de YouTube de Jeffrey Chiquini o vídeo teve mais de 181 mil visualizações, 24 mil curtidas e 1,6 mil comentários; no Instagram foram 79,3 mil curtidas e mais de 53 mil comentários. "Juntos, os réus têm mais de quatro milhões e meio de seguidores – audiência que está tendo acesso aos mencionados vídeos, em que, além de levianas difamações e calúnias contra o autor, está sendo incitada à discriminação e à aporofobia", diz a ação.

Depois disso, segundo a advogada Luciane Mezarobba, Leonildo passou a receber ameaças. "Começaram a surgir mensagens de ódio e ofensas ao autor, inclusive com ameaças à sua própria vida. O autor está com receio de sair às ruas, executar seu trabalho e realizar suas atividades cotidianas, diante dos incontáveis insultos e ameaças que passou a receber, a partir dos malsinado vídeos".

A decisão da 13ª Vara Cível de Curitiba tem caráter liminar (provisório). Bettega e Chiquini ainda apresentarão defesa.

O MNPR informou que vai adotar as medidas judiciais cabíveis para responsabilizar os autores das declarações, "com representação junto ao Ministério Público e à Defensoria Pública para apuração de práticas de incitação à discriminação e ao ódio".

Bettega já tem duas condenações

João Bettega tem duas condenações por vídeos com exposição indevida de imagens e descontextualizações.

Em março de 2025, ele foi condenado por humilhar um adolescente autista e publicar o vídeo em seus perfis nas redes sociais. Em 12 de maio de 2023, eles filmou um adolescente de 16 anos diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA) na Praça Osório, no Centro de Curitiba. Usando um boné do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra), o influencer teria se identificado como jornalista e fez perguntas sobre política. Em seguida, passou a ridicularizar o entrevistado. Em janeiro deste ano, a Justiça aumentou o valor das indenizações.

Em janeiro deste ano, Bettega foi condenado a indenizar uma professora por expor sua imagem, descontextualizar suas falas e fazer críticas depreciativas em vídeo publicado em agosto de 2024. Ele foi condenado a indenizar a docente em R$ 3 mil.

João Bettega foi expulso do MBL (movimento de extrema direita que originou o partido Missão) em maio de 2025, quando já era vereador. Segundo a direção nacional do MBL, Bettega estava muito próximo do bolsonarismo, omitiu que a administração do prefeito Eduardo Pimentel (PSD) mantinha um condenado no primeiro escalão e publicava "vídeos idiotas" em excesso.

Além disso, expõem o nome

do autor e diversas fotografias de Leonildo, identificando-o clara e

inequivocamente. Cita-se, por exemplo, os seguintes trechos:

Fiéis ao estilo bolsonarita, os dois cah

LEONILDO JOSÉ MONTEIRO FILHO, brasileiro, solteiro,

coordenador nacional do

Bettega já tem duas condenações

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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